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sábado, 18 de abril de 2009

Visitas a Viseu sem qualquer comparação

Ontem, sexta-feira, o Sócrates veio a Viseu.
Que horror!!!!!
Pena não ter sido atingido por nenhum viriato*.
Para limpar os ares das beiras, que ficaram a cheirar a enxofre, hoje vem a Viseu o Jerónimo de Sousa. O meu camarada vem participar na VIII Assembleia da Organização Regional de Viseu do PCP.

É como tudo na vida: nuns dias vemos o diabo, noutros a esperança!!

Bom Fim de Semana

Nota: *viriato - bolo tradicional de Viseu em forma de V. Agora que penso nisso, esse estava bem era para a Manuela Ferreira Leite. Já viram os cartazes do PSD?

sexta-feira, 30 de janeiro de 2009

"Mas não digas a ninguém..."

Ando, mais uma vez, sem tempo para nada.
Qualquer dia ainda arranjo uma doença daquelas da moda, o stress...
Para contornar o tal stress, sensibilizada com o caso Freeport, assim como com a esperança que Sócrates sente de não ser (mais) envolvido no caso, resolvi deixar-vos uma prendinha.
É que... "Verde", é a cor da esperança, e cantada por Natália Andrade, fica-se logo com esperança que ela acabe de cantar rapidamente, tal é o receio de sufocar a rir!
Então, cá vai (é melhor sentarem-se)...

Ah. Já agora, chamo a vossa atenção para a última frase deste belo poema, que foi inspirada numa conversa telefónica entre Sócrates e o seu estimado tio.


segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Novo Ano Lectivo(2)


É o caos absoluto.
Este novo início de ano lectivo tem-me tirado muitas horas de sono, e por isso, não tem sido fácil visitar os meus "amigos de infância" (como diz o Samuel) da blogosfera.
A senhora ministra Maria de Lurdes Rodrigues rejubila de contente com a abertura do ano lectivo, entrega "Magalhães" (é mesmo assim que se chamam os computadores??) a torto e a direito, e, pela parte que me toca, acho imensa piada à obrigatoriedade que agora foi posta em prática de aplicação da portaria 1550/2002. Refiro-me a uma legislação (que até nem é má, mas nem sequer foi ideia deste Governo) que regulamenta o regime de frequência "Articulado" nas escolas de Ensino Artístico Especializado (EAE), vulgarmente conhecidas como "academias" ou "conservatórios".
A ministra vai gabar-se em breve, talvez já agora, no próximo dia 1 de Outubro, de que conseguiu pôr mais gente a estudar neste tipo de ensino.
Pois quero preveni-los do seguinte:

1) a srª ministra quis pôr em marcha, com a força de uma legislação, um sistema abrangente de acesso ao EAE. Mas beneficiou, principalmente, as escolas particulares, que, afirma estão a realizar um "serviço público". Reparem que não criou escolas públicas! Já vi este filme antes. Lembram-se dos hospitais públicos com gestão privada? Foi um favorzinho que fez a potenciais interessados em "comprar" o EAE em Portugal. O futuro demonstrará quem são, porque, não tenham dúvidas, se esta marcha não fôr interrompida, também esta área será (se é que ainda não foi) tomada de assalto por grandes grupos económicos. Repito: o futuro o dirá!
2) as escolas e os conservatórios não estavam preparados para as "negociações", ou "articulações" necessárias. É um erro pensar que isto foi pacífico, no terreno. Não foi.
Os horários não foram preparados para o currículo do aluno em articulado, os alunos não foram esclarecidos, alguns pais não fazem ideia do que estão a escolher para o futuro dos seus filhos, e tenho sérias dúvidas que metade destes alunos consigam comprar instrumentos musicais. Pois é. A ministra não se lembrou que este problema iria acontecer... Um colega dizia-me no outro dia que esteve numa reunião de pais onde estiveram presentes pessoas que tinham caminhado 4km (a pé) para estar na reunião, à noite. Quando se falou na necessidade de comprar um instrumento musical... levantaram-se e foram-se embora. Quem quase não tem dinheiro para comer não consegue pôr um filho a estudar música. Não foram criados quaisquer tipos de apoios para a aquisição de instrumentos. Quem sabe se uns "Magalhães" a menos...
3)vai haver sempre gente interessada em "mostrar serviço". Alguns tem cartão rosa e não vão querer ficar mal na fotografia. Talvez já a pensar no cargo que poderão vir a ter no futuro, numa qualquer Direcção Regional de Educação, ou como gestores escolares. Outros vão dizer que isto está tudo errado, mas pelas piores razões: porque consideram que este tipo de ensino é para uma elite, e assim se deve conservar, colocando de parte os filhos dos operários, empregadas domésticas, chineses, ucranianos e ciganos (principalmente estes três últimos).
4) Também vai haver quem, mesmo sabendo que estas directrizes levam água no bico e acarretam (ainda mais) problemas a este sector de ensino, vá lutar por esta coisa da "democratização" do ensino artístico especializado, e até arrisco dizer que se alguma coisa funcionar, este ano, dever-se-á, fundamentalmente, à capacidade de trabalho dos professores e ao "amor à camisola" que estes têm pelo ensino artístico.
De outra forma, não estou a ver...

