“Quando descobrimos aquilo de que somos feitos e a maneira como somos construídos, descobrimos um processo incessante de construção e destruição e apercebemo-nos de que a vida está à mercê desse processo interminável. Tal como os castelos de areia das praias da nossa infância, a vida pode ser levada pela maré.” António Damásio, O Sentimento de Si (1999)
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terça-feira, 16 de março de 2010
sábado, 24 de outubro de 2009
Música para o Fim-de-Semana
Sou fã da música impressionista. Já por aqui deixei rastos da música de Debussy, mas hoje calhou a vez a Ravel, compositor que é conhecido por uma obra muito emblemática, o Bolero, uma obra que evidencia as grandes qualidades deste compositor.
Porém, nesta obra que escolhi, "Ma mere l'Oye" ("A minha mãe gansa") o seu refinado cuidado orquestral, o seu bom gosto na fusão de timbres e a sua abordagem melódica são evidentes. O resultado é uma obra aparentemente simples, mas intensa, que se vai revelando a pouco e pouco, como um véu que destapa algo mais íntimo. É uma música que, afinal, acaba por se revelar muito mais profunda e complexa do que parecia inicialmente.
Deixo-vos dois andamentos; o primeiro, "Pavane de la Belle au bois dormant" (Pavane da Bela adormecida), e o último, "Le jardin féerique" (O jardim das fadas), tocados pela Orquesta da RTVE (Orquestra da Radio Televisão Espanhola), dirigida pelo maestro Ramon Tebar.
Agora que Portugal tem um novo Governo, cuja Ministra da Cultura (Gabriela Canavilhas) é oriunda do meio musical erudito, pode ser que haja orçamento para (re)criar uma Orquestra da Radio Televisão Portuguesa, a fim de que este ministério possa cumprir o serviço público de levar a Cultura, e, neste caso, a música erudita a todos os portugueses, e não apenas àqueles que a usam como bibelot de ostentação social.
Ouçamos Ravel, que ajuda a sonhar!
domingo, 13 de setembro de 2009
PELA CULTURA, ASSINEM A PETIÇÃO
Só mesmo a CDU demonstra preocupação com a Cultura deste país.
Vamos assinar todos a petição on-line!
http://www.petitiononline.com/CDUCult/petition.html
Força CDU.
Com toda a confiança!
Vamos assinar todos a petição on-line!
http://www.petitiononline.com/CDUCult/petition.html
Força CDU.
Com toda a confiança!
sexta-feira, 24 de julho de 2009
Foi longo o caminho

Hoje tive duas surpresas. Vá. Uma surpresa boa e uma má.
Qual querem que conte primeiro? A boa? Então lá vai.
Estava eu a lêr um jornal que sai às quintas-feiras que dá pelo nome de Avante!, e que é o único que em Portugal dá notícias verdadeiras sobre a luta dos trabalhadores, e sobre a acção do único partido político que os defende, o PCP, quando reparei num suplemento sobre os artistas que irão tocar à Festa do Avante!, no primeiro fim de semana de Setembro (dias 4, 5 e 6).
Sei de antemão ser este um dos melhores eventos culturais organizados neste país, único na forma e no conteúdo, que faz as delícias de militantes comunistas, simpatizantes, independentes, apartidários, jovens e velhos, homens, mulheres e crianças, e que durante três dias se vive algo único, que só quem lá vai é que entende que tem de lá voltar sem falta no ano seguinte.
Verifiquei, com agrado, que este ano irá actuar na Festa um cantor de intervenção português, daqueles que, à semelhança de um Zeca Afonso ou de um Adriano Correia de Oliveira, marcaram com a sua voz a luta contra o fascismo, e a certeza de uma liberdade que estava para vir. Verifiquei que o Samuel cantará na Festa, na nossa Festa... O nosso Samuel cantará para nós na nossa Festa. E isso foi um virar de página!
Foi longo o caminho que demoraram a percorrer os camaradas responsáveis pela selecção de artistas para a Festa. Congratulo-me pela descoberta que fizeram: o Samuel não estava morto, antes continuou a bater-se por ideais difíceis de conjugar com interesses de editoras discográficas!
E não só é importante ouvi-lo, como repudiarmos a pressão das editoras por promover este ou aquele artista, todos menos os comunistas - porque também nessa linha se faz a dominação ideológica.
