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quarta-feira, 9 de abril de 2008

Acho graça



Vi há bocado uma notícia, disponível no site da RTP, que dizia:

"Venezuela: Nacionalizada a maior empresa de aço do país"

Caracas, 09 Abr (Lusa) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou, hoje, a nacionalização da Ternium-Sidor (Siderúrgica do Orinoco), a maior empresa de aço do país, propriedade do grupo italo-argentino Techint, anunciou o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizales.

Em Portugal, há para aí um primeiro-ministro que afirma "à-boca-cheia" que "é urgente fazer reformas em certos sectores", que "as coisas como estão não podem ficar", blá, blá, blá, etc e tal... E toca de mexer em tudo. Ele é saúde, ele é educação, ele é a justiça; toca de pôr todos os profissionais uns contra os outros, e todos contra os funcionários públicos; toca de disparar em todas as direcções, para atingir, no fim de contas, os mesmos de sempre.
Na verdade o primeiro-ministro não quer mudar absolutamente nada. ("Mudar" no sentido que nós, portugueses, gostaríamos. Mudar, de forma a beneficiar a vida das pessoas). Não. Sua excelência quer é "mudar" de mãos determinados serviços. Quer transformar certos sectores em máquinas de fazer dinheiro, eliminar o que de democrático existir na sua organização, e depois, calma e tranquilamente, entregar tudo ao sector privado, onde se movimentam os seus amigos, e onde, certamente, à semelhança de outros fulanos que passaram por governos anteriores, (como recentemente fez Jorge Coelho), terá um lugarzinho ao sol à sua espera. Parece ser este o destino que o governo quer dar à escola pública, aos hospitais e centros de saúde, às maternidades, aos tribunais. Se não houver uma forte contestação, é isso que, certamente, pode acontecer. Felizmente, a luta está na rua.

Pusesse o senhor engenheiro Sócrates os olhos na Venezuela, onde se fazem reformas a sério, respeitando sempre a vontade soberana e as verdadeiras necessidades do povo venezuelano. Assim sim. Se dúvidas houvesse, basta ler a notícia para percebermos que o governo de Hugo Cháves está nos antípodas da governação socretina. Porque tem coragem para defender os interesses do povo; porque não exige mais sacrifícios aos mesmos, com ar moralista; porque não tem medo de nacionalizar; porque pensa primeiro nos trabalhadores venezuelanos, e não nos patrões...
E podia continuar por aqui adiante a enumerar as imensas diferenças entre uma governação que se diz socialista, em Portugal, com uma governação realmente socialista, na Venezuela. Mas tal como não há comparação entre o cu e as calças, também não há comparação possível entre o Sócrates e Hugo Cháves.

terça-feira, 1 de abril de 2008

Então é assim:


Há dias, no blogue "We have kaos in the Garden" deixei ficar um comentário, como tantas vezes faço (como faz qualquer uma das pessoas que frequenta a blogosfera), onde discordava da opinião do autor do blogue acerca da postura do Jerónimo de Sousa e do seu (meu) partido. No mesmo comentário aproveitei para responder a outro blogger acerca do Tibete e da China, assunto quente do momento, e que tem sido aproveitado por muita gente para usar de arma de arremesso contra o PCP.
Bem... nunca pensei que o meu comentário despoletasse uma onda de comentários, uns pró e outros contra o Tibete, a China, o PCP, o Jerónimo, o autor do blogue, etc, etc. Foi lamentável verificar que algumas pessoas tem muita dificuldade em debater civilizadamente certos assuntos, sem entrar no campo das ofensas. Quando li tudo aquilo ri-me por dentro. Portugal, ano 2008, e ainda há tanta gente com preconceitos em relação ao comunismo. Houve mesmo um indivíduo que resolveu deixar um comentário aqui no Mar sem Sal, no post sobre os Sem-Terra, onde, mais uma vez, derrapava para o anti-comunismo visceral.
Houve, entretanto, uma resposta dada pelo meu camarada Mide que tenho obrigatoriamente que publicar aqui, dada a riqueza de informação que nela contém. E ao Mide e a todos os lutadores pela dignidade humana, pela justiça e pela igualdade, o meu muito obrigada.

Mide disse...

