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terça-feira, 13 de abril de 2010

Pare, Escute, Olhe

Trailer Cinema "Pare, Escute, Olhe" from Pare, Escute, Olhe on Vimeo.

Jorge Pelicano atreveu-se a fazer um filme sobre o encerramento da Linha do Tua. Para tal, convida-nos a parar, e a observar atentamente quem são os responsáveis pelo atraso e desertificação do interior do país. Responsáveis políticos... pois quem haveria de ser?

E eles ali estão... Cavaco, Sócrates... E o "está quase" do Mexia... em cheio!

Eles sabem ao que andam.

Mas nós sabemos que eles sabem! E eles sabem que nós sabemos...

Por isso é que não nos dão tréguas.


sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ensino Artístico - Vamos lá mexer no que podemos enquanto somos maioria

Hoje (25 de Junho) saiu uma nova regulamentação para o Ensino Artístico.
A nova portaria 691/2009 encontra-se AQUI, em formato pdf, mesmo no final do texto panfletário que o ME divulga, dizendo maravilhas sobre si próprios, e como são bonzinhos, e como agora é que é, que vão existir cursos de música e dança em todo o lado, e que com esta medida o ensino especializado de música e dança vai estar mais acessível, blá, blá...
Para quem está no terreno e conhece em profundidade os problemas que existem neste momento, e que por serem tantos nem sequer consigo fazer aqui um resumo rápido, sabemos perfeitamente estar perante mais uma "operação de marketing" deste Governo, e deste ME. Dentro em breve vão ouvir a ministra Maria de Lurdes Rodrigues falar com aquele seu ar grave e sério sobre a ampliação do número de alunos a estudar neste tipo de ensino, e o sucesso das medidas do seu executivo. O que tem de ser revelado é que a aplicação das novas normas de acesso de alunos ao EAE falhou em toda a linha, tendo acentuado ainda mais a necessidade de uma rede de escolas públicas de Ensino Artístico Especializado, que é inexistente, tendo sido as escolas particulares - e umas mais que outras - a beneficiar com este pseudo-alargamento a novos alunos.
Não se iludam quando ouvirem a ministra. Perguntem-lhe, antes, como vai fazer um pai de uma criança de Penedono, ou de Cinfães, ou de Pinhel, ou de Torre de Moncorvo, ou de Freixo de Espada à Cinta para conseguir colocar o seu filho a estudar numa "escola de referência" (designação para as escolas de ensino regular com as quais os conservatórios e academias estabelecem protocolos), a fim de usufruir do regime articulado, (logo, gratuito), quando residem fora da área onde existem estas escolas - e as distâncias podem ser extensas (40km, 60km, por exemplo)... Que pai deixa um filho com 10 anos ir viver para fora de casa para prosseguir os estudos? Perguntem à ministra, se tiverem a infelicidade de se cruzar com ela, como é que os alunos vão adquirir os instrumentos musicais, se não tem dinheiro para sobreviver? Perguntem-lhe porque é que não foi criada uma verdadeira rede de escolas públicas de EAE... Perguntem-lhe em que escolas do EAE pode um aluno de Beja ir aprender Dança...
Pergunto-me que universidade privada ou empresa terá já um lugar reservado para Maria de Lurdes Rodrigues após a dissolução deste governo....

quarta-feira, 17 de junho de 2009

Momento semanal de humor


Roubado ao blogue Anterozóide.
Sócrates e Vital Moreira bem retratados... eh eh
Mas também... que queriam?
Não podemos ignorar o facto de nas passadas eleições para o Parlamento Europeu o PS ter tido, simplesmente, o pior resultado dos últimos anos, ter perdido muita da sua massa eleitoral e ter tido o pior "erro de casting" como cabeça-de-lista, desde que a roda foi inventada.
E não se desculpem com a abstenção, senhores do PS...
Este é o resultado da má governação socrática, com políticas de direita, que tem arrastado o país para a beira do abismo.
Há que repeti-lo até à exaustão: é preciso mudar de rumo!
(Por este já vimos que vamos mais ou menos a caminho do inferno...)

quarta-feira, 21 de janeiro de 2009

Só uma pergunta... para apreciadores de fotografia


"É em situações extremas que conhecemos as nossas próprias fraquezas.