E esta foi a surpresa boa.
A má... Bem, a má... A Teresa Salgueiro também vai cantar à Festa...
Alguns dirão "pois, pois, gostos não se discutem..."
Eu direi, antes: Não! Discutem-se como qualquer outro tema, pois a formatação do gosto está nas mãos de quem tem o poder. E quem tem o poder - as classes dominantes - também formatam de forma a tornar as pessoas acríticas, confundindo, apresentando-lhes "produtos" culturais desprovidos daquela pequena partícula que os faz pensar por si próprios.
Em suma, a meu ver, a cultura musical ainda é uma das áreas mais delicadas na formação de um homem emancipado e progressista.
Por isso é possível que pessoas com grandes qualidades ao nível do pensamento façam escolhas tão impróprias, como gostar da Teresa Salgueiro.
A Teresa Salgueiro não canta, mia. E mia como um gato sem graça, daqueles que ouvimos ao longe e que nos incomodam, que nos perturbam o café, a paisagem, os ouvidos...
É, para mim, mais um "produto" discográfico que faz ruído.
Fico-me pela felicidade de pensar que a Festa é bem mais que a Teresa, (desculpem, agora é com "z": Tereza) e que posso simplesmente não a ir vêr nem ouvir, e que as más opções - poucas - dos programadores podem sempre transformar-se. Disso é exemplo o convite, este ano, ao Samuel, e longo foi o caminho, repito-o, até perceberem a importância dele na Festa. Pelo seu exemplo de resistência.
Na nossa Festa do Avante!.
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segunda-feira, 4 de maio de 2009
A Cultura Portuguesa / Música para começar a semana
Eis um post que só interessará a meia dúzia de pessoas. Mostra um tipo a tocar uma "música estranha" em saxofone, num ambiente escuro e misterioso.
Mas não é bem assim... Este é apenas o mote para falar sobre... uma data de coisas....
Para começar, o compositor da obra é nada mais nada menos que Pierre Boulez, uma referência mundial no campo da música erudita, sobretudo na música contemporânea. Um dos melhores maestros de todos os tempos que é simultaneamente um dos melhores compositores do século XX e XXI. É francês, tem 84 anos e ainda é vivo. Compôs esta belíssima peça, cujo nome "Dialog de l'ombre double for sax solo" nos prepara para uma peça em que encontramos um solista em diálogo consigo próprio, com electrónica gravada por si, e outra em tempo real, que, penso, é disparada pelo próprio intérprete em determinados momentos, ao longo do seu percurso quase às escuras pelo palco. Fabuloso. O intérprete, neste caso o genial saxofonista Vincent David estreou a peça no 14º Congresso Mundial de Saxofone, em Julho de 2006, na capital da Eslovénia, Ljublijana.
Não posso deixar de referir que estava lá, naquela sala de concertos, no Cankarjev Dom, naquele dia, neste video, e que, encontrá-lo no youtube, me trouxe uma imensa saudade daquele país e da sua organização. Hão-de repara que as imagens são da RTVSLO (Radio-Televisão da Eslovenia), que não só esteve lá, como filmou todos os concertos, como depois os transmitiu. É de notar que a RTVSLO tem uma Orquestra profissional fantástica, que eu tive a oportunidade de ouvir noutro concerto. Em Ljubljana definem o Cankarjev Dom como um "centro cultural e de congressos". Bem. A dimensão daquele centro cultural põe o CCB num chinelo, só em número de salas de concerto, de condições materiais, de concepção, de programação, de dinâmica com o público. Era um edifício já com alguns anos. Do tempo em que a Eslovénia ainda não se tinha rendido ao sistema capitalista. Mas, curiosamente, o edifício era tão bom que não foi posto abaixo. O mesmo aconteceu com a maioria dos edifícios.
Foram os anos de socialismo daquele país que lhe permitiram ter uma atitude completamente diferente em termos culturais (e julgo que noutros). E isso salta à vista!
Pergunto-me porque é que a RTP não tem uma orquestra profissional, como acontece noutros países, porque é que não passam música de qualidade, porque é que não filmam concertos com elevado nível artístico? Para passar em horário nobre, e não às três da manhã... Porque é que não dão espaço aos artistas portugueses de outras áreas que não a pimbalhada do costume? Até mesmo música de intervenção... não se vê, não passa. A Cubavision não há dia em que não passe um concerto, a TVGalicia passa música tradicional "a torto e a direito"...