terça-feira, 22 de julho de 2008

Ensino Artístico na AR (2)

Há quem não durma em serviço. Congratulo-me pelo deputado comunista Miguel Tiago ter intervindo na AR revelando como nenhum outro deputado de outro partido político conseguiu fazer, revelando, dizia eu, toda a verdade que está por trás das intenções do Governo de Sócrates relativamente ao meu sector de ensino: o ensino especializado de música, ou ensino artístico (EA), como lhe queiram chamar.
Convido-vos a conhecer na íntegra a intervenção certeira e eficaz de Miguel Tiago sobre a escola pública (basta clicar), no entanto, não posso deixar de destacar duas ou três ideias mais concretas que dizem respeito ao EA:

"Nos princípios de Julho, o Governo aponta duas novas machadadas contra o Ensino Artístico Especializado, particularmente contra o Ensino da Música, com a publicação de Despachos do Ministério da Educação que alteram as condições para a matrícula em Escolas de Ensino Artístico e os critérios e formas de contrato de patrocínio com essas instituições. A dois meses do início do novo ano lectivo e após momentos de acesa discussão entre os agentes educativos, o Ministério da Educação e mesmo esta Assembleia, após a intensa mobilização de professores, famílias e estudantes de praticamente todas as escolas públicas do ensino especializado da música do país, o Ministério determina regras que fazem tábua rasa de todos os contributos que foram entregues pelas escolas, pelos alunos, pelos pais, pelos partidos políticos. O Governo quer agora que nenhum estudante com mais de 18 anos possa ingressar no regime supletivo do Ensino Especializado da Música, ao mesmo tempo que obriga os alunos a frequentarem todas as disciplinas dos planos de estudos regular e especializado, aumentando as suas cargas horárias para 44 horas semanais em alguns casos; da mesma forma o Governo impõe regras tão restritivas que se tornarão impeditivas da frequência para muitos, mostrando também assim desconhecimento da diversidade de características de cada situação no que toca ao Ensino Especializado da Música.

Ao mesmo tempo, o Governo anuncia os novos critérios de financiamento do Ensino Especializado da música onde torna clara a sua estratégia de obter pelo financiamento aquilo que não obteve pela discussão democrática. Através de uma comissão o Governo beneficia financeiramente o modelo de escola tipo integrado - que tenha todas as disciplinas no mesmo espaço - ou seja, os colégios privados - e pune as pequenas escolas particulares e a maioria das escolas públicas."

Boa, Miguel Tiago!
Depois disto, espero sinceramente que, finalmente, alguns colegas meus comecem a ter noção de que há apenas um único partido que na hora da verdade está do seu lado, denunciando a verdade que se esconde por trás das acções deste Ministério da Educação.
Só o PCP fez, neste debate na AR, a leitura correcta das consequências destas medidas, que são tão gravosas para os alunos como para os professores do EA.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Para onde vão os impostos...


Já passou um ano desde que Joe Berardo transferiu para o CCB parte da sua colecção de arte contemporânea, depois de ter celebrado com o estado português um contrato - que foi designado por acordo de comodato, seja lá o que isso fôr - onde certamente se assegura de que não perderá dinheiro com o "aluguer" das peças para exposição pública. Foram divulgados os dados relativos ao aumento de visitas ao CCB desde essa altura: parece que já houve 500 mil visitantes...
Um ano passado, é tempo de fazer o balanço desta parceria de um equipamento público com a Fundação Berardo.
Pergunto-me:
1- os visitantes sairam mais conhecedores da arte dos nossos tempos, ou foram vêr a Colecção Berardo apenas porque está na moda, e teve um tratamento mediático muito grande?
2 - o estado português pode comprar a Colecção até 2016, tendo por isso que conceder anualmente 500 mil euros, assim como Joe Berardo, que concede montante igual. Vale a pena gastar este dinheiro? Ou não seria melhor fazer uma distribuição mais equilibrada, descentralizando e tentando esbater as assimetrias que existem neste país, também em termos culturais?
3- as despesas de funcionamento, apesar de serem repartidas pelas duas partes, ascendem a 3 milhões de euros. O estado português forneceu um local de excelência à Fundação Berardo. Roubou espaço (nove mil metros quadrados, pelos quais Berardo recebe uma compensação!) e retirou à Fundação CCB a sua valência de exposições. Não deveria ser o Berardo a suportar as despesas inerentes ao funcionamento do Museu com a sua colecção?

Para terminar, há aqui uma conta que até me parece ser fácil de fazer:
o Ministério da Cultura através da Direcção Geral das Artes, atribuiu recentemente 2 milhões e 100 mil euros a cerca de 140 projectos artísticos das mais diversas áreas (música, teatro, dança, fotografia, artes plásticas, artes digitais, arquitectura, design, transdisciplinariedade), oriundos de todas as zonas do país; o Museu Berardo tem despesas superiores, ou vá lá, na melhor das hipóteses, equivalentes a este montante. Berardo não é um artista. É um especulador de arte. Ele não produz nada. Faz dinheiro com o trabalho artístico de outros. Ele não ofereceu nada ao estado português, porque um homem de negócios não entra num protocolo destes para perder dinheiro.