Sal, deixa-me responder a este diácono:
Para quem, de forma tão feia, insulta a autora deste blog pela comparação com um animal, devo dizer-lhe que o senhor é a encarnação de um animal bem mais estúpido que a mula: o papagaio.
Para começar, papagueia uma série de termos em contextos que a indústria cultural do imperialismo norte-americano e suas filiais tanto apreciam, como: a)"regime" quando se refere a qualquer governo socialista ou aparentado (chinês, cubano, venezuelano, etc.), mas não para qualquer outro país (como se não existisse); nem mesmo para as tenebrosas ditaduras que aquele imperialismo apoia e que, para si, terão seguramente reis, presidentes e governos, mas não "regimes" b) "ideologia" para referir socialismo ou comunismo (mas não para "neo-liberalismo", "capitalismo", "fascismo", "cavaco-socretinismo", etc.).
Depois, há duas ou três coisas que convém que saiba antes de desatar ao insulto:
- Não existem "chineses" e "tibetanos". Os tibetanos são chineses desde o séc. XIII. São os tibetanos e mais 55 nacionalidades que compoem aquilo a que, vulgarmente, se chama "os chineses"
- Os tibetanos são pessoas, efectivamente; são seres humanos. São-no AGORA, desde 1959. Até 1959 vigorava no território do Tibete, sob o domínio do Dalai Lama um regime (isso mesmo, um regime) feudal (pode sempre informar-se alhures sobre o conceito de feudalismo). Neste regime feudal 95% dos tibetanos não eram, legalmente, pessoas de pleno direito: eram escravos (espero que saiba o que é). A sua existência destinava-se, unicamente, a servir e a alimentar os senhores feudais - nobres e monges tibetanos, que castigavam e exploravam os escravos sem dó nem piedade. Sob o domínio, repito, do Dalai Lama que o senhor considera, com toda a certeza, um santíssimo líder espiritual pobre e modesto.
- Só em 1959 esses 95% de tibetanos foram libertados da escravidão e ganharam estatuto de pessoa humana. Entretanto, a sua qualidade de vida aumentou e é hoje melhor que nunca. A esperança média de vida, p. ex. aumentou para quase o dobro em menos de 50 anos. A língua e a cultura tibetanas são ensinadas oficialmente e a liberdade de culto religioso uma realidade.
- Obviamente, não agradou à minoria que perdeu os seus privilégios feudais essa mudança. Os governos norte-americanos e algumas das suas sucursais (também chamados de "comunidade internacional"), sempre dispostos a atacar por todos os meios as tentativas de construção do socialismo que foram surgindo, logo trataram de aproveitar esse descontentamento. Com os devidos meios, uma formiga pode ser retratada com uma dimensão gigantesca. Assim é com "a resistência tibetana no exílio". Esta nova investida consistiu na provocação de um motim, que a partir de determinado momento se tornou incontrolável. A tentativa tardia de controlar os tumultos proocou vítimas, é certo. Nada de comparável aos "danos colaterias" que o império americano vem semeando no Iraque de há cinco anos para cá. O alvo desta investida do império americano é, naturalmente, os Jogos Olímpicos de Pequim. Tal como foram, em 1980, os de Moscovo.
Convém também que saiba: O partido que é o meu, o da Sal e o de muitos frequentadores deste blog nunca foi maoista, e nunca apontou o modelo chinês como modelo a seguir. Ao contrário de muitos dos "modernos" anti-chineses de serviço...
- A "ideologia política" por que lutam os sem terra é a da sobrevivência, é a da luta pelos meios mais elementares de sobrevivência. Diz-lhe alguma coisa?

Espera que esteja mais esclarecido e que lamente ter insultado a Sal - uma pessoa, asseguro-lhe, autenticamente de esquerda e sem macaquinhos no sótão.
Se estiver, óptimo: estamos sempre a aprender.
Se não estiver, arranje umas penas e um bico e pinte-se de verde.

quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Agora a sério

Pois é.
Afinal, sempre houve carnaval. E lá se viram, um pouco por todo o lado, as costumeiras cenas de cortejos, dançarinas, carros alegóricos, fantasias, etc, etc. O problema é, como diz uma canção de Tom Jobim:

"A felicidade do pobre parece
A grande ilusão do carnaval
A gente trabalha o ano inteiro
Por um momento de sonho
Para fazer a fantasia
De rei, ou de pirata, ou jardineira
E tudo se acabar na quarta-feira."

Porque depois da festa os ricos, em Portugal, continuaram a ser ricos, e os pobres continuaram a ser explorados.

É importante pôr os pés na terra, não baixar os braços, demonstrar que estamos a perceber perfeitamente para onde querem levar este país.
E continuar a luta, continuar sempre.
Mesmo que paremos por um momento para rir, não podemos esquecer todos aqueles que só tem razões para chorar. E é pelos mais fracos, pelos oprimidos, pelos explorados, por todos os trabalhadores deste país que temos de dizer: Basta. Temos que mudar de rumo!

Este país precisa de outra política. Precisa de forte investimento na Saúde (e não de encerramentos compulsivos de serviços), precisa de uma forte aposta na Educação
(e não de perseguições aos professores como se eles fossem a causa de todos os males), precisa de Cultura (e não de especuladores de arte tipo Berardo).

Este país precisa de algo que este Governo não tem: Socialismo.
Mas agora, a sério.