Porque é que temos de estar sempre a levar com um conceito de cultura que é zero, zero ao quadrado, zero ao cubo, comparado com todos os outros países da Europa? Aliás, creio até que não há conceito nenhum. É mais um... "deixar andar"...
Porque somos pequeninos? E a Eslovénia de que tamanho é? E o Luxemburgo?
É porque desde que me lembro de ser "gente" nunca vi - e desconfio que já não vou ver - um investimento sério na Cultura em Portugal.
E tenho muita pena que assim seja. De cada vez que passo as portas do país, e basta-me ir a Espanha, tenho a impressão de viver num país irremediavelmente atolado em esquemas, corrupção, falsidades, xico-espertismos e compadrios.
Resta-me a Luta. E a luta far-se-á! Porque sem ela, então, é que não se consegue mudar este "estado de coisas".
Fim de desabafo.
Se conseguiram chegar até aqui, disfrutem... (apaguem as luzes do local onde estiverem, e... boa audição! Esqueci-me de dizer que é um excerto apenas.)
Dedicado ao CC.
Mas não é bem assim... Este é apenas o mote para falar sobre... uma data de coisas....
Para começar, o compositor da obra é nada mais nada menos que Pierre Boulez, uma referência mundial no campo da música erudita, sobretudo na música contemporânea. Um dos melhores maestros de todos os tempos que é simultaneamente um dos melhores compositores do século XX e XXI. É francês, tem 84 anos e ainda é vivo. Compôs esta belíssima peça, cujo nome "Dialog de l'ombre double for sax solo" nos prepara para uma peça em que encontramos um solista em diálogo consigo próprio, com electrónica gravada por si, e outra em tempo real, que, penso, é disparada pelo próprio intérprete em determinados momentos, ao longo do seu percurso quase às escuras pelo palco. Fabuloso. O intérprete, neste caso o genial saxofonista Vincent David estreou a peça no 14º Congresso Mundial de Saxofone, em Julho de 2006, na capital da Eslovénia, Ljublijana.
Não posso deixar de referir que estava lá, naquela sala de concertos, no Cankarjev Dom, naquele dia, neste video, e que, encontrá-lo no youtube, me trouxe uma imensa saudade daquele país e da sua organização. Hão-de repara que as imagens são da RTVSLO (Radio-Televisão da Eslovenia), que não só esteve lá, como filmou todos os concertos, como depois os transmitiu. É de notar que a RTVSLO tem uma Orquestra profissional fantástica, que eu tive a oportunidade de ouvir noutro concerto. Em Ljubljana definem o Cankarjev Dom como um "centro cultural e de congressos". Bem. A dimensão daquele centro cultural põe o CCB num chinelo, só em número de salas de concerto, de condições materiais, de concepção, de programação, de dinâmica com o público. Era um edifício já com alguns anos. Do tempo em que a Eslovénia ainda não se tinha rendido ao sistema capitalista. Mas, curiosamente, o edifício era tão bom que não foi posto abaixo. O mesmo aconteceu com a maioria dos edifícios.
Foram os anos de socialismo daquele país que lhe permitiram ter uma atitude completamente diferente em termos culturais (e julgo que noutros). E isso salta à vista!
Pergunto-me porque é que a RTP não tem uma orquestra profissional, como acontece noutros países, porque é que não passam música de qualidade, porque é que não filmam concertos com elevado nível artístico? Para passar em horário nobre, e não às três da manhã... Porque é que não dão espaço aos artistas portugueses de outras áreas que não a pimbalhada do costume? Até mesmo música de intervenção... não se vê, não passa. A Cubavision não há dia em que não passe um concerto, a TVGalicia passa música tradicional "a torto e a direito"...
Porque é que temos de estar sempre a levar com um conceito de cultura que é zero, zero ao quadrado, zero ao cubo, comparado com todos os outros países da Europa? Aliás, creio até que não há conceito nenhum. É mais um... "deixar andar"...
Porque somos pequeninos? E a Eslovénia de que tamanho é? E o Luxemburgo?
É porque desde que me lembro de ser "gente" nunca vi - e desconfio que já não vou ver - um investimento sério na Cultura em Portugal.
