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sexta-feira, 26 de junho de 2009

Ensino Artístico - Vamos lá mexer no que podemos enquanto somos maioria

Hoje (25 de Junho) saiu uma nova regulamentação para o Ensino Artístico.
A nova portaria 691/2009 encontra-se AQUI, em formato pdf, mesmo no final do texto panfletário que o ME divulga, dizendo maravilhas sobre si próprios, e como são bonzinhos, e como agora é que é, que vão existir cursos de música e dança em todo o lado, e que com esta medida o ensino especializado de música e dança vai estar mais acessível, blá, blá...
Para quem está no terreno e conhece em profundidade os problemas que existem neste momento, e que por serem tantos nem sequer consigo fazer aqui um resumo rápido, sabemos perfeitamente estar perante mais uma "operação de marketing" deste Governo, e deste ME. Dentro em breve vão ouvir a ministra Maria de Lurdes Rodrigues falar com aquele seu ar grave e sério sobre a ampliação do número de alunos a estudar neste tipo de ensino, e o sucesso das medidas do seu executivo. O que tem de ser revelado é que a aplicação das novas normas de acesso de alunos ao EAE falhou em toda a linha, tendo acentuado ainda mais a necessidade de uma rede de escolas públicas de Ensino Artístico Especializado, que é inexistente, tendo sido as escolas particulares - e umas mais que outras - a beneficiar com este pseudo-alargamento a novos alunos.
Não se iludam quando ouvirem a ministra. Perguntem-lhe, antes, como vai fazer um pai de uma criança de Penedono, ou de Cinfães, ou de Pinhel, ou de Torre de Moncorvo, ou de Freixo de Espada à Cinta para conseguir colocar o seu filho a estudar numa "escola de referência" (designação para as escolas de ensino regular com as quais os conservatórios e academias estabelecem protocolos), a fim de usufruir do regime articulado, (logo, gratuito), quando residem fora da área onde existem estas escolas - e as distâncias podem ser extensas (40km, 60km, por exemplo)... Que pai deixa um filho com 10 anos ir viver para fora de casa para prosseguir os estudos? Perguntem à ministra, se tiverem a infelicidade de se cruzar com ela, como é que os alunos vão adquirir os instrumentos musicais, se não tem dinheiro para sobreviver? Perguntem-lhe porque é que não foi criada uma verdadeira rede de escolas públicas de EAE... Perguntem-lhe em que escolas do EAE pode um aluno de Beja ir aprender Dança...
Pergunto-me que universidade privada ou empresa terá já um lugar reservado para Maria de Lurdes Rodrigues após a dissolução deste governo....

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Greve de Professores



91% de Adesão em todo o país!
Palavras para quê?
Enquanto a intransigência, a arrogância e o cinismo que caracterizam este Ministério da Educação se fizerem sentir, voltamos a erguer bem alto a nossa voz, as vezes que forem precisas, para gritar:
"É preciso, é urgente, uma política diferente".

Ver esta sala de aula vazia leva-me a pensar que:
Sem professores não há escola.
Sem escola não há futuro.
Não acham?

quinta-feira, 20 de novembro de 2008

Isto está a aquecer

É incrível o que se tem passado neste país nos últimos meses em matéria de EDUCAÇÃO.
Os professores manifestam-se. Não são seis ou sete, nem cem nem duzentos. São mais de 80% desta classe profissional que estão contra o modelo de avaliação que o ME quer impingir a todo o custo. A inqualificável Maria de Lurdes Rodrigues continua a dizer que vai levar a avaliação para a frente. Eu tenho que admitir que Sócrates escolheu muito bem a personagem certa para esta difícil pasta. A senhora até é bastante eficaz... para servir os interesses do Governo. O problema é que o ME (logo, este Governo) está contra toda a classe docente (Avaliação, Estatuto da Carreira Docente), contra os alunos (veja-se a parvoíce do novo Estatuto do Aluno), contra o conhecimento (veja-se o ridículo programa Novas Oportunidades).
Felizmente ainda há oposição que desempenha um importante papel de defesa dos professores, que é o mesmo que dizer, defesa da escola pública e democrática. Confirmem AQUI.
(Eu até nem costumo gostar do JN mas, por incrível que pareça, publicaram a notícia, pelo menos on-line.)
Os últimos acontecimentos levam-me a crer que dentro de poucos dias a senhora vai ter de ceder. Caso contrário estará a comprar uma guerra terrível, que só poderá ser ganha por quem tem a razão: professores, alunos, encarregados de educação. Estamos quase no ponto de "não-retorno". A partir daqui só há um resultado possível à vista.
A Luta está a aquecer.


