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terça-feira, 6 de abril de 2010

Durme...



..canção sefardita pela "mão" da Brigada Victor Jara.
Andei meses a cantá-la a uma certa menina...
Às vezes eu adormecia primeiro...
(Ossos do ofício... de ser mãe)

Adoro esta canção.
Vou ouvir outra vez...


terça-feira, 12 de janeiro de 2010

Música para meio da semana...

Puccini é um dos meus compositores preferidos, já aqui o disse.
A "Tosca" é outra daquelas óperas, que, tal como "Turandot", ou "Madame Butterfly", nos deixa colados à cadeira, a vibrar com a quantidade de emoções por minuto, enquanto à nossa frente desfila uma história arrebatadora, uma música fantástica, carregada de subtilezas, mas também de energia no seu estado puro... Uma ópera de Puccini não é para corações fracos...
Deixo-vos o final da Tosca, se quiserem conhecer-lhe a história vão aqui, dada a minha falta de tempo para hoje vo-la explicar.... Vale a pena.
Uma Tosca cantada pela Angela Gheorghiu é algo que não se pode esquecer...

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

MÚSICA PARA COMEÇAR O ANO

Não, não é um anjo que canta.
É Philippe Jaroussky, um contratenor fantástico,
que tem tudo para ser um dos melhores cantores do mundo.

A música de Fauré, na sua voz, é ainda mais bela.
O poema de Paul Verlaine é ainda mais... de cortar a respiração.

Deixo-vos "En Sourdine"... para deixar o silêncio falar...
Feliz Ano Novo



Calmes dans le demi-jour
Que les branches hautes font,
Pénétrons bien notre amour
De ce silence profond.

Fondons nos âmes, nos coeurs
Et nos sens extasiés,
Parmi les vagues langueurs
Des pins et des arbousiers.

Ferme tes yeux à demi,
Croise tes bras sur ton sein,
Et de ton coeur endormi
Chasse à jamais tout dessein.

Laissons-nous persuader
Au souffle berceur et doux
Qui vient, à tes pieds, rider
Les ondes des gazons roux.

Et quand, solennel, le soir
Des chênes noirs tombera
Voix de notre désespoir,
Le rossignol chantera.

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

Música para meio da semana...

Um momento de rara beleza: a interpretação que Renée Fleming faz de "Morgen" ("Manhã"), de Richard Strauss.
Para escutar de olhos fechados pelo menos duas vezes seguidas - só uma vez não chega, porque os 4 minutos desta "manhã", sabem-nos a tão pouco...
E, de resto, quem não gosta de prolongar a sua manhã um pouco mais, principalmente quando chove lá fora, e cá dentro está quentinho, e estamos quase no Natal?


sábado, 17 de outubro de 2009

Música para o Fim-de-Semana

Estou de regresso ao meu mar sem sal...
O trabalho, uma campanha eleitoral, uma cadela operada de emergência, umas quantas noites (quase) sem dormir e uma criança que fez anos...
E agora um momento para sofrer com a morte de Liú, na ópera "Turandot", de Puccini, talvez a minha ópera preferida, ouvida até à exaustão nesta versão fantástica de 1998, na Cidade proibida, em Pequim, naquele que é agora o "Palácio da Cultura e do Povo".

Neste excerto, que de tão breve (10m.) deixará os visitantes com "água na boca" para ver toda a ópera (assim espero), assistimos à ária final da Liú, a fiel criada do rei Timur, rei deposto, pai de Calaf.
Calaf é o herói que desafia a morte, querendo responder aos três enigmas propostos pela fria princesa Turandot, que mandava decapitar cada homem de sangue real que não acertava nas respostas.
Mas ele acerta, e face à resistência da princesa em se entregar, propõe-lhe ele mesmo um enigma: que ela descobrisse o seu nome, e de madrugada ele morreria se tal acontecesse, e ela quisesse.
Assim, após este desafio, a princesa manda que ninguém durma em Pequim naquela noite até que se descubra o nome do estrangeiro (é quando Calaf canta a famosa ária "Nessum Dorma" - ninguém durma). Entretanto, os soldados descobrem Timur e Liú, e tentam arrancar o nome do príncipe através da tortura, mas Liú adianta-se e diz só ela possuir o nome dele, tentando assim salvar o pai do seu amado Calaf. Porém, não resistindo, acaba por falar com a princesa, dizendo-lhe que vai fechar os olhos para que Calaf possa vencer, e que também ela amará o príncipe. Fechará os seus olhos para não mais o vêr.. ("per non vederlo piú")
E suicida-se na presença da princesa...

"Tu, che di gel sei cinta", que se poderá traduzir mais ou menos por "tu que estás rodeada de gelo", é uma das grandes árias operáticas, das mais difíceis, das mais arrebatadoras... E a soprano Barbara Frittoli interpreta-a de uma maneira sublime, aqui com a orquestra dirigida por Zubin Mehta, nesta produção fantástica.


A boa notícia é que quem conseguiu ler o post até aqui é porque já está preparado para ouvir uma ópera inteira!!!