E tenho muita pena que assim seja. De cada vez que passo as portas do país, e basta-me ir a Espanha, tenho a impressão de viver num país irremediavelmente atolado em esquemas, corrupção, falsidades, xico-espertismos e compadrios.
Resta-me a Luta. E a luta far-se-á! Porque sem ela, então, é que não se consegue mudar este "estado de coisas".
Fim de desabafo.
Se conseguiram chegar até aqui, disfrutem... (apaguem as luzes do local onde estiverem, e... boa audição! Esqueci-me de dizer que é um excerto apenas.)
Dedicado ao CC.
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sexta-feira, 4 de julho de 2008
Para onde vão os impostos...

Já passou um ano desde que Joe Berardo transferiu para o CCB parte da sua colecção de arte contemporânea, depois de ter celebrado com o estado português um contrato - que foi designado por acordo de comodato, seja lá o que isso fôr - onde certamente se assegura de que não perderá dinheiro com o "aluguer" das peças para exposição pública. Foram divulgados os dados relativos ao aumento de visitas ao CCB desde essa altura: parece que já houve 500 mil visitantes...
Um ano passado, é tempo de fazer o balanço desta parceria de um equipamento público com a Fundação Berardo.
Pergunto-me:
1- os visitantes sairam mais conhecedores da arte dos nossos tempos, ou foram vêr a Colecção Berardo apenas porque está na moda, e teve um tratamento mediático muito grande?
2 - o estado português pode comprar a Colecção até 2016, tendo por isso que conceder anualmente 500 mil euros, assim como Joe Berardo, que concede montante igual. Vale a pena gastar este dinheiro? Ou não seria melhor fazer uma distribuição mais equilibrada, descentralizando e tentando esbater as assimetrias que existem neste país, também em termos culturais?
3- as despesas de funcionamento, apesar de serem repartidas pelas duas partes, ascendem a 3 milhões de euros. O estado português forneceu um local de excelência à Fundação Berardo. Roubou espaço (nove mil metros quadrados, pelos quais Berardo recebe uma compensação!) e retirou à Fundação CCB a sua valência de exposições. Não deveria ser o Berardo a suportar as despesas inerentes ao funcionamento do Museu com a sua colecção?
Para terminar, há aqui uma conta que até me parece ser fácil de fazer:
o Ministério da Cultura através da Direcção Geral das Artes, atribuiu recentemente 2 milhões e 100 mil euros a cerca de 140 projectos artísticos das mais diversas áreas (música, teatro, dança, fotografia, artes plásticas, artes digitais, arquitectura, design, transdisciplinariedade), oriundos de todas as zonas do país; o Museu Berardo tem despesas superiores, ou vá lá, na melhor das hipóteses, equivalentes a este montante. Berardo não é um artista. É um especulador de arte. Ele não produz nada. Faz dinheiro com o trabalho artístico de outros. Ele não ofereceu nada ao estado português, porque um homem de negócios não entra num protocolo destes para perder dinheiro.
Também na área cultural Sócrates está a entregar de bandeja o dinheiro dos contribuintes ao grande capital. Estamos a ser roubados a olhos vistos. E o investimento na Cultura portuguesa não passa, certamente, por sustentar um especulador de arte.
sexta-feira, 15 de fevereiro de 2008
Ensino Artístico (4)
Finalmente tive conhecimento da questão da reforma do Ensino Artístico ter sido levada à Assembleia da República. Hoje, o deputado Miguel Tiago (do PCP) fez uma intervenção brilhante, que podem ler se clicarem aqui.
Uma grande clareza de ideias que ajuda à real colocação do problema. Vale a pena lêr.
Uma grande clareza de ideias que ajuda à real colocação do problema. Vale a pena lêr.
quinta-feira, 14 de fevereiro de 2008
Um livro e duas cantoras
Enquanto neste paraíso à beira-mar plantado nada de novo acontece, recomendo vivamente que retemperemos as nossas energias com uma ou outra actividade da qual gostamos. Eu como não vivo sem música recomendo a ída a concertos e a audição de boa música. Outra hipótese será a leitura de um bom livro.
Por estes dias, ofereceram-me um livro que ainda não comecei a lêr, mas que espero começar em breve (tão breve, que vai ser mais ou menos dentro de 5 minutos, que é o tempo que vai demorar "postar" esta mensagem e ir-me enfiar em vale de lençóis...).
Falo do livro "Diário Remendado 1971-1975" do senhor Luiz Pacheco.