Apenas uma pergunta em que te é pedido que respondas com sinceridade, para poderes auto-avaliar os teus princípios morais.

Trata-se de uma situação imaginária.
Estás em plena baixa de Lisboa, no meio do caos causado pelas cheias que ocorrem em épocas de chuvas mais intensas. Tens a tua máquina fotográfica, trabalhas para a "Time"e estás a tirar as fotos de maior impacto.

No meio daquela tragédia, vês José Sócrates num carro, lutando desesperadamente para não ser arrastado pela corrente, entre destroços e lodo...
Sócrates acaba por ser arrastado pela corrente e tens a oportunidade de:

1) salvares a vida ao 1º ministro;

2) de tirares a fotografia que te traria fama e muito dinheiro.

Com base nos teus princípios éticos e morais, responde sinceramente:


Tiravas a foto a cores ou a preto e branco?
"


Nota de rodapé: Acabadinha de receber por email, via irmão mais velho. Está muito gira! Olé!

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Isto está a aquecer

É incrível o que se tem passado neste país nos últimos meses em matéria de EDUCAÇÃO.
Os professores manifestam-se. Não são seis ou sete, nem cem nem duzentos. São mais de 80% desta classe profissional que estão contra o modelo de avaliação que o ME quer impingir a todo o custo. A inqualificável Maria de Lurdes Rodrigues continua a dizer que vai levar a avaliação para a frente. Eu tenho que admitir que Sócrates escolheu muito bem a personagem certa para esta difícil pasta. A senhora até é bastante eficaz... para servir os interesses do Governo. O problema é que o ME (logo, este Governo) está contra toda a classe docente (Avaliação, Estatuto da Carreira Docente), contra os alunos (veja-se a parvoíce do novo Estatuto do Aluno), contra o conhecimento (veja-se o ridículo programa Novas Oportunidades).
Felizmente ainda há oposição que desempenha um importante papel de defesa dos professores, que é o mesmo que dizer, defesa da escola pública e democrática. Confirmem AQUI.
(Eu até nem costumo gostar do JN mas, por incrível que pareça, publicaram a notícia, pelo menos on-line.)
Os últimos acontecimentos levam-me a crer que dentro de poucos dias a senhora vai ter de ceder. Caso contrário estará a comprar uma guerra terrível, que só poderá ser ganha por quem tem a razão: professores, alunos, encarregados de educação. Estamos quase no ponto de "não-retorno". A partir daqui só há um resultado possível à vista.
A Luta está a aquecer.


E eu, pela parte que me toca, vou contribuir para que aqueça ainda mais.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Alerta: comunicado de última hora



*Comunicado de última hora*

O Banco Central Europeu e a Organização Mundial de Saúde, revelaram que as notas de 500 euros contêm uma substância altamente cancerígena.
Em comunicado, o Governo de José Sócrates já garantiu que os trabalhadores portugueses estão totalmente fora de perigo!



Recebido por email, ontem. Curioso como continuamos a ter a capacidade de rir da nossa má-sorte.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Professores domesticados? Não, obrigado!

É raro gostar de algum artigo que seja da revista Visão. Mas desta vez, recebi este texto por email, fresquinho.. Confesso que o segundo parágrafo aqui transcrito me fez pensar alto um "Exactamente", e senti vontade de partilhar isto convosco.

“O ambiente das escolas é agora de ansiedade, com a corrida ao cumprimento das centenas de regulamentações que desabam todos os dias do Ministério para os docentes lerem, interpretarem e aplicarem. Uma burocracia inimaginável, que devora as horas dos professores, em aflição constante para a conciliar com uma vida privada cada vez mais residual e mesmo com a preparação das lições, em desnorte com as novas normas (tal professor de filosofia a dar aulas de "baby sitting" em cursos profissionalizantes) - tudo isto sob a ameaça da despromoção e do resultado da avaliação que pode terminar no desemprego (...)

No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes".