E eu, pela parte que me toca, vou contribuir para que aqueça ainda mais.

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Professores domesticados? Não, obrigado!

É raro gostar de algum artigo que seja da revista Visão. Mas desta vez, recebi este texto por email, fresquinho.. Confesso que o segundo parágrafo aqui transcrito me fez pensar alto um "Exactamente", e senti vontade de partilhar isto convosco.

“O ambiente das escolas é agora de ansiedade, com a corrida ao cumprimento das centenas de regulamentações que desabam todos os dias do Ministério para os docentes lerem, interpretarem e aplicarem. Uma burocracia inimaginável, que devora as horas dos professores, em aflição constante para a conciliar com uma vida privada cada vez mais residual e mesmo com a preparação das lições, em desnorte com as novas normas (tal professor de filosofia a dar aulas de "baby sitting" em cursos profissionalizantes) - tudo isto sob a ameaça da despromoção e do resultado da avaliação que pode terminar no desemprego (...)

No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes".

In "A domesticação da sociedade", José Gil, Visão, 2/10/2008

E acrescento esta ideia: as "técnicas terríveis de dominação" a que se refere este cronista (nem sei como esta tirada passou na censura...) servem, nada menos nada mais, senão a uma única parte interessada: ao grande Capital. A este interessa, sobretudo, que as pessoas sejam acríticas, "bem comportadinhas", que se sintam intimidadas a fazer greves, manifestações, críticas ao(s) governo(s), etc , e - técnica ainda mais refinada - ensinem pelo exemplo (ou pior ainda, pelas palavras) os nossos estudantes a ter exactamente essa atitude. Domesticados, pois. Para podermos ser explorados até ao tutano.

Mas a luta aí está. Todos os dias. Para desmontar este grande esquema, e impedir que alastre. No que depender de mim, não vai haver domesticação nenhuma! Somos livres. Não voltaremos atrás. Disse.

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Novo Ano Lectivo(2)


É o caos absoluto.
Este novo início de ano lectivo tem-me tirado muitas horas de sono, e por isso, não tem sido fácil visitar os meus "amigos de infância" (como diz o Samuel) da blogosfera.
A senhora ministra Maria de Lurdes Rodrigues rejubila de contente com a abertura do ano lectivo, entrega "Magalhães" (é mesmo assim que se chamam os computadores??) a torto e a direito, e, pela parte que me toca, acho imensa piada à obrigatoriedade que agora foi posta em prática de aplicação da portaria 1550/2002. Refiro-me a uma legislação (que até nem é má, mas nem sequer foi ideia deste Governo) que regulamenta o regime de frequência "Articulado" nas escolas de Ensino Artístico Especializado (EAE), vulgarmente conhecidas como "academias" ou "conservatórios".
A ministra vai gabar-se em breve, talvez já agora, no próximo dia 1 de Outubro, de que conseguiu pôr mais gente a estudar neste tipo de ensino.
Pois quero preveni-los do seguinte:

