
Vi há bocado uma notícia, disponível no site da RTP, que dizia:
"Venezuela: Nacionalizada a maior empresa de aço do país"
Caracas, 09 Abr (Lusa) - O presidente da Venezuela, Hugo Chávez, ordenou, hoje, a nacionalização da Ternium-Sidor (Siderúrgica do Orinoco), a maior empresa de aço do país, propriedade do grupo italo-argentino Techint, anunciou o vice-presidente venezuelano, Ramón Carrizales.
Em Portugal, há para aí um primeiro-ministro que afirma "à-boca-cheia" que "é urgente fazer reformas em certos sectores", que "as coisas como estão não podem ficar", blá, blá, blá, etc e tal... E toca de mexer em tudo. Ele é saúde, ele é educação, ele é a justiça; toca de pôr todos os profissionais uns contra os outros, e todos contra os funcionários públicos; toca de disparar em todas as direcções, para atingir, no fim de contas, os mesmos de sempre.
Na verdade o primeiro-ministro não quer mudar absolutamente nada. ("Mudar" no sentido que nós, portugueses, gostaríamos. Mudar, de forma a beneficiar a vida das pessoas). Não. Sua excelência quer é "mudar" de mãos determinados serviços. Quer transformar certos sectores em máquinas de fazer dinheiro, eliminar o que de democrático existir na sua organização, e depois, calma e tranquilamente, entregar tudo ao sector privado, onde se movimentam os seus amigos, e onde, certamente, à semelhança de outros fulanos que passaram por governos anteriores, (como recentemente fez Jorge Coelho), terá um lugarzinho ao sol à sua espera. Parece ser este o destino que o governo quer dar à escola pública, aos hospitais e centros de saúde, às maternidades, aos tribunais. Se não houver uma forte contestação, é isso que, certamente, pode acontecer. Felizmente, a luta está na rua.
Pusesse o senhor engenheiro Sócrates os olhos na Venezuela, onde se fazem reformas a sério, respeitando sempre a vontade soberana e as verdadeiras necessidades do povo venezuelano. Assim sim. Se dúvidas houvesse, basta ler a notícia para percebermos que o governo de Hugo Cháves está nos antípodas da governação socretina. Porque tem coragem para defender os interesses do povo; porque não exige mais sacrifícios aos mesmos, com ar moralista; porque não tem medo de nacionalizar; porque pensa primeiro nos trabalhadores venezuelanos, e não nos patrões...
E podia continuar por aqui adiante a enumerar as imensas diferenças entre uma governação que se diz socialista, em Portugal, com uma governação realmente socialista, na Venezuela. Mas tal como não há comparação entre o cu e as calças, também não há comparação possível entre o Sócrates e Hugo Cháves.