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sábado, 21 de junho de 2008

Coisas em que vou pensando...

Acabaram-se as aulas! Começaram os exames, reuniões, preparação do próximo ano, etc, etc...
Apesar do muito cansaço e da falta de tempo para tudo, ainda me restam uns pequeninos minutos para vir cá desejar a todos os visitantes um bom fim de semana.
E antes de me ir embora partilho convosco estas ideias que me atravessam o espírito, de vez em quando. Então, agora que o Euro já pertence ao passado, pode ser que os portugueses comecem a fazer uso do cérebro com que a natureza os dotou. Sócrates anda preocupado: terá de, rapidamente, arranjar um placebo para dar ao povo, para que este continue alienado... Uma nova cimeira em Lisboa para tratar do Tratado 2, o regresso? Um jogo de futebol de salão com os membros do Governo? Uma nova aparição em Fátima?

Deixo-vos com as palavras de Brecht, que, como sempre, sabia o que dizia...


"O Vosso tanque General, é um carro forte"


Derruba uma floresta esmaga cem
Homens,
Mas tem um defeito
- Precisa de um motorista

O vosso bombardeiro, general
É poderoso:
Voa mais depressa que a tempestade
E transporta mais carga que um elefante
Mas tem um defeito
- Precisa de um piloto.

O homem, meu general, é muito útil:
Sabe voar, e sabe matar
Mas tem um defeito
- Sabe pensar





sexta-feira, 13 de junho de 2008

É a democracia, estúpido!


No momento em que escrevo ainda não é confirmada mas é já dada como certa a vitória do "NÃO" no referendo ao Tratado de Lisboa, realizado na Irlanda, como manda a constituição daquele país.
A comunicação social apressa-se a dizer que é uma crise para a Europa, etc, e tal, colocando-se claramente ao lado daqueles que preferiam outro resultado.
Além de ser eticamente incorrecto os jornalistas darem a notícia sem a isenção a que deveriam ser obrigados, além das estações de televisão contratarem pseudo-analistas que vão explicar aos comuns mortais a grande desgraça que aconteceu, com discursos do género "vejam lá, estes irlandeses estúpidos, inviabilizaram o Tratado de Lisboa.. Chatice. E agora, como é que vai ser?", além de nos estarem a tentar impingir a ideia de que este resultado é um "grande problema", além de tudo isto temos de suportar a mentira descarada, a arrogância e a impunidade com que se fala da soberania dos povos europeus.
Ainda ninguém com responsabilidade teve a coragem de dizer: "É a democracia. Foi a vontade do povo e deve ser respeitada". Luís Amado, em declarações proferidas na Sic Notícias, enfatizou a enorme crise despoletada por este "Não".
Para este Governo, para Sócrates, para Durão Barroso, para os tais líderes europeus, mas sobretudo para o grande capital, a democracia só dá jeito quando serve os seus interesses, de exploração, de estrangulamento das pessoas.
Em todos os países o Tratado de Lisboa foi ratificado, à revelia das populações, sem referendar o que quer que fosse. Não quiseram correr riscos depois dos chumbos à Constituição Europeia, na França e na Holanda. Inventaram uma forma de, por decreto, instalarem novas formas de exploração, mais instabilidade laboral para os trabalhadores, mais assimetrias sociais. No entanto, sendo obrigados a respeitar a constituição irlandesa, lá tiveram que "ceder", e levar o Tratado de Lisboa a referendo. Mas com esta vitória do "Não" terão de encontrar um novo caminho. É caso para dizer "é a democracia, estúpido". Agora não vos dá jeito?!

A luta dos povos vai continuar. E o único caminho que resta à Europa é, sem dúvida, mudar de rumo!

quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tratado Europeu... ma non tropo

A propósito do Tratado de Lisboa já muito foi dito, mas encontrei no editorial do jornal "Associação" (jornal da APD - Associação Portuguesa de Deficientes) algumas ideias de uma rara clareza face aos factos. Aqui vai, pois, a transcrição na íntegra desse mesmo editorial. O texto é escrito por um cego, parece, no entanto, que a sua visão alcança mais longe que a de muitas outras pessoas, dotadas da capacidade de ver. É que.... há cegos e há ceguinhos. E uma grande porcentagem de portugueses pertence à segunda categoria. Voltemos ao Tratado, só para reforçar o óbvio: subscrevo inteiramente este editorial intitulado "Vamos a Votos", de António Matos Almeida. (Os mais interessados podem ir a http://apd.org.pt)

"Ao mesmo tempo que o povo português encontra cada vez mais dificuldades para sobreviver, no momento em que os cidadãos deste país na parte mais ocidental da Europa sentem que a saúde, o trabalho, a educação e outros direitos fundamentais começam a ficar cada vez mais longe, os responsáveis de Portugal não olham a despesas para realizar cimeiras e acolher tratados de interesse nacional mais que duvidoso.
Ao mesmo tempo que num país da América Latina, a Venezuela, um Presidente eleito e sujeito a outros testes eleitorais, apesar de ser apelidado de “tirano” pelos “democráticos” comentadores “políticos” da Europa, apresentou a referendo ao seu povo uma reforma constitucional, os governantes do Velho Continente tudo fazem para que neste continente um “Tratado” que implica a perda de soberania dos respectivos países entre em vigor sem ouvir os povos europeus. Com a afirmação da representatividade dos seus governos o que se pretende é fazer reformas que impõem um novo estilo de vida sem que os povos possam dizer qulquer coisa a este respeito. No entanto, o mais grave é que a negação de qualquer referendo tem por base o receio indisfarçado do voto popular ser contrário às intenções dos “democratas” europeus.
Sentimos e ouvimos catedráticos que a seguir ao 25 de Abril de 1974 eram tão revolucionários a chamarem a si argumentos que já não se ouviam desde o tempo de Salazar. Então não é verdade que se afirmava que o povo português não estava preparado para a democracia e para votar, tal como agora tais catedráticos afirmam que o “Tratado de Lisboa” é complexo demais para que o povo o possa compreender e referendar?!... Então será que os Portugueses serão mais estúpidos que os povos Venezuelanos?!...
Nós os portugueses, que temos sido tão maltratados pelos que nos últimos tempos têm tido o poder, nós, as pessoas com deficiência que temos sido consideradas privilegiadas queremos ser ouvidas. Vamos a votos!..."