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sábado, 6 de dezembro de 2008

Poema roubado por aí

Quando as palavras me faltam, falo pela boca de outros.
E deixo que outros leiam o que não fui eu a pensar ou escrever, mas que sinto por inteiro como meu: a dor, a tristeza, e um imenso abraço amigo a quem sabe que este post é para si.


"Cheguei. Chegaste. Vinhas fatigada
E triste, e triste e fatigado eu vinha.
Tinhas a alma de sonhos povoada,
E a alma de sonhos povoada eu tinha...

E paramos de súbito na estrada
Da vida: longos anos, presa à minha
A tua mão, a vista deslumbrada
Tive da luz que teu olhar continha.

Hoje, segues de novo... Na partida
Nem o pranto os teus olhos humedece,
Nem te comove a dor da despedida.

E eu, solitário, volto a face, e tremo,
Vendo o teu vulto que desaparece
Na extrema curva do caminho extremo."

de Olavo Bilac