Mostrar mensagens com a etiqueta Brecht. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Brecht. Mostrar todas as mensagens

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2011

reflexão sem tempo

Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar

(Bertold Brecht)

Houve um tempo em que tinha tempo para tudo. Agora não tenho tempo para nada.
A falta de tempo é um problema que ameaça a minha vida.
É um verdadeiro problema.
Quando é que terei tempo para ter tempo?
Por agora deixo-vos o Brecht. Nosso companheiro intemporal.

terça-feira, 10 de novembro de 2009

Muros e Rios

Um dia escreveu Brecht:

Do rio que tudo arrasta se
diz que é violento
Mas ninguém diz violentas as
margens que o
comprimem


Hoje ouvi falar mil vezes na queda do muro de Berlim. Ouvi mil vezes a estória do povo da RDA, então, "libertado" da sua prisão.

Foi fácil falar, condenar, apontar o dedo, vociferar, até. Mas ninguém se preocupou em vêr um pouco para além do óbvio - é claro que não concebemos construções de muros para impedir pessoas de circular. Mas quem se preocupou em falar sobre a pressão do grande Capital sobre a Alemanha oriental, e as suas múltiplas formas de aliciar os seus bem formados profissionais para deixarem a RDA? Porque razão condenam de forma tão agressiva um muro, e não condenam uma base militar como Guantanamo? Quantos mortos há em Guantanamo? Quantos presos ilegais sujeitos a tortura? Guantamo existe, hoje, agora, enquanto escrevo. E a violência contra a Palestina? Quantas crianças morreram já? Quantas vão morrer ainda? A Palestina existe, agora, hoje, enquanto tu lês este post.

O grande Capital sabe bem onde quer chegar e qual o caminho a seguir.
Esse sim.
É o verdadeiro responsável pela violência das águas. E por toda a podridão do mundo.

terça-feira, 28 de julho de 2009

Brecht, esse profundo conhecedor da realidade portuguesa

Dificuldade de governar

1

Todos os dias os ministros dizem ao povo
Como é difícil governar. Sem os ministros
O trigo cresceria para baixo em vez de crescer para cima.
Nem um pedaço de carvão sairia das minas
Se o chanceler não fosse tão inteligente. Sem o ministro da Propaganda
Mais nenhuma mulher poderia ficar grávida. Sem o ministro da Guerra
Nunca mais haveria guerra. E atrever-se ia a nascer o sol
Sem a autorização do Führer?
Não é nada provável e se o fosse
Ele nasceria por certo fora do lugar.

2

E também difícil, ao que nos é dito,
Dirigir uma fábrica. Sem o patrão
As paredes cairiam e as máquinas encher-se-iam de ferrugem.
Se algures fizessem um arado
Ele nunca chegaria ao campo sem
As palavras avisadas do industrial aos camponeses: quem,
De outro modo, poderia falar-lhes na existência de arados? E que
Seria da propriedade rural sem o proprietário rural?
Não há dúvida nenhuma que se semearia centeio onde já havia batatas.

3

Se governar fosse fácil
Não havia necessidade de espíritos tão esclarecidos como o do Führer.
Se o operário soubesse usar a sua máquina
E se o camponês soubesse distinguir um campo de uma forma para tortas
Não haveria necessidade de patrões nem de proprietários.
E só porque toda a gente é tão estúpida
Que há necessidade de alguns tão inteligentes.

4

Ou será que
Governar só é assim tão difícil porque a exploração e a mentira
São coisas que custam a aprender?

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Acreditar no Amanhã

O Linha do Vouga chamou-me a atenção para
esta notícia. Entretanto ocorreu-me este comentário, que aqui vos deixo, em jeito de mensagem de Natal:


Nada é impossível de mudar


"Desconfiai do mais trivial, na aparência singelo.

E examinai, sobretudo, o que parece habitual.

Suplicamos expressamente: não aceiteis o que é de hábito como coisa natural,
pois em tempo de desordem sangrenta, de confusão organizada,
de arbitrariedade consciente, de humanidade desumanizada,
nada deve parecer natural,
nada deve parecer impossível de mudar."


Bertold Brecht



sábado, 21 de junho de 2008

Coisas em que vou pensando...

Acabaram-se as aulas! Começaram os exames, reuniões, preparação do próximo ano, etc, etc...
Apesar do muito cansaço e da falta de tempo para tudo, ainda me restam uns pequeninos minutos para vir cá desejar a todos os visitantes um bom fim de semana.
E antes de me ir embora partilho convosco estas ideias que me atravessam o espírito, de vez em quando. Então, agora que o Euro já pertence ao passado, pode ser que os portugueses comecem a fazer uso do cérebro com que a natureza os dotou. Sócrates anda preocupado: terá de, rapidamente, arranjar um placebo para dar ao povo, para que este continue alienado... Uma nova cimeira em Lisboa para tratar do Tratado 2, o regresso? Um jogo de futebol de salão com os membros do Governo? Uma nova aparição em Fátima?

Deixo-vos com as palavras de Brecht, que, como sempre, sabia o que dizia...


"O Vosso tanque General, é um carro forte"


Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar





segunda-feira, 12 de maio de 2008

Bertold Brecht dá uma lição a Sócrates...

... a propósito de comentários infelizes deste último, em Coimbra, que atentam contra a luta e os direitos dos trabalhadores portugueses.


Elogio da Dialéctica



A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo


Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos


Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje


Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.