In "A domesticação da sociedade", José Gil, Visão, 2/10/2008

E acrescento esta ideia: as "técnicas terríveis de dominação" a que se refere este cronista (nem sei como esta tirada passou na censura...) servem, nada menos nada mais, senão a uma única parte interessada: ao grande Capital. A este interessa, sobretudo, que as pessoas sejam acríticas, "bem comportadinhas", que se sintam intimidadas a fazer greves, manifestações, críticas ao(s) governo(s), etc , e - técnica ainda mais refinada - ensinem pelo exemplo (ou pior ainda, pelas palavras) os nossos estudantes a ter exactamente essa atitude. Domesticados, pois. Para podermos ser explorados até ao tutano.

Mas a luta aí está. Todos os dias. Para desmontar este grande esquema, e impedir que alastre. No que depender de mim, não vai haver domesticação nenhuma! Somos livres. Não voltaremos atrás. Disse.

sábado, 30 de agosto de 2008

Tugolândia's Crime

Encontrei uma excelente reflexão acerca do aumento da criminalidade. Redigida pela mão do Samuel, poderão encontrá-la (a reflexão, não a mão) no seu blogue, O Cantigueiro.
Efectivamente, a meu vêr, são precisamente estas três ideias que me ocorrem, emanadas dos últimos acontecimentos (e não me refiro só aos crimes, refiro-me à esquizofrenia dos mass media em torno deste tema):
1-a criminalidade aumenta em épocas de maior crise, a História assim o indica, e é isso que está a acontecer. (Não é de espantar: a miséria aumenta, a fome aumenta, logo, o desespero aumenta. Se estivéssemos nas mesmas condições de alguns destes desgraçados, sem pão para dar aos filhos, talvez não tivéssemos a mesma perspectiva que temos neste momento, já jantados, bem instalados, e com um computador à frente);
2-a provocar esta crise está todo um sistema neo-liberal implantado quer no plano nacional, devido às políticas de direita de Sócrates, quer no plano internacional, com a especulação em torno dos combustíveis a provocar o caos planetário, guerras estratégicamente criadas por causa de eleições nos EUA, crise dos cereais, etc, etc;
3- em Portugal, tal como tem acontecido noutros países, está a ser feito um aproveitamento político evidente: para o cidadão ter a necessidade de louvar as medidas de segurança, tem de existir, primeiro, o sentimento de insegurança, e é precisamente isso que estão a conseguir criar no seio da sociedade portuguesa.

Lembro-me muitas vezes da questão das armas, na América, e do excelente documentário de Michael Moore, "Bowling for Columbine", onde a dada altura ele consegue demonstrar que o povo nos EUA vive aterrorizado, comprando compulsivamente armas para se defender, por contraste com os vizinhos canadianos. De cada vez que o Bush desce nas sondagens, lá apanham um video do Bin Laden para passar em horário nobre, principalmente nos EUA e na Europa.
Quantos de nós não vimos aumentados os nossos seguros, do automóvel ou da casa, com direito a uma cartinha enviada pela seguradora, depois dos ataques terroristas às torres gémeas do World Trade Center...

Em suma, o terrorismo foi um bom argumento para criar toda uma série de "sistemas de segurança", que permitem saber demais sobre a vida das pessoas... Tal como agora o são os assalto em Alcabideche, Campolide, Loulé, Boliqueime, Famalicão, etc, etc..., que permitirão a este Governo, com uma ajudinha da imprensa, demonstrar aos portugueses com é "útil" ao país, como está a governar bem, a proteger as pessoas, e, já agora, "votem lá outra vez em nós e esqueçam que fomos nós, com o nosso novo Código do Trabalho, com os nossos cortes na Saúde e Educação, com a nossa corrupção, com o nosso apoio incondicional ao grande capital... que fizémos com que vocês chegassem a essa situação"...

quinta-feira, 17 de julho de 2008

Robin dos Bosques (ou "Roubam nos postos")???


Para quem acha que os partidos políticos são todos iguais, vão lêr esta notícia da RTP ao seu sítio da internet.
Vão encontrar uma notícia sobre a taxa Robin dos Bosques, o seu impacto na economia, e a força de quem sabe fazer oposição!
E, já agora, quem acha que anda a ser roubado nos postos de gasolina também pode lêr.
É fácil e é barato (só não dá milhões).

terça-feira, 15 de julho de 2008

Televisão, esse invento maravilhoso...


