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quarta-feira, 13 de fevereiro de 2008

Acordai



"Acordai homens que dormis" dizia José Gomes Ferreira.
Em todas as épocas houve pessoas "a dormir", i.e., alienadas da realidade. Pessoas a quem a dor e o sofrimento dos outros nada dizia. Pessoas que não se importavam que a injustiça e a desigualdade existissem. Pessoas que, com a sua insensibilidade, contribuiam para o perpetuar dessas mesmas injustiças. E sempre houve quem lutasse contra isso. Agora, ano 2008, Fevereiro, acho que estamos mais uma vez a caminhar para um limite. Já chega. É tempo de acordar novamente, de gritar o que nos vai na alma. De lutar por um mundo mais justo.

Não foi por acaso que na segunda-feira, na manifestação ocorrida junto ao Conservatório Nacional se cantou o "Acordai", em defesa do ensino artístico, agora ameaçado pelo Governo de Sócrates. A música de Lopes-Graça tem para nós um significado especial. Não vale só pela força das palavra e das notas, pelo jogo de vozes ou pelo grande crescendo. Vale por aquilo que representa: é o nosso toque de alerta, e recorda-nos que sem luta não se alcançam objectivos. Quem luta nem sempre ganha, mas quem não luta perde sempre...

quinta-feira, 31 de janeiro de 2008

Pátria amada

Mudanças de ministros, mesmas políticas. Muda-se a cara dos actores, o argumento é o mesmo. O mesmo cenário. O mesmo público. As mesmas falas. A mesma produção.
A mesma arrogância e desconsideração pelos portugueses que trabalham a sério. Que não são administradores de coisa nenhuma. Mas que têm de administrar a sua casa com o pouco que recebem daqueles que muito possuem.
E há quem trabalhe muito. Muitas horas.
Levantam-se cedo e deitam-se tarde. Estão com os filhos uns minutos, antes de os pôr a dormir. Não têm dinheiro para quase nada. Vivem como podem.
Enquanto para uns quantos o país está "porreiro (pá!)", e até não há crise, para outros há muitas dificuldades, todos os dias, em todas as áreas. Isto já não é um país. Isto deixou de ser a pátria amada. Porque uma pátria, como refere Miguel Torga,
"(...)é o espaço telúrico e moral, cultural e afectivo, onde cada natural se cumpre humana e civicamente. Só nele a sua respiração é plena, o seu instinto sossega, a sua inteligência fulgura, o seu passado tem sentido e o seu presente tem futuro (In O Dia de 11 de Setembro de 1976)".
Que futuro teremos nós nesta Pátria tão mal governada?
De que Pátria se podem os portugueses orgulhar?