Bom fim de semana.


terça-feira, 23 de junho de 2009

Música para respirar... uma nova semana

Brahms está sempre presente em alguns momentos da minha vida.
Em alguns momentos de decisão, noutros de reflexão, e noutros, simplesmente, de puro deleite musical, do género "fechar os olhos e ficar num estado Zen". Este é apenas um excerto de sete minutos do I andamento da Sonata para Violoncelo nº 1, em Mi menor, aqui tocada pelo magnífico Rostropovich.

Todos os dias são dias de luta. Amanhã será mais um, entre tantos, tantos, que agora vivemos.
Mas fiquemos quietos por uns instantes, a respirar a poesia destas notas musicais, assim escritas pela mão de um dos melhores compositores de todos os tempos (aliás, não se nota nadinha que eu gosto do Brahms...), e assim tocadas pela mão do mais famoso violoncelista de todos os tempos.




Dedicado a quem todos os dias quer ouvir violoncelo....

quinta-feira, 7 de maio de 2009

Música para meio da semana...

Porque estamos em Maio...
"Im Wunderschonen Monat Mai", belíssimo Lied de Schumann, aqui numa interpretação do barítono Hermann Prey.
Para fazer, por breves instantes, esquecer tudo o resto.

quarta-feira, 24 de setembro de 2008

Para que serve a Poesia?

Pergunta sem resposta consensual.
É o mesmo que perguntar para que serve a música, ou o amor, ou a vida.
Estamos vivos, é só isso.
E um dia tudo passará, e só fica o que não se acaba.
Se dúvidas tivesse, bastaria regressar à minha infância, para verificar que sempre, sempre estive rodeada de poesia.
Ontem o Cravo de Abril recordou-me Pablo Neruda, no dia em que passavam exactamente 35 anos da sua morte. Fui dali, lê-lo outra vez. Fiquei de novo rendida. Fiquei rendida e derretida! É que... a sua poesia é mesmo linda.
Daquelas que apetece morder.
Ora reparem:


"Posso escrever os versos mais tristes esta noite.
Escrever, por exemplo: "A noite está estrelada,

e tiritam, azuis, os astros lá ao longe".

O vento da noite gira no céu e canta.



Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Eu amei-a e por vezes ela também me amou.

Em noites como esta tive-a em meus braços.

Beijei-a tantas vezes sob o céu infinito.



Ela amou-me, por vezes eu também a amava.

Como não ter amado os seus grandes olhos fixos.

Posso escrever os versos mais tristes esta noite.

Pensar que não a tenho. Sentir que já a perdi.



Ouvir a noite imensa, mais imensa sem ela.

E o verso cai na alma como no pasto o orvalho.

Importa lá que o meu amor não pudesse guardá-la.

A noite está estrelada e ela não está comigo.



Isso é tudo. Ao longe alguém canta. Ao longe.

A minha alma não se contenta com havê-la perdido.

Como para chegá-la a mim o meu olhar procura-a.

O meu coração procura-a, ela não está comigo.



A mesma noite que faz branquejar as mesmas árvores.

Nós dois, os de então, já não somos os mesmos.

Já não a amo, é verdade, mas tanto que a amei.

Esta voz buscava o vento para tocar-lhe o ouvido.



De outro. Será de outro. Como antes dos meus beijos.

A voz, o corpo claro. Os seus olhos infinitos.

Já não a amo, é verdade, mas talvez a ame ainda.

É tão curto o amor, tão longo o esquecimento.



Porque em noites como esta tive-a em meus braços,

a minha alma não se contenta por havê-la perdido.

Embora seja a última dor que ela me causa,

e estes sejam os últimos versos que lhe escrevo."



(Então? Não ficaram enternecidos?...)

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Que ninguém durma..

Nessum Dorma, uma das árias mais emblemáticas da fantástica ópera "Turandot", de um dos meus compositores preferidos, Puccini. Escutada ao vivo, é ainda mais arrebatadora. Acreditem. É talvez por isso que o público, delirante, bate sempre palmas no fim desta ária, interrompendo a narrativa.
Neste video vão ouvir Placido Domingo na situação real da ópera levada à cena. Os mais curiosos poderão acompanhar a tradução do italiano para espanhol, se perceberem espanhol (o que não é muito difícil). Mas não se fiquem por uma primeira audição a olhar para as legendas, ouçam-na outra vez (só dura 3 minutos e pico), com o volume bem alto e de olhos fechados... Os vizinhos aguentam, e a vossa percepção será outra...



Em breve, quem visitar a Festa do Avante, no Seixal, vai poder assistir à interpretação desta e outras árias de ópera. Já só faltam quatro dias...

sábado, 23 de agosto de 2008

Poema roubado por aí


Poema da flor proibida

Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.

Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.

Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,
não de repente
(é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.

Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor.
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.

Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem a olhar
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.



Poema de António Gedeão, Obra Poética, Edições João Sá da Costa, 2001.
Foto de uma camélia do meu jardim. E vou dizer como a Maria: vou ali e já volto!
Bom fim de semana.

sexta-feira, 15 de agosto de 2008

Música na Voz

Quando a ouço cantar quase não consigo respirar. Tudo o que ela canta é perfeito, sôa perfeito. Trata-se de Renée Fleming, uma cantora excepcional dos nossos tempos. Esta obra, a ária das Bachianas Brasileiras - n. 5, do compositor Heitor Villa Lobos, é por demais conhecida. Já a cantei algumas vezes, mas continuo à procura desta perfeição.

"Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente.
Sobre o espaço, sonhadora e bela!
Surge no infinito a lua docemente,
Enfeitando a tarde, qual meiga donzela
Que se apresta e a linda sonhadoramente,
Em anseios d'alma para ficar bela
Grita ao céu e a terra toda a Natureza!
Cala a passarada aos seus tristes queixumes
E reflete o mar toda a Sua riqueza...
Suave a luz da lua desperta agora
A cruel saudade que ri e chora!
Tarde uma nuvem rósea lenta e transparente
Sobre o espaço, sonhadora e bela!"


quinta-feira, 31 de julho de 2008

Forte da Barra


Esta foto foi tirada num sítio que já não existe, no ano remoto de 1960.
Trata-se do Forte da Barra, perto da Gafanha da Nazaré, distrito de Aveiro.
Ali aprendi a nadar, já nos anos 80.
Era um local muito tranquilo, onde havia um jardim que confinava com este braço de ria, e onde a família se deslocava de tempos a tempos para fazer uns picnics... Era eu pequenina...
Encontrei a foto no meu computador e resolvi partilhá-la... Até porque evoca o ambiente de férias (bom para quem vai agora disfrutá-las)...

Bom fim de semana e boas férias, se fôr o caso.

domingo, 13 de julho de 2008

Boca


"A boca,

onde o fogo
de um verão
muito antigo
cintila,

a boca espera
(que pode uma boca
esperar

senão outra boca?)

espera o ardor

do vento
para ser ave,
e cantar."

Mas porque razão volto sempre a Eugénio de Andrade? Porquê?
Talvez porque está sol, está calor lá fora...
Ou porque tudo o que é mau me faz ficar inquieta, e a poesia dele me faz acalmar...
Porque em contraponto à mediocridade urge procurar o belo,
para que o nosso coração não endureça...


quarta-feira, 9 de julho de 2008

Música na Voz


Não sei como começar este post. A sério. Porque faltam-me adjectivos para descrever estes dois:
Bobby McFerrin e Aziza Mustafa Zadeh. Quem por cá vai passando já percebeu a minha simpatia e admiração por estes dois artistas, cantores multifacetados, músicos com uma grande formação jazzística, erudita e tradicional. Ele, além de um dos nomes maiores da World Music, é também maestro. Ela, além de fantástica cantora, é uma exímia pianista, como já puderam apreciar na "música para o fim de semana" de 10 de Fevereiro.
Juntos, então, transformam três minutos de música numa experiência alucinante.
Reparem na Habanera, da ópera Carmen, cantada por estes dois. Arrepiante.
E a improvisação em duo?
É caso para dizer: quando fôr grande quero ser como eles...




quarta-feira, 11 de junho de 2008

"O nosso mundo é este" de José Gomes Ferreira


O nosso mundo é este
Vil suado
Dos dedos dos homens
Sujos de morte.
Um mundo forrado
De pele de mãos
Com pedras roídas
das nossas sombras.

Um mundo lodoso
Do suor dos outros

E sangue nos ecos
Colado aos passos…
Um mundo tocado
Dos nossos olhos
A chorarem musgo
De lágrimas podres…

Um mundo de cárceres
Com grades de súplica
E o vento a soprar
Nos muros de gritos.

Um mundo de látegos
E vielas negras
Com braços de fome
A saírem das pedras…

O nosso mundo é este
Suado de morte
E não o das árvores

Floridas de música
A ignorarem
Que vão morrer.

E se soubessem, dariam flor?

Pois os homens sabem
E cantam e cantam
Com morte e suor.

O nosso mundo é este….

( Mas há-de ser outro.)

terça-feira, 8 de abril de 2008

Sagração da Primavera

Porque estamos na Primavera.
Porque eu gosto de Stravinsky.


Quando este bailado estreou, em 1913, em Paris, o público reagiu muito mal. A crítica chamou-lhe "Le Massacre du Printemps" (O massacre da Pimavera), ironizando com o verdadeiro nome "Le Sacre du Printemps" (A Sagração da Primavera). Naquela época não era habitual ouvir-se música e ver-se bailado tão irreverentes, tão ousados. Até posso compreender o espanto. Mas hoje já não.
Muita coisa mudou no mundo da música, desde então. Mas ainda conheço músicos que não gostam de Stravinsky. Não compreendo porquê. E volto a afirmar o que já disse dezenas de vezes aos meus alunos: não fechem os ouvidos à música do século XX, e do século XXI.
Afinal, não tarda nada a "Sagração" está a fazer 100 anos...

Aqui fica uma não menos irreverente versão, com coreografia de Pina Baush.
Não fica atrás do Nijinsky. Pelo contrário...
Encarna na perfeição a personagem da jovem que dança até à morte, como sacrifício ao deus da Primavera.