Não tenho visto televisão! E... sim, estou viva. Consegui sobreviver.
Da última vez que a liguei foi tal a onda de impropérios e palavras em vernáculo que me ocorreram ao pensamento (em voz alta não pode ser, tenho de pensar nos vizinhos...), que agora pú-la de castigo e ela ficou assim...
Não é fuga à realidade, até porque eu sei que ela existe... É pura falta de vontade de ouvir mentiras e mais mentiras, umas atrás das outras.

sexta-feira, 11 de julho de 2008

A verdade é como o azeite


Há muita gente que, quando ouve as notícias não faz o exercício de pensar pela sua própria cabeça. Resultado: assimila toda a informação que lhe é passada exactamente da maneira como alguém (será um ser supremo?) quer que a informação seja entendida.
Se somarmos a isto a forma despudorada como os detentores dos orgãos de comunicação social - fiéis servidores do Capital e das ideias neo-liberais - se comportam... então o cenário é exactamente o retrato real de Portugal neste ano de 2008. Eu diria até que o cenário... é catastrófico!
Querem que a malta ache que o futebol é importante (para alienar as massas)...'Bora fazer horas e horas de transmissões de jogos, análises, comentários, notícias de abertura de telejornal, telenovelas sobre compra e venda de jogadores, etc. Querem que a malte ache que a Manuela Ferreira Leite é a única alternativa ao Sócrates (que é para não repararem noutras forças políticas, como o PCP, por exemplo)... 'Bora fazer todos os dias dezenas de entrevistas, comentários, análises políticas, seguir a mulher para todo o lado... Querem que a malta pense que a Colômbia e seu presidente Uribe são os heróis por Ingrid Betancourt ter sido libertada às Farc...'Bora dizer mentiras sobre as Farc, ignorar factos, esconder as atrocidades cometidas por Uribe e as suas forças militares, como por exemplo o rapto de Guillermo Rivera Fúquene (de que nos dá conta o Tempo das Cerejas)
E é certo que toda esta estratégia atinge o seu objectivo. Ainda que parcialmente. Há para aí uns teimosos que não se deixam enganar...
Eu, por mim, mantenho a convicção que a verdade é como o azeite: vem sempre acima, por isso, acredito que nalgum dia deste futuro que nos aguarda os portugueses vão dizer: BASTA!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Haja estômago para ser português

Sócrates anda entusiasmado com a sua própria obra. O nome mais correcto para este indivíduo seria Narciso, dado o seu gosto pela sua própria pessoa. O Primeiro-Ministro deste país acha que tudo vai de vento em popa, por cá.
Mas na verdade, Sócrates vive numa realidade à parte de todos os outros portugueses.
Este não é o país do desenvolvimento: é o país das assimetrias entre interior e litoral, entre norte e sul;
Este não é o país das novas oportunidades: é o país do desemprego a aumentar;
Este não é o país do simplex: é o país da burocracia, do mete-medo-ao-contribuinte;
este não é o país da segurança: é o país da instabilidade laboral, da vassalagem a novos códigos de trabalho que vão afundar mais na lama quem já está com a lama pelo pescoço;
Este não é o país do Berardo: é o país do Parque Arqueológico de Foz Côa que não tem orçamento para fotocópias a cores;
Este não é o país da Justiça: é o país que vê morrer um polícia em trabalho, quando a moto onde circulava se parte a meio por ser velha, sem que ninguém se tenha ainda preocupado em indemnizar a viúva e os seus filhos menores.

Este é o país do Sócrates.
Não é o país que queremos.

sexta-feira, 27 de junho de 2008

Tempo de Resistir


Em Abril visitei o Forte de Peniche integrada num grupo de gente que tinha muitas histórias para contar relacionadas com o tempo da ditadura fascista, e dos seus tempos de cativeiro. Uns tinham ali estado, outros tinham estado em Caxias, outros tinham estado em ambas! Na altura fiquei muito impressionada com tudo, com o Forte, que apesar de já conhecer, causa sempre um grande impacto, e com os relatos, que me fizeram sentir pequenina diante do passado de resistência daqueles lutadores.