Certamente já ouviram falar...
Quanto a boa música não deixem de ir vêr e ouvir Mari Boine à Guarda, na próxima sexta-feira. Outra sugestão, neste caso para Domingo, na Casa da Música, no Porto: Cristina Branco e Ensemble Modern.
Mari Boine, uma cantora norueguesa que dificilmente teremos oportunidade de ouvir novamente em Portugal, é uma artista ímpar, bastante conhecida no meio da World Music. Cristina Branco, portuguesa, vai apresentar um trabalho em estreia absoluta, cruzando o fado com técnicas e abordagens da música contemporânea, tendo contado com a ajudinha de, entre outros, Thomas Goepfer, responsável pela realização informática musical do IRCAM (Paris). Está bem acompanhada, sim senhora! Qualquer um destes espectáculos promete!
Por estes dias, ofereceram-me um livro que ainda não comecei a lêr, mas que espero começar em breve (tão breve, que vai ser mais ou menos dentro de 5 minutos, que é o tempo que vai demorar "postar" esta mensagem e ir-me enfiar em vale de lençóis...).
Falo do livro "Diário Remendado 1971-1975" do senhor Luiz Pacheco.
Certamente já ouviram falar...
Quanto a boa música não deixem de ir vêr e ouvir Mari Boine à Guarda, na próxima sexta-feira. Outra sugestão, neste caso para Domingo, na Casa da Música, no Porto: Cristina Branco e Ensemble Modern.
Mari Boine, uma cantora norueguesa que dificilmente teremos oportunidade de ouvir novamente em Portugal, é uma artista ímpar, bastante conhecida no meio da World Music. Cristina Branco, portuguesa, vai apresentar um trabalho em estreia absoluta, cruzando o fado com técnicas e abordagens da música contemporânea, tendo contado com a ajudinha de, entre outros, Thomas Goepfer, responsável pela realização informática musical do IRCAM (Paris). Está bem acompanhada, sim senhora! Qualquer um destes espectáculos promete!
quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008
Ensino Artístico (2)

O Governo mente. Isto já não é novidade.
Mas agora chegou-me a mostarda ao nariz!
A notícia de hoje que podem ver no site da RTP revela o que pretende este Governo. Não se deixem enganar.
O regime Supletivo é o mais requisitado porque nem sempre as crianças descobrem aos 10 anos de idade que querem seguir profissionalmente a profissão de músicos. A escolha profissional decide-se aquando da passagem para o ensino secundário (10º ano). É bom recordar, em abono da verdade, que a esmagadora maioria dos músicos profissionais portugueses frequentou o conservatório em regime supletivo. Este regime de frequência é também o mais indicado para possibilitar a adultos a sua inscrição em escolas especializadas. Ou, porque se é adulto, não se pode estudar no ensino especializado? Até no ensino regular, os adultos que deixaram de estudar podem voltar à escola, e ter a oportunidade de seguir uma carreira nova. Quando digo "adulto" também posso dizer "jovem". Basta ter 15 anos e querer estudar música para já não o poder fazer numa escola especializada. "Porque é que não te lembraste disso quando tinhas 10 anos?!"
É bom dizer, em abono da verdade, que não existe uma rede de escolas públicas de ensino especializado. E que as escolas que fazem uma cobertura mínima do território português são particulares. Mas, contrariamente ao que acontece no ensino regular, muitas delas são de raiz associativa ou de gestão autárquica, não tendo fins lucrativos, e desempenhando um papel social importante. Não são comparáveis a colégios privados, nem devem, por isso, ser tratadas como tal. Eu acho que deveriam nacionalizar uma boa parte das academias e conservatórios privados, senão todos. Porque aí sim, estariam a permitir a centenas de crianças o acesso a este tipo de ensino (uma vez que, neste momento, não tem condições de pagar propinas). Essa medida daria prossecução aos objectivos deste ME: aumentar o número de alunos que frequentam o ensino artístico. Ah, pois. Mas isso precisaria de... investimento! E o Governo não quer gastar dinheiro com o ensino artístico. Por isso é que se esconde atrás de "nobres objectivos" e adopta uma série de medidas que vão lesar alunos e professores, e, no limite, a Cultura deste país. Como a decisão de acabar com as Iniciações.