1) a srª ministra quis pôr em marcha, com a força de uma legislação, um sistema abrangente de acesso ao EAE. Mas beneficiou, principalmente, as escolas particulares, que, afirma estão a realizar um "serviço público". Reparem que não criou escolas públicas! Já vi este filme antes. Lembram-se dos hospitais públicos com gestão privada? Foi um favorzinho que fez a potenciais interessados em "comprar" o EAE em Portugal. O futuro demonstrará quem são, porque, não tenham dúvidas, se esta marcha não fôr interrompida, também esta área será (se é que ainda não foi) tomada de assalto por grandes grupos económicos. Repito: o futuro o dirá!
2) as escolas e os conservatórios não estavam preparados para as "negociações", ou "articulações" necessárias. É um erro pensar que isto foi pacífico, no terreno. Não foi.
Os horários não foram preparados para o currículo do aluno em articulado, os alunos não foram esclarecidos, alguns pais não fazem ideia do que estão a escolher para o futuro dos seus filhos, e tenho sérias dúvidas que metade destes alunos consigam comprar instrumentos musicais. Pois é. A ministra não se lembrou que este problema iria acontecer... Um colega dizia-me no outro dia que esteve numa reunião de pais onde estiveram presentes pessoas que tinham caminhado 4km (a pé) para estar na reunião, à noite. Quando se falou na necessidade de comprar um instrumento musical... levantaram-se e foram-se embora. Quem quase não tem dinheiro para comer não consegue pôr um filho a estudar música. Não foram criados quaisquer tipos de apoios para a aquisição de instrumentos. Quem sabe se uns "Magalhães" a menos...
3)vai haver sempre gente interessada em "mostrar serviço". Alguns tem cartão rosa e não vão querer ficar mal na fotografia. Talvez já a pensar no cargo que poderão vir a ter no futuro, numa qualquer Direcção Regional de Educação, ou como gestores escolares. Outros vão dizer que isto está tudo errado, mas pelas piores razões: porque consideram que este tipo de ensino é para uma elite, e assim se deve conservar, colocando de parte os filhos dos operários, empregadas domésticas, chineses, ucranianos e ciganos (principalmente estes três últimos).
4) Também vai haver quem, mesmo sabendo que estas directrizes levam água no bico e acarretam (ainda mais) problemas a este sector de ensino, vá lutar por esta coisa da "democratização" do ensino artístico especializado, e até arrisco dizer que se alguma coisa funcionar, este ano, dever-se-á, fundamentalmente, à capacidade de trabalho dos professores e ao "amor à camisola" que estes têm pelo ensino artístico.
De outra forma, não estou a ver...

sábado, 13 de setembro de 2008

Novo Ano Lectivo

As escolas estão, por estes dias, a iniciar o novo ano lectivo.
Fui a várias do ensino regular, por estes dias, por necessidade de articulação entre estas e as escolas de ensino especializado de música.
Em todas me deparei com o cenário dantesco de professores por colocar, horários feitos à pressão para garantir a abertura do ano escolar, mas que vão dar montes de problemas e para a semana já foram todos alterados, alunos e pais descontentes com transportes, conselhos executivos com dores de cabeça por tudo e mais alguma coisa, alunos com necessidades educativas especiais que não são correctamente encaixados nas turmas, crianças problemáticas sem possibilidade de terem apoio psicológico na escola, falta de recursos humanos e materiais, sub-financiamento em geral, escolas fechadas por autarquias mas com professores colocados, e alunos à espera de ter aulas, directrizes do ME oriundos de gente de gabinete, que são tudo menos realistas, não conhecem a realidade.
Mas depois...
Veio aquela senhora dizer que "está tudo bem neste novo início de ano lectivo"...
Precisará de óculos ou é mesmo estúpida?
A quem pensa que engana?
Não há pachorra para mais mentiras deste Governo.

terça-feira, 8 de julho de 2008

Ensino Artístico pela... quinquagésima vez (e acho que não é a última)