Nunca é demais lembrar o que se passou em Portugal durante o Estado Novo. E hoje, mais do que nunca, assistimos a tentativas de branqueamento do passado. Quer pela tentativa de humanizar o ditador Salazar, quer pelas comparações que vão começando a ser escutadas, aqui e ali, com o governo de Sócrates. Efectivamente estamos perante um governo que governa o mais à direita possível. O descontentamento popular é flagrante.
Todas as classes profissionais são atingidas. Está instalada uma crise social muito complicada de resolver. O custo de vida está cada vez pior. Apesar de tudo isto, não podemos afirmar que se vive hoje como no tempo da ditadura. O valor da coragem e resistência de alguns permitiu que todos os portugueses, hoje em dia, pudessem usufruir da sua liberdade, do seu poder de voto, da sua capacidade de lutar, da possibilidade de, como trabalhadores, estarem organizados, sindicalizados, poderem dizer o que pensam... Acima de tudo, a luta de alguns permitiu abrir as portas a uma nova vida.
Usemos, pois, essa força que nos foi dada. É certo que os tempos não estão fáceis, mas hoje temos, como sempre tivémos, a força de estarmos unidos a lutar, a bater o pé, a dizer: Não Passarão! Hoje, mais do que nunca, temos de defender a liberdade e a democracia.
Amanhã, pode bem ser uma excelente oportunidade! E, que tal?
Vamos tentar?

segunda-feira, 23 de junho de 2008

É por isso que não vejo televisão!

É cada vez mais raro ligar a televisão cá em casa.
Só tenho uma, velhinha, que custou 30 contos (é do tempo dos contos!), comprada por impulso numa superfície comercial que existia na Covilhã. (E eu nem sequer morava na Covilhã... Foi mesmo por impulso! )
Seja como fôr, ligamo-nos à "rede" e o que vem à rede... já não é peixe. É um chorrilho de notícias que fazem tudo menos informar quem quer saber o que se passa. Creio mesmo que são todo um conjunto de notícias escolhidas criteriosamente para ocultar a realidade, e manter desinformados os portugueses acerca de tudo o que realmente interessa.
Ele é a Manuela Ferreira Leite que é a nova líder do PSD (fait-divers);
Ele é o Vale e Azevedo com vida de luxo em Londres (fait-divers);
Ele é o Mário Soares que apela ao diálogo inter-religioso para evitar guerra de civilizações (mais fait-divers);
Tudo vale, menos falar do que é verdadeiramente grave para os trabalhadores...
Minto. Num cantinho, lá vem uma imagem deste senhor, muito... digamos... irritado com qualquer coisa, a dizer que o dossier sobre o novo Código do Trabalho tem que ficar encerrado "já amanhã". Antes de irmos para férias. É assim, sem tirar nem pôr.

Aquilo que vai ter mais influência no futuro dos trabalhadores portugueses, aquilo que vai ditar a sua qualidade de vida, e dos seus filhos, e aquilo que pode estar na base de um agravar da já profunda crise social instalada, é dito num cantinho da página, em meia dúzia de linhas (contei-as, afinal são oito linhas)... E Vieira da Silva não tem vergonha quando se olha ao espelho?
Com direito a mais duas, totalizando dez linhas, aparece a fabulosa notícia: "O desemprego teve um aumento de 2,1% desde Abril". Ora aí está. O devido tratamento para uma notícia deste calibre.
O facto do desemprego aumentar não é importante para a imprensa portuguesa.
O importante é que o Mário Soares é o novo líder do PSD, a Manuela Ferreira Leite tem uma vida de luxo em Londres e o Vale e Azevedo apela ao diálogo inter-religioso para evitar guerra de civilizações.
Ou lá o que eles fazem...

sábado, 21 de junho de 2008

Coisas em que vou pensando...

Acabaram-se as aulas! Começaram os exames, reuniões, preparação do próximo ano, etc, etc...
Apesar do muito cansaço e da falta de tempo para tudo, ainda me restam uns pequeninos minutos para vir cá desejar a todos os visitantes um bom fim de semana.
E antes de me ir embora partilho convosco estas ideias que me atravessam o espírito, de vez em quando. Então, agora que o Euro já pertence ao passado, pode ser que os portugueses comecem a fazer uso do cérebro com que a natureza os dotou. Sócrates anda preocupado: terá de, rapidamente, arranjar um placebo para dar ao povo, para que este continue alienado... Uma nova cimeira em Lisboa para tratar do Tratado 2, o regresso? Um jogo de futebol de salão com os membros do Governo? Uma nova aparição em Fátima?

