Em Abril visitei o Forte de Peniche integrada num grupo de gente que tinha muitas histórias para contar relacionadas com o tempo da ditadura fascista, e dos seus tempos de cativeiro. Uns tinham ali estado, outros tinham estado em Caxias, outros tinham estado em ambas! Na altura fiquei muito impressionada com tudo, com o Forte, que apesar de já conhecer, causa sempre um grande impacto, e com os relatos, que me fizeram sentir pequenina diante do passado de resistência daqueles lutadores.
Nunca é demais lembrar o que se passou em Portugal durante o Estado Novo. E hoje, mais do que nunca, assistimos a tentativas de branqueamento do passado. Quer pela tentativa de humanizar o ditador Salazar, quer pelas comparações que vão começando a ser escutadas, aqui e ali, com o governo de Sócrates. Efectivamente estamos perante um governo que governa o mais à direita possível. O descontentamento popular é flagrante.
Todas as classes profissionais são atingidas. Está instalada uma crise social muito complicada de resolver. O custo de vida está cada vez pior. Apesar de tudo isto, não podemos afirmar que se vive hoje como no tempo da ditadura. O valor da coragem e resistência de alguns permitiu que todos os portugueses, hoje em dia, pudessem usufruir da sua liberdade, do seu poder de voto, da sua capacidade de lutar, da possibilidade de, como trabalhadores, estarem organizados, sindicalizados, poderem dizer o que pensam... Acima de tudo, a luta de alguns permitiu abrir as portas a uma nova vida.
Usemos, pois, essa força que nos foi dada. É certo que os tempos não estão fáceis, mas hoje temos, como sempre tivémos, a força de estarmos unidos a lutar, a bater o pé, a dizer: Não Passarão! Hoje, mais do que nunca, temos de defender a liberdade e a democracia.
Amanhã, pode bem ser uma excelente oportunidade! E, que tal?
Vamos tentar?