Não tenho a capacidade de adivinhar o futuro, mas confesso que se não fosse pela capacidade de acreditar nas pessoas, e na mudança, ser-me-ía muito difícil continuar ligada ao meu ramo profissional. Felizmente vou tendo a sorte de conhecer bons alunos, que nem sempre são os melhores alunos no sentido musical do termo, mas outras vezes são.
Também vou tendo a sorte de conhecer bons colegas de trabalho, bons músicos, boas pessoas. Vou tendo a sorte de me serem dadas condições para desenvolver os projectos profissionais em que me envolvo.
Mas este ano tudo está a mudar. As escolas de ensino artístico especializado (EAE) preparam o próximo ano lectivo. As directrizes por parte do Ministério da Educação são, este ano, diferentes dos anos anteriores. E, à semelhança do que acontece noutras áreas, quando este Governo mexe em algo é com o objectivo claro de preparar o "bolo" para entregar aos privados. Não é à toa que Valter Lemos aparece num jornal da AEEP a enfatisar as virtudes do ensino Particular e Cooperativo, assim como o ensino profissional, afirmando que as escolas do EPC fazem serviço "público"...
Aí está o novo subterfúgio: fazer serviço público com oferta de uma rede de escolas privadas!
Este Governo inventou a pólvora!
Face às alterações previstas quer nos currículos, quer na estruturação do ensino especializado de música, quer no financiamento deste, levantam-se, neste momento, algumas dúvidas:
1- Porquê realizar a reestruturação ou redefinição da rede de escolas de EAE a partir do que existia? Porque não conceber novas escolas públicas que fizessem uma cobertura lógica, democrática, homogénea de todo o território português, ou criando escolas de raiz, ou nacionalizando escolas privadas com trabalho feito?
2- O financiamento previsto fará justiça às reais necessidades dos alunos e professores nos devidos cursos (básico e complementar), nos respectivos regimes de frequência? É que um aluno com 3 disciplinas no básico gasta menos que um aluno do complementar, porque este último tem 7 disciplinas...
3- Implementa-se o (já existente) regime articulado, mas... quem sensibiliza as escolas do ensino regular para a criação de turmas dedicadas, ie, turmas só com alunos do conservatório? Quem se responsabiliza por transportar os alunos aos conservatórios? A articulação é deixada ao sabor de cada escola, de cada agrupamento, de cada autarquia...

E, posto isto, preocupa-me o seguinte: de acordo com as novas directrizes, mesmo os alunos em regime supletivo (que andam desfazados na escola do ensino regular e não em simultâneo, como os de articulado), terão de ter algum paralelismo com os anos de frequência na escola. Isto fará com que uma criança que queira aprender música aos 14 anos já não o possa fazer, a não ser que pague muito, mas mesmo assim não obterá paralelismo entre um 1º grau no EAE e um 8º ano, por exemplo.
Portanto... Ou os putos decidem que querem estudar música até aos 12 anos, ou então... ficam fora do sistema. Ponto Final.

Que futuro vem aí?

sexta-feira, 20 de junho de 2008

Posição da Fenprof sobre reforma do Ensino Artístico

Foi tornada pública, hoje, a posição da Fenprof relativamente à reforma do ensino artístico que este ME teima em levar para a frente, já a partir de Setembro, com objectivos muito claros de, de forma cirúrgica e muito em breve, condenar ao encerramento algumas das escolas existentes, e tornar cada vez mais elitista a frequência deste tipo de ensino. Sobre as novas regras ainda não se sabe tudo preto no branco... vai-se falando, vai-se ouvindo dizer... O certo é que o ME escolheu menos de meia dúzia de escolas para pseudo-dialogar (haverá por lá cartões rosa?...). E sem qualquer pudor, prepara-se para fazer tábua-rasa do sistema existente, preparando-se para uma entrega deste tipo de ensino a grupos económicos interessados... Até já se sabe de uma "compra" de uma escola numa cidade que fica entre Guarda e Castelo Branco, ocorrida há um ano ou dois atrás, por um senhor com muito capital.. Será que ele já sabia de algo?

Este comunicado da Fenprof está excelente. Só peca por não ter saído mais cedo. Mas saiu. E chama os bois pelos nomes!


Política do ME condena, a prazo, o ensino artístico especializado em Portugal
O Ensino Artístico Especializado (EAE) tem vindo a ser, ao longo do presente ano lectivo, objecto de intervenção governativa. Nas palavras dos mais altos responsáveis do Ministério da Educação tratar-se-á de expandir as condições de acesso ao ensino artístico. No entanto, é de todo, e de todos, desconhecida a forma como o Estado irá mobilizar recursos financeiros e organizativos na operacionalização, no âmbito da Escola Pública, de tal intenção.