Também na área cultural Sócrates está a entregar de bandeja o dinheiro dos contribuintes ao grande capital. Estamos a ser roubados a olhos vistos. E o investimento na Cultura portuguesa não passa, certamente, por sustentar um especulador de arte.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

250 Mil


Hoje estiveram 250 mil trabalhadores em luta nas ruas de Lisboa.
250 mil...
Será que o primeiro-ministro não se questiona acerca da razão de tal descontentamento?
Pensará ele que os portugueses que lhe deram maioria absoluta ficaram em casa?
Será que ele acredita que há ainda vivalma que o apoie?
Que arrogância...

E no entanto...

Acho que hoje o Sócrates já terá fumado alguns maços de tabaco... :)))
Apesar de não ter podido ir, quero gritar aqui do meu canto:
"Viva a Luta dos trabalhadores portugueses."
"Viva a CGTP."
"A luta continua."

Parabéns aos manifestantes cansados. Valeu a pena.

terça-feira, 13 de maio de 2008

Limpeza da imagem, que é como quem diz, "o homem quer fazer-se passar por um gajo de esquerda"


A propósito do comentário do Antuã, fui ver as notícias.
Sócrates deslocou-se à Universidade de Aveiro (U.A.) onde foi recebido com pompa e circunstância, fazendo-se acompanhar pelo Mariano Gago.
Tinha à espera dele cerca de 250 pessoas, apesar da RTP afirmar que eram cerca de "uma centena de trabalhadores", num protesto organizado pela União de Sindicatos de Aveiro.
E o que é que Sócrates vai anunciar a Aveiro? O lançamento de uma série de cooperações empresariais com a universidade - que é isso que lhes interessa - e o aumento de investimento na investigação na ciência, designadamente criando 3000 bolsas para doutorandos, 5000 para licenciados, e criar 500 contratos de trabalho a investigadores doutorados.
Que engraçado.
A U.A., que tem investigadores a recibos verdes há anos, assim como funcionários a recibos verdes há mais de 10 anos (entre os quais muitos trabalhadores-estudantes), e outras situações ilegais, vem agora ajudar a estratégia do senhor primeiro-ministro de "limpeza de imagem". Custa a crer que uma universidade que tem propinas de doutoramento no valor de 2750€ (!) anuais (sim, leram bem...), que não teve força para lutar contra a sua conversão em "fundação" - com tudo o que isto implica - se ponha agora numa posição de perfeita conivência com o Governo de direita de sócrates.
Tudo se encaixa na perfeição: as empresas financiam a Fundação, dizem que cursos querem, de que profissionais precisam, quantos, como devem ser formados (para servir o Capital), como devem pensar. É a formatação "Bolonhesa" e o capitalismo no seu esplendor. Com sucessivas privatizações à espera, já com um bando de agiotas a esfregar as mãos de contentes, sorrindo...
Pergunto-me se o Sócrates não terá à espera dele um lugar como presidente da Fundação da U.A. quando deixar de ser primeiro-ministro.

Enquanto não abandona o poleiro, e numa tentativa de resgatar os eleitores apreciadores de políticas de esquerda (antes que fujam para o PCP), o Sócrates faz de tudo. Aparece a "apoiar" (falsamente) o ensino superior, visita a Venezuela... E consegue enganar até o próprio Hugo Chávez, que numa entrevista recente afirmou que o Sócrates "era seu amigo"...
Alguém tem que lhe dizer a verdade.. O Sócrates só é amigo do grande Capital, e este PS, este Governo, apesar de se chamar "socialista" não tem nada a ver com o socialismo venezuelano.
Para nossa infelicidade.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Bertold Brecht dá uma lição a Sócrates...

... a propósito de comentários infelizes deste último, em Coimbra, que atentam contra a luta e os direitos dos trabalhadores portugueses.


Elogio da Dialéctica



A injustiça avança hoje a passo firme
Os tiranos fazem planos para dez mil anos
O poder apregoa: as coisas continuarão a ser como são
Nenhuma voz além da dos que mandam
E em todos os mercados proclama a exploração;
isto é apenas o meu começo


Mas entre os oprimidos muitos há que agora dizem
Aquilo que nós queremos nunca mais o alcançaremos


Quem ainda está vivo não diga: nunca
O que é seguro não é seguro
As coisas não continuarão a ser como são
Depois de falarem os dominantes
Falarão os dominados
Quem pois ousa dizer: nunca
De quem depende que a opressão prossiga? De nós
De quem depende que ela acabe? Também de nós
O que é esmagado que se levante!
O que está perdido, lute!
O que sabe ao que se chegou, que há aí que o retenha
E nunca será: ainda hoje


Porque os vencidos de hoje são os vencedores de amanhã.