Deixo-vos com as palavras de Brecht, que, como sempre, sabia o que dizia...


"O Vosso tanque General, é um carro forte"


Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar





sexta-feira, 13 de junho de 2008

É a democracia, estúpido!


No momento em que escrevo ainda não é confirmada mas é já dada como certa a vitória do "NÃO" no referendo ao Tratado de Lisboa, realizado na Irlanda, como manda a constituição daquele país.
A comunicação social apressa-se a dizer que é uma crise para a Europa, etc, e tal, colocando-se claramente ao lado daqueles que preferiam outro resultado.
Além de ser eticamente incorrecto os jornalistas darem a notícia sem a isenção a que deveriam ser obrigados, além das estações de televisão contratarem pseudo-analistas que vão explicar aos comuns mortais a grande desgraça que aconteceu, com discursos do género "vejam lá, estes irlandeses estúpidos, inviabilizaram o Tratado de Lisboa.. Chatice. E agora, como é que vai ser?", além de nos estarem a tentar impingir a ideia de que este resultado é um "grande problema", além de tudo isto temos de suportar a mentira descarada, a arrogância e a impunidade com que se fala da soberania dos povos europeus.
Ainda ninguém com responsabilidade teve a coragem de dizer: "É a democracia. Foi a vontade do povo e deve ser respeitada". Luís Amado, em declarações proferidas na Sic Notícias, enfatizou a enorme crise despoletada por este "Não".
Para este Governo, para Sócrates, para Durão Barroso, para os tais líderes europeus, mas sobretudo para o grande capital, a democracia só dá jeito quando serve os seus interesses, de exploração, de estrangulamento das pessoas.
Em todos os países o Tratado de Lisboa foi ratificado, à revelia das populações, sem referendar o que quer que fosse. Não quiseram correr riscos depois dos chumbos à Constituição Europeia, na França e na Holanda. Inventaram uma forma de, por decreto, instalarem novas formas de exploração, mais instabilidade laboral para os trabalhadores, mais assimetrias sociais. No entanto, sendo obrigados a respeitar a constituição irlandesa, lá tiveram que "ceder", e levar o Tratado de Lisboa a referendo. Mas com esta vitória do "Não" terão de encontrar um novo caminho. É caso para dizer "é a democracia, estúpido". Agora não vos dá jeito?!

A luta dos povos vai continuar. E o único caminho que resta à Europa é, sem dúvida, mudar de rumo!

sexta-feira, 16 de maio de 2008

Terrorista no avião...

Este cartoon foi roubado ao Anterozóide.
Comentário lido por lá: "Para que é o paraquedas? :-)
Subscrevo.

sexta-feira, 9 de maio de 2008

Moção de Censura 2: A arte da fuga (dos deputados)



Diz quem viu que a discussão hoje na AR foi quente.
O PCP apresentou uma Moção de Censura ao Governo de Sócrates.
Mas... palavras para quê? Que poderíamos nós esperar dos deputados do PS, do PSD e do CDS? Uns votaram contra, e os outros abstiveram-se.
Isto é que é coragem...

Questiono-me onde estava o Manuel Alegre quando a votação foi feita... É que, depois, vêem dizer que ele enfrenta o Sócrates, e mais não sei quê... Afinal, na hora da verdade.... Vota contra a moção. Tudo menos dar razão aos comunistas...

Questiono-me porque é que a tal "oposição" (que grande treta) que é exercida pelo PSD não se fez ouvir... Então no momento em que podiam dizer claramente, através do seu voto favorável a esta moção, que fazem oposição, sem aspas, ao Governo... então nesse momento abstêem-se?

Esta postura ridícula a vários níveis revela ao que vão os deputados eleitos pelos partidos que citei. Vão para lá para defender políticas de direita que servem os interesses do grande capital. PS e PSD são, no fundo, duas faces da mesma moeda. E é nestes momentos que temos a confirmação desta realidade, se ela ainda não fosse certa. Para mim, já há muito que o é.

Por isso que não fico surpreendida. A notícia da RTP, que podem ver AQUI, revela mais alguns pormenores que poderão interessar. E por outro lado, também é engraçado perceber o quão controlada está a RTP.
Será a auto-censura de que falávamos há tempos?