A posição da FENPROF, de defesa intransigente da escola pública é, também no que respeita a esta modalidade de ensino, amplamente conhecida. Por isso, aqui se sublinha a preocupação motivada pela inexistência da intenção governativa de criar uma situação qualitativamente nova no EAE, nomeadamente através do reforço da escola pública. Iniciado aquilo que o Ministério da Educação, agora, designa "reorganização" do Ensino Artístico Especializado, abandonada que parece estar a chamada "refundação", permanecem dúvidas acerca de como será desencadeado um processo que necessita da adopção de medidas de fundo e da recusa de remendos conjunturais. Assim:

1. Sendo por demais evidente a exiguidade da oferta pública no sector do Ensino Artístico Especializado (um total de seis escolas, todas no litoral e a norte do Tejo), não se conhece qualquer iniciativa do Ministério da Educação no sentido da expansão da rede pública do EAE. Tal revela uma enorme e inqualificável ausência de uma estratégia do desenvolvimento deste tipo de ensino.
A FENPROF defende que a expansão da rede pública é uma condição indispensável ao estabelecimento de políticas educativas de âmbito nacional, num sector sistematicamente marginalizado pelas políticas educativas de sucessivos governos.
A FENPROF considera que só a expansão da rede pública pode constituir-se motor da democratização do acesso a este tipo de ensino
. Por esta razão, é prioritária a tomada de medidas no sentido da criação de uma escola pública de Ensino Artístico Especializado em cada capital de distrito, sendo de equacionar a transferência para a esfera do Estado de algumas escolas do Ensino Particular e Cooperativo.

2. Por outro lado, o Ministério da Educação deu a conhecer, recentemente, a responsáveis da AEEP, um projecto respeitante ao apoio financeiro a conceder aos estabelecimentos de ensino particular e cooperativo que ministram o ensino especializado de música. Para lá da estranheza que suscita, desde logo, o princípio, ali consignado, do financiamento por aluno (como que ignorando que no cálculo do custo de qualquer actividade, educativa ou não, a remuneração de quadros qualificados se constitui variável no cálculo orçamental), a FENPROF adverte para o paradoxo que poderá resultar da aplicação de medidas que conduzam a um ainda maior estreitamento do acesso a este tipo de ensino e no despedimento do pessoal mais qualificado e, portanto, mais "caro".
É, de igual modo, incompreensível que o valor proposto para o financiamento de um aluno do curso básico seja o mesmo destinado a financiar um aluno do curso secundário, sabendo-se que o currículo dos cursos secundários implica, necessariamente, um maior envolvimento de recursos. Por outro lado, princípios como o do sub-financiamento dos cursos secundários (ou complementares) e o da imposição de inscrição em turmas "dedicadas" para que o aluno possa usufruir do regime articulado, poderão contribuir para que, a muitos alunos, seja vedada a possibilidade da formação artística especializada. A FENPROF teme que o modelo de financiamento proposto, bem como a aplicação dos parâmetros de selecção de candidaturas, inscritos no referido projecto, tenham efeitos como:

    1. o de favorecer, quase em exclusivo, estruturas empresariais de grande dimensão (cujos alunos terão acesso ao ensino artístico gratuito), em detrimento de estruturas de menor dimensão, cuja continuidade está ameaçada;
    2. o de lançar no desemprego e na precariedade um número elevado de docentes qualificados, cujo justo pagamento não se enquadra nos cálculos de "poupança" do Ministério da Educação.

A FENPROF manifesta-se contra a aplicação de quaisquer medidas de alteração do actual modelo de financiamento que possam resultar, simultaneamente, no aumento da precariedade e do desemprego no Ensino Artístico Especializado e na limitação, por razões de natureza económica e geográfica, entre outras, do acesso a este tipo de ensino.

