O pintor morreu...
Mas o nosso camarada SR não!
Um grande beijo para ti neste 19 de Dezembro.... sempre tão difícil.
Fascismo nunca mais!
“Quando descobrimos aquilo de que somos feitos e a maneira como somos construídos, descobrimos um processo incessante de construção e destruição e apercebemo-nos de que a vida está à mercê desse processo interminável. Tal como os castelos de areia das praias da nossa infância, a vida pode ser levada pela maré.” António Damásio, O Sentimento de Si (1999)
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sábado, 19 de dezembro de 2009
sexta-feira, 27 de junho de 2008
Tempo de Resistir
Em Abril visitei o Forte de Peniche integrada num grupo de gente que tinha muitas histórias para contar relacionadas com o tempo da ditadura fascista, e dos seus tempos de cativeiro. Uns tinham ali estado, outros tinham estado em Caxias, outros tinham estado em ambas! Na altura fiquei muito impressionada com tudo, com o Forte, que apesar de já conhecer, causa sempre um grande impacto, e com os relatos, que me fizeram sentir pequenina diante do passado de resistência daqueles lutadores.
Nunca é demais lembrar o que se passou em Portugal durante o Estado Novo. E hoje, mais do que nunca, assistimos a tentativas de branqueamento do passado. Quer pela tentativa de humanizar o ditador Salazar, quer pelas comparações que vão começando a ser escutadas, aqui e ali, com o governo de Sócrates. Efectivamente estamos perante um governo que governa o mais à direita possível. O descontentamento popular é flagrante.
Todas as classes profissionais são atingidas. Está instalada uma crise social muito complicada de resolver. O custo de vida está cada vez pior. Apesar de tudo isto, não podemos afirmar que se vive hoje como no tempo da ditadura. O valor da coragem e resistência de alguns permitiu que todos os portugueses, hoje em dia, pudessem usufruir da sua liberdade, do seu poder de voto, da sua capacidade de lutar, da possibilidade de, como trabalhadores, estarem organizados, sindicalizados, poderem dizer o que pensam... Acima de tudo, a luta de alguns permitiu abrir as portas a uma nova vida.
Usemos, pois, essa força que nos foi dada. É certo que os tempos não estão fáceis, mas hoje temos, como sempre tivémos, a força de estarmos unidos a lutar, a bater o pé, a dizer: Não Passarão! Hoje, mais do que nunca, temos de defender a liberdade e a democracia.
Amanhã, pode bem ser uma excelente oportunidade! E, que tal?
Vamos tentar?
quinta-feira, 26 de junho de 2008
Ser Mulher
Acabadinho de receber por email...
Como poderão observar, trata-se de um conjunto de frases retiradas de revistas ditas femininas, do tempo da ditadura fascista.
Congratulo-me por já muita coisa estar diferente, nos tempos actuais. Mas há ainda muito a fazer no que toca à dignidade da mulher, e ao seu estatuto na sociedade.
A título humorístico, não posso deixar de dizer que acho uma "pérola" aquela da casa de banho...
Como poderão observar, trata-se de um conjunto de frases retiradas de revistas ditas femininas, do tempo da ditadura fascista.
Congratulo-me por já muita coisa estar diferente, nos tempos actuais. Mas há ainda muito a fazer no que toca à dignidade da mulher, e ao seu estatuto na sociedade.
A título humorístico, não posso deixar de dizer que acho uma "pérola" aquela da casa de banho...
terça-feira, 13 de maio de 2008
A morte saiu à rua...
Dedicado ao artista plástico José Dias Coelho, assassinado a tiro, em 19 de Dezembro de 1961. Nesse dia, pelas oito horas da noite, cinco agentes da PIDE saltaram de um automóvel, na então Rua dos Lusíadas e que hoje tem o seu nome, em Alcântara, perseguiram-no, cercaram-no e dispararam dois tiros. Um tiro à queima-roupa, em pleno peito, deitou-o por terra; o outro foi disparado com ele já no chão. Os assassinos meteram-no num carro e partiram a toda a velocidade. Só duas horas depois, quando estava a expirar, o entregaram no Hospital da CUF. Refira-se que José Dias Coelho foi assassinado por ser comunista e não, como é obvio, por ser artista plástico.
(in My-lyrics.ws)
A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação.
(in My-lyrics.ws)
A morte saiu à rua num dia assim
Naquele lugar sem nome para qualquer fim
Uma gota rubra sobre a calçada cai
E um rio de sangue de um peito aberto sai
O vento que dá nas canas do canavial
E a foice duma ceifeira de Portugal
E o som da bigorna como um clarim do céu
Vão dizendo em toda a parte o Pintor morreu
Teu sangue, Pintor, reclama outra morte igual
Só olho por olho e dente por dente vale
À lei assassina, à morte que te matou
Teu corpo pertence à terra que te abraçou
Aqui te afirmamos dente por dente assim
Que um dia rirá melhor quem rirá por fim
Na curva da estrada há covas feitas no chão
E em todas florirão rosas de uma nação.
sábado, 12 de abril de 2008
Música para o Fim-de-Semana
Hoje fui ver a prisão do Forte de Peniche. Na mesma comitiva seguiam dois ex-presidiários, ou deverei antes dizer, dois presos políticos do tempo da ditadura fascista que Portugal viveu. Presos por serem comunistas. Presos por lutarem pela liberdade.
Foi estranho ouvir contar na primeira pessoa histórias relacionadas com a vida lá dentro, com a forma como eram tratados, como conseguiram fugir... Como disse alguém, "parece ficção", e realmente, até para mim, que tinha o cenário e os actores à minha frente me pareceu um argumento de um filme. Mas não. Aconteceu mesmo.
Arrepiei-me várias vezes. Emocionei-me. E mais tarde, passadas umas horas, ainda me sentia estranha por dentro.
Entretanto ouvi falar em Violeta Parra, e escolhi um dos mais lindos temas dela para aqui colocar como proposta de audição para este fim-de-semana. Por um lado, é, efectivamente, uma canção muito bonita, muito bem interpretada nesta versão (pela voz de Mercedes Sosa), por outro lado, após uma visita destas, fico cismada a pensar o que teria sido a minha vida, se não tivesse nascido em 1975, mas vinte anos antes...
"Gracias a la vida..."
Foi estranho ouvir contar na primeira pessoa histórias relacionadas com a vida lá dentro, com a forma como eram tratados, como conseguiram fugir... Como disse alguém, "parece ficção", e realmente, até para mim, que tinha o cenário e os actores à minha frente me pareceu um argumento de um filme. Mas não. Aconteceu mesmo.
Arrepiei-me várias vezes. Emocionei-me. E mais tarde, passadas umas horas, ainda me sentia estranha por dentro.
Entretanto ouvi falar em Violeta Parra, e escolhi um dos mais lindos temas dela para aqui colocar como proposta de audição para este fim-de-semana. Por um lado, é, efectivamente, uma canção muito bonita, muito bem interpretada nesta versão (pela voz de Mercedes Sosa), por outro lado, após uma visita destas, fico cismada a pensar o que teria sido a minha vida, se não tivesse nascido em 1975, mas vinte anos antes...
"Gracias a la vida..."
sexta-feira, 11 de abril de 2008
O Forte de Peniche
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