É bom lembrar que as classes de Iniciação são fundamentais neste ensino. Acabar com elas é comprometer o futuro. Nos conservatórios as crianças já podem aprender um instrumento musical mesmo antes dos 10 anos, i.e, na Iniciação. Se isto for para a frente nunca mais teremos uma Maria João Pires - que começou a tocar piano aos 4 anos - nunca mais teremos fotos como a que vos deixo.
Agora a sério
Pois é.
Afinal, sempre houve carnaval. E lá se viram, um pouco por todo o lado, as costumeiras cenas de cortejos, dançarinas, carros alegóricos, fantasias, etc, etc. O problema é, como diz uma canção de Tom Jobim:
"A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Para fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira."
Porque depois da festa os ricos, em Portugal, continuaram a ser ricos, e os pobres continuaram a ser explorados.
É importante pôr os pés na terra, não baixar os braços, demonstrar que estamos a perceber perfeitamente para onde querem levar este país.
E continuar a luta, continuar sempre.
Mesmo que paremos por um momento para rir, não podemos esquecer todos aqueles que só tem razões para chorar. E é pelos mais fracos, pelos oprimidos, pelos explorados, por todos os trabalhadores deste país que temos de dizer: Basta. Temos que mudar de rumo!
Este país precisa de outra política. Precisa de forte investimento na Saúde (e não de encerramentos compulsivos de serviços), precisa de uma forte aposta na Educação
(e não de perseguições aos professores como se eles fossem a causa de todos os males), precisa de Cultura (e não de especuladores de arte tipo Berardo).
Este país precisa de algo que este Governo não tem: Socialismo.
Mas agora, a sério.
Afinal, sempre houve carnaval. E lá se viram, um pouco por todo o lado, as costumeiras cenas de cortejos, dançarinas, carros alegóricos, fantasias, etc, etc. O problema é, como diz uma canção de Tom Jobim:
"A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Para fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira."
Porque depois da festa os ricos, em Portugal, continuaram a ser ricos, e os pobres continuaram a ser explorados.
É importante pôr os pés na terra, não baixar os braços, demonstrar que estamos a perceber perfeitamente para onde querem levar este país.
E continuar a luta, continuar sempre.
Mesmo que paremos por um momento para rir, não podemos esquecer todos aqueles que só tem razões para chorar. E é pelos mais fracos, pelos oprimidos, pelos explorados, por todos os trabalhadores deste país que temos de dizer: Basta. Temos que mudar de rumo!
Este país precisa de outra política. Precisa de forte investimento na Saúde (e não de encerramentos compulsivos de serviços), precisa de uma forte aposta na Educação
(e não de perseguições aos professores como se eles fossem a causa de todos os males), precisa de Cultura (e não de especuladores de arte tipo Berardo).
Este país precisa de algo que este Governo não tem: Socialismo.
Mas agora, a sério.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2008
Projectos Socráticos
O Sócrates assinou projectos realizados por outros, para a Câmara da Guarda. AAAAhhh. Como é bom viver num país cujo primeiro-ministro é o exemplo de integridade...
O problema não é o indivíduo ser um perfeito imbecil corrupto e assassino. O problema é haver gente que o defende... (Saudades de um ditador?)
É que, essas pessoas que o defendem vão voltar às urnas, arrebanhadas pelos caciques da terra, e vão tentar dar-lhe uma vez mais o poder absoluto que lhe permite, neste momento, estar a aniquilar Portugal. Como é odiosa a falta de cultura...
Entretanto, enviaram-me algumas imagens com os projectos de engenharia do Sr. Sousa.
Não sei se são verdadeiros, mas a julgar pelo mau gosto de alguns, devem ser.
Sentem-se e divirtam-se.
Projectos Socráticos
O problema não é o indivíduo ser um perfeito imbecil corrupto e assassino. O problema é haver gente que o defende... (Saudades de um ditador?)
É que, essas pessoas que o defendem vão voltar às urnas, arrebanhadas pelos caciques da terra, e vão tentar dar-lhe uma vez mais o poder absoluto que lhe permite, neste momento, estar a aniquilar Portugal. Como é odiosa a falta de cultura...
Entretanto, enviaram-me algumas imagens com os projectos de engenharia do Sr. Sousa.
Não sei se são verdadeiros, mas a julgar pelo mau gosto de alguns, devem ser.
Sentem-se e divirtam-se.
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