O Secretariado Nacional da FENPROF
19/06/2008

quinta-feira, 29 de maio de 2008

Fim de ano lectivo, perspectivas futuras

O fim do ano lectivo aproxima-se. Para quem, como eu, trabalha no ensino especializado de música (ministrado em instituições vulgarmente conhecidas por conservatórios e academias) este final de ano reveste-se de alguma incerteza face ao futuro. Foram anunciadas alterações por parte do Ministério da Educação que são já conhecidas de todos nós, e sobre as quais tive várias vezes a oportunidade de falar aqui no Mar sem Sal.
Agora, depois de alguma exposição mediática, este assunto parece começar a interessar a outros partidos que não o PCP, que sempre esteve à frente em matéria de defesa de um ensino de democrático e de qualidade, também neste sub-sector.
Mas os tempos que se aproximam não são fáceis. Está criado um sentimento de insegurança, de instabilidade relativamente a 2008/2009.
O que se avizinha, se não houver luta, será uma reestruturação que vai servir apenas para um crescente aumento de privados interessados na corrida. Já me foram "sopradas ao ouvido" algumas novidades. Novos currículos, novo modelo de organização dos alunos em regime articulado, novas funções para professores... Mas... pergunto eu:
Para quando uma rede pública de escolas públicas de ensino especializado de música (e das outras artes)? É que, concordarão, é muito diferente falar em assegurar um serviço público através de escolas privadas, que é o que este ME quer fazer (com uma ajudinha da AEEP), é muito diferente, dizia eu, de assegurar um ensino público, uma rede de escolas, que tem de ser criada uma vez que é inexistente, que assegure o ensino a todas as crianças, inclusivé fora do regime articulado, ie, em regime supletivo.
Não sei se "esperar para vêr" se aplica neste caso. Eu, por mim, ía já para a rua protestar, exigir que me fosse explicado "tim-tim por tim-tim" o que é que se vai passar daqui a... quatro míseros meses.

sexta-feira, 21 de março de 2008

A professora, a aluna e o telemóvel

Hoje houve várias pessoas que me enviaram por email um video que revela alguns dos mais graves problemas que neste momento se passam no ensino, em Portugal. No video, filmado por um telemóvel em plena sala de aula no Carolina Michaelis, no Porto, vê-se uma professora a retirar um telemóvel a uma aluna, que indevidamente o usou no decurso da aula. A aluna não gosta e luta com a professora a fim de obter o telemóvel de volta.
A certa altura os colegas já intervêm, tentando parar a colega que, com histeria, lá vai torcendo o braço à professora, que não larga o telemóvel. O aluno que filma tudo vai fazendo comentários pouco simpáticos, e parece estar a gostar do "espectáculo", assim como outros alunos, que soltam umas risadas, e contribuem para aumentar a confusão que num minuto se instala na sala.
Que acontecimento lamentável.
Revela vários factos acerca do Portugal contemporâneo:

1- O telemóvel é um objecto tão importante para alguns jovens, que não se importam de sofrer seja que consequência for só para poder dispor dele. Essa dependência é, de resto, um fenómeno já conhecido. Há raparigas que se despem na internet por um carregamento do saldo do cartão do telemóvel.

2- A autoridade dos professores já não existe. É a realidade e não vale a pena disfarçar. Creio que só não há mais problemas porque ainda vai havendo quem, com jeito, vá contornando esse facto, quer professores, quer alunos. A culpa dessa perda de autoridade deve-se, em parte, às políticas educativas que têm vindo a ser produzidas, ano após ano neste país, ridicularizando a figura dos professores, menosprezando a importância que estes tem no sistema de ensino; e, por outro lado, à própria modificação dos contextos sociais em que crescem as crianças, hoje. Refiro-me ao acesso fácil que os jovens tem à internet, ao telemóvel e à televisão. Como nem sempre os pais estão presentes para moderar esse acesso, os jovens crescem a ver tudo, a fazer tudo, a saber tudo antes de terem maturidade para assimilar certas coisas.

3- "Decência" e "Respeito" são palavras que sairam do vocabulário de muitas famílias. E a escola não basta para as incutir na educação dos jovens. Se os próprios pais não insistirem, se não derem o exemplo, se não demonstrarem o que é certo e errado, os seus filhos nunca aprenderão a viver em sociedade. Vão, pelo contrário, achar que podem fazer seja o que for, que sairão impunes.