Em resumo, o PCP esteve ao seu mais alto nível. Parabéns pela moção, independentemente do resultado alcançado na AR.
E obrigada porque com ela também me defenderam a mim, defenderam todos nós.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Direita Portuguesa


Hoje liguei o rádio e, pimba. Lá levo com as considerações idiotas do Júdice, numa rádio pública (eu estou a pagar para ouvir parvoíces?): que o PSD não tem líder, que a direita está desorientada, que a maioria absoluta do PS não deixa o PSD ocupar o seu espaço de sempre no espectro político português, blá, blá, blá.
É espantoso verificar a falta de coragem deste e de muitos outros comentadores de serviço para dizer aquilo que é verdade, e que já quase todos os portugueses perceberam: que o problema é a governação à direita levada a cabo por este Partido (que se diz) Socialista. A propósito da desistência de Luís Filipe Meneses, estou plenamente de acordo com o que foi escrito no blogue Cravo de Abril, e passo a citar:
"Na verdade, o governo PS/Sócrates tem levado tão longe a política de direita comum ao PS e ao PSD, que não deixa qualquer espaço de manobra a qualquer candidato à execução dessa mesma política. E seja quem for o substituto de Menezes, irá confrontar-se com idênticos obstáculos. É que já não há folclore alternante que pegue..."

Posto isto, pergunto-me até quando se vai ignorar a verdade? Até quando vão os portugueses assobiar para o lado?
A oposição às políticas de direita do Sócrates existe, caramba.
É feita pelo Partido Comunista Português. Mas até quando esta verdade vai ser escondida, abafada?

quarta-feira, 9 de abril de 2008

Acho graça



Vi há bocado uma notícia, disponível no site da RTP, que dizia:

"Venezuela: Nacionalizada a maior empresa de aço do país"

Caracas, 09 Abr (Lusa) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou, hoje, a nacionalização da Ternium-Sidor (Siderúrgica do Orinoco), a maior empresa de aço do país, propriedade do grupo italo-argentino Techint, anunciou o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizales.

Em Portugal, há para aí um primeiro-ministro que afirma "à-boca-cheia" que "é urgente fazer reformas em certos sectores", que "as coisas como estão não podem ficar", blá, blá, blá, etc e tal... E toca de mexer em tudo. Ele é saúde, ele é educação, ele é a justiça; toca de pôr todos os profissionais uns contra os outros, e todos contra os funcionários públicos; toca de disparar em todas as direcções, para atingir, no fim de contas, os mesmos de sempre.
Na verdade o primeiro-ministro não quer mudar absolutamente nada. ("Mudar" no sentido que nós, portugueses, gostaríamos. Mudar, de forma a beneficiar a vida das pessoas). Não. Sua excelência quer é "mudar" de mãos determinados serviços. Quer transformar certos sectores em máquinas de fazer dinheiro, eliminar o que de democrático existir na sua organização, e depois, calma e tranquilamente, entregar tudo ao sector privado, onde se movimentam os seus amigos, e onde, certamente, à semelhança de outros fulanos que passaram por governos anteriores, (como recentemente fez Jorge Coelho), terá um lugarzinho ao sol à sua espera. Parece ser este o destino que o governo quer dar à escola pública, aos hospitais e centros de saúde, às maternidades, aos tribunais. Se não houver uma forte contestação, é isso que, certamente, pode acontecer. Felizmente, a luta está na rua.

Pusesse o senhor engenheiro Sócrates os olhos na Venezuela, onde se fazem reformas a sério, respeitando sempre a vontade soberana e as verdadeiras necessidades do povo venezuelano. Assim sim. Se dúvidas houvesse, basta ler a notícia para percebermos que o governo de Hugo Cháves está nos antípodas da governação socretina. Porque tem coragem para defender os interesses do povo; porque não exige mais sacrifícios aos mesmos, com ar moralista; porque não tem medo de nacionalizar; porque pensa primeiro nos trabalhadores venezuelanos, e não nos patrões...
E podia continuar por aqui adiante a enumerar as imensas diferenças entre uma governação que se diz socialista, em Portugal, com uma governação realmente socialista, na Venezuela. Mas tal como não há comparação entre o cu e as calças, também não há comparação possível entre o Sócrates e Hugo Cháves.