Feito este balanço, posso adiantar duas coisas mais:

1- A sociedade capitalista em que vivemos quer que as pessoas trabalhem sempre mais horas, com horários cada vez mais flexíveis, quer que as pessoas se endividem aos bancos (que é para não pararem de trabalhar), quer que tenham máxima disponibilidade (e quem não a tiver vai para o desemprego), quer que haja uma bolsa de desempregados para poder manter os trabalhadores debaixo do chicote, quer que os trabalhadores tenham medo, que não se sindicalizem, que aceitem contratos individuais de trabalho, para ficar cada vez mais frágeis;

2- A sociedade capitalista quer ainda que os jovens consumam, de preferência aquilo que os faz mais estúpidos e dependentes, quer que os jovens não pensem, que é para não questionarem muito, para poderem ser controlados, e até a irreverência é controlada, há produtos para os irreverentes, desde comida a música. Os jovens controlados de hoje são os dependentes de amanhã, assim espera o grande capital.


Pois é.
Tanta coisa escondida por trás de um video.
Portugal está cada vez mais a parecer-se com os Estados Unidos da America. Se aquela rapariga tivesse uma arma tinha, certamente, disparado sobre a professora.
E então, lá estariam todos preocupados com a violência. E seriam feitos muitos debates e programas de televisão para falar sobre o assunto...

domingo, 9 de março de 2008

quarta-feira, 5 de março de 2008

A propósito de testes

Testes e testes para corrigir. Trocam-me o sustenido pelo bemol, dizem que o acorde é maior quando é menor, desenham duas colcheias em vez de três, etc, etc. Felizmente também tenho casos de enorme sucesso escolar.
Ser professora é cansativo, principalmente nesta altura do ano. Fica-nos pouco tempo para tudo, inclusivé para a vida pessoal. Por isso, estou felicíssima com as muitas manifestações de professores que tem havido um pouco por todo o país. Hoje ouvi falar em Vila Real, Lamego, Bragança, e outras. Reparem que... até Bragança!, que está num cantinho de Portugal onde tradicionalmente a maioria das pessoas não manifesta grandes hábitos de reflexão política, a avaliar pela cor dominante das autarquias, naquela zona.
Estou contente com estas manifestações porque elas estão a ser efectuadas nesta altura em concreto. Uma altura que é complicada, como expliquei, devido ao volume de trabalho.
E mesmo assim, os professores manifestam-se.
Sacrificam horas de trabalho, salário, descanso, tempo com os filhos... e manifestam-se. Lutam com os da sua classe por dias melhores.
Mas não nos devemos deixar enganar. Tenho ouvido muita gente exigir a saída de Maria de Lurdes Rodrigues da pasta da Educação. No entanto, eu acho que não é esse o ponto principal, causador de mau estar e de indignação.
Não devemos personalizar. O que tem de mudar são efectivamente as políticas deste Governo. Ou então mudar de vez este Governo. E não aceitar outro que venha fazer as mesmas políticas de direita.
Os professores devem ser acarinhados, valorizados, deve ser restituída a dignidade à sua profissão.

Dantes, quando se perguntava às crianças o que queriam ser quando fossem grandes, algumas respondiam "professor". Agora já não.
É triste, não é?

terça-feira, 4 de março de 2008

Avaliação de professores

Este Ministério da Educação bem podia ser chamado de "exterminador implacável"...



Tira roubada no "Anterozóide", muito actual...

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Professores em Luta

Portugal parece estar a acordar de um longo período de hibernação.
Em Coimbra na terça-feira estiveram dois mil professores numa manifestação; na quarta, em Viseu estiveram dois mil, na Guarda, trezentos, hoje em Aveiro estiveram três mil professores...

Força professores.
Vamos ganhar esta luta.

sexta-feira, 8 de fevereiro de 2008

Ensino Artístico (3)

Hoje foi dada a conhecer a posição da FENPROF relativamente à reforma do ensino artístico. Temos agora uma forte ajuda na luta que está em curso. Com a Fenprof a questionar o ME, a nossa Milu lá terá que dizer "preto no branco" o que é que pretende fazer concretamente. E já não aceitamos qualquer coisa. Não adianta dar respostas vagas do género "sim... queremos por mais gente a estudar música, e tal..."

Para lêr, clique aqui!

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ensino Artístico (2)


O Governo mente. Isto já não é novidade.
Mas agora chegou-me a mostarda ao nariz!
A notícia de hoje que podem ver no site da RTP revela o que pretende este Governo. Não se deixem enganar.
O regime Supletivo é o mais requisitado porque nem sempre as crianças descobrem aos 10 anos de idade que querem seguir profissionalmente a profissão de músicos. A escolha profissional decide-se aquando da passagem para o ensino secundário (10º ano). É bom recordar, em abono da verdade, que a esmagadora maioria dos músicos profissionais portugueses frequentou o conservatório em regime supletivo. Este regime de frequência é também o mais indicado para possibilitar a adultos a sua inscrição em escolas especializadas. Ou, porque se é adulto, não se pode estudar no ensino especializado? Até no ensino regular, os adultos que deixaram de estudar podem voltar à escola, e ter a oportunidade de seguir uma carreira nova. Quando digo "adulto" também posso dizer "jovem". Basta ter 15 anos e querer estudar música para já não o poder fazer numa escola especializada. "Porque é que não te lembraste disso quando tinhas 10 anos?!"
É bom dizer, em abono da verdade, que não existe uma rede de escolas públicas de ensino especializado. E que as escolas que fazem uma cobertura mínima do território português são particulares. Mas, contrariamente ao que acontece no ensino regular, muitas delas são de raiz associativa ou de gestão autárquica, não tendo fins lucrativos, e desempenhando um papel social importante. Não são comparáveis a colégios privados, nem devem, por isso, ser tratadas como tal. Eu acho que deveriam nacionalizar uma boa parte das academias e conservatórios privados, senão todos. Porque aí sim, estariam a permitir a centenas de crianças o acesso a este tipo de ensino (uma vez que, neste momento, não tem condições de pagar propinas). Essa medida daria prossecução aos objectivos deste ME: aumentar o número de alunos que frequentam o ensino artístico. Ah, pois. Mas isso precisaria de... investimento! E o Governo não quer gastar dinheiro com o ensino artístico. Por isso é que se esconde atrás de "nobres objectivos" e adopta uma série de medidas que vão lesar alunos e professores, e, no limite, a Cultura deste país. Como a decisão de acabar com as Iniciações.
É bom lembrar que as classes de Iniciação são fundamentais neste ensino. Acabar com elas é comprometer o futuro. Nos conservatórios as crianças já podem aprender um instrumento musical mesmo antes dos 10 anos, i.e, na Iniciação. Se isto for para a frente nunca mais teremos uma Maria João Pires - que começou a tocar piano aos 4 anos - nunca mais teremos fotos como a que vos deixo.

Agora a sério

Pois é.
Afinal, sempre houve carnaval. E lá se viram, um pouco por todo o lado, as costumeiras cenas de cortejos, dançarinas, carros alegóricos, fantasias, etc, etc. O problema é, como diz uma canção de Tom Jobim:

"A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Para fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira."

Porque depois da festa os ricos, em Portugal, continuaram a ser ricos, e os pobres continuaram a ser explorados.

É importante pôr os pés na terra, não baixar os braços, demonstrar que estamos a perceber perfeitamente para onde querem levar este país.
E continuar a luta, continuar sempre.
Mesmo que paremos por um momento para rir, não podemos esquecer todos aqueles que só tem razões para chorar. E é pelos mais fracos, pelos oprimidos, pelos explorados, por todos os trabalhadores deste país que temos de dizer: Basta. Temos que mudar de rumo!

Este país precisa de outra política. Precisa de forte investimento na Saúde (e não de encerramentos compulsivos de serviços), precisa de uma forte aposta na Educação
(e não de perseguições aos professores como se eles fossem a causa de todos os males), precisa de Cultura (e não de especuladores de arte tipo Berardo).

Este país precisa de algo que este Governo não tem: Socialismo.
Mas agora, a sério.