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segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Está tudo dito

...E o senhor presidente da Câmara de Viseu ainda diz, com ar prazenteiro, que esta é uma das melhores cidades para se viver... Como li algures: " Ele há cada um"...

Não resisti a levar emprestada a crónica de António Vilarigues do blogue "O Castendo", publicada há dias no "Público".
Imperdível. Ora leiam:

"O que custa apresentar listas de candidatos"

Pela primeira vez em 39 anos de militância partidária participei em processos de apresentação de candidaturas às autarquias locais. Desde a elaboração das listas até à sua entrega nos tribunais. A realidade, mais uma vez, ultrapassou tudo o que poderia imaginar.

Neste ano de 2009 muitos intervenientes no processo eleitoral evidenciam uma manifesta incapacidade em respeitar a legalidade democrática.

Nuns casos, por claro sectarismo político-partidário que rapidamente se transforma em actuações à margem da lei. Os exemplos, infelizmente, abundam e podem multiplicar-se. Um presidente de junta recusa-se pura e simplesmente a passar certidões de eleitor à CDU e só o faz quando intimado pelas autoridades competentes. Outro entretém-se a ameaçar putativos candidatos de que «ai deles» se por lá aparecer o respectivo pedido de certidão. No interior de uma Câmara funcionários, usando as suas funções hierárquicas, ameaçam trabalhadores seus subordinados que são candidatos, ou apenas apoiantes, de outras listas. Dezenas de presidentes de junta hostilizam e dificultam quanto podem este simples processo burocrático de obtenção de uma certidão de eleitor. Desde horários a prazos, passando por provocações políticas e mesmo pessoais, tudo serve.

Noutros casos, porém, é a realidade do país que somos que se impõem. Há presidentes de junta com uma actuação correcta, mas com manifestas dificuldades para responder a estas situações. Deixo aqui, à reflexão dos leitores, um caso exemplar.

Chega-se a uma aldeia e pergunta-se pelo horário da junta. «Está sempre fechada», respondem. E o presidente? «Está em casa». Vai-se até lá por caminhos ainda não alcatroados. O presidente está na lida da terra, a apanhar batatas. Diz-se ao que se vai. «Mas tem de ser agora?», interroga com ar natural e sem preconceito. Lá se vai à junta, pelos mesmos caminhos, e aí chegado constata-se a falta de óculos para ler. Pede a colaboração e nova viagem. Liga-se o computador e mais problemas. Gentil, fornece a password e lá se consegue obter três certidões de eleitor.

A questão é que este não é um exemplo isolado. Multiplicou-se, com diferentes cambiantes, por dezenas em quase todos os 24 concelhos do distrito de Viseu. Casos houveram em que, por aversão às novas tecnologias, certidões foram passadas à mão. Embora o programa informático para o efeito exista há já 8 anos e equipe todas as juntas de freguesia de Portugal.

Como parêntesis humorístico refira-se que numa câmara se realizou uma acção de formação sobre como, no dia da votação, informar os eleitores do seu respectivo número. Pois acreditem que presidentes de junta apareceram com «auxiliares» de 9 e 13 anos! E eram de diferentes forças políticas (PS e PPD/PSD). Estamos conversados!

Chegados aos tribunais os problemas persistem. E fica sem se perceber muito bem o porquê de certas actuações díspares. Num caso chegam ao extremo de exigir a apresentação de todos os bilhetes de identidade de muitas dezenas de candidatos. E se num lado se pedem requerimentos para tudo e mais alguma coisa, no outro, mesmo ao lado, podem-se resolver os problemas de forma expedita.

Resumindo. Neste distrito de Viseu o preconceito e o sectarismo político-partidário de quem está no poder são determinantes e condicionam mentalidades e actuações. Ser candidato da CDU (e não só) é – 35 anos depois do 25 de Abril de 1974 – na maioria dos casos, uma atitude de coragem pessoal. O que deveriam ser actos normais de cidadania transformam-se, por obra e graça de alguns, em autênticas batalhas políticas. Registe-se e reflicta-se sobre a tão propalada «qualidade» da nossa democracia.

In jornal "Público" - Edição de 21 de Agosto de 2009

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009

Desafio aos visitantes

Hoje vi uma notícia que me chamou a atenção:


"PSD com 20 medidas para aumentar competitividade PME"
(in www.rtp.pt)

PME. Grande sigla. Pequenas e médias empresas...
Portanto, a leitura que querem que façamos é a de que o PSD, um partido de direita que já esteve por diversas vezes no poder, sozinho ou em aliança com o CDS, está muito preocupado com as pequenas e médias empresas portuguesas e seus trabalhadores...
Deu-me uma imensa vontade de rir... Juro.
E, movida por uma curiosidade sórdida, fui ao site do PSD ver quantas entradas havia quando pesquisávamos pela palavra, ou sigla, "PME". O resultado foi fantástico. Podem ver aqui.
Movida por uma outra curiosidade, fui ao site do PCP fazer a mesma pesquisa, com a sigla "PME". O resultado foi este que poderão ver aqui. Para quem tiver dificuldade em perceber esta comparação, eu explico duas ou três coisas muito simples.
A saber: primeiro, estes dois partidos tem assento parlamentar. No que respeita a propostas de Lei apresentadas, fica claro quem tem trabalhado mais ao longo dos anos no sentido de proteger, incentivar e apoiar as PME's. Segundo: Essa preocupação não tem fins eleitoralistas, como aquele que está nas entrelinhas desta notícia que saiu hoje a público, e que referi no início do post. Para o PCP, a luta pela defesa dos direitos dos trabalhadores das PME's assim como a defesa das próprias PME's é uma questão ideológica que tem a ver com a sustentabilidade da economia nacional, (já que está na moda haver gente muito preocupada com esta última.) E por fim, para os mais cépticos, fica ainda a questão: quem é que faz a verdadeira oposição?
Desafio, pois, os visitantes a descobrir que partido se preocupa verdadeiramente com as pequenas e médias empresas.
Não tenham medo de descobrir a verdade. A verdade só faz mal a quem quer ser enganado.

segunda-feira, 21 de abril de 2008

A Direita Portuguesa


Hoje liguei o rádio e, pimba. Lá levo com as considerações idiotas do Júdice, numa rádio pública (eu estou a pagar para ouvir parvoíces?): que o PSD não tem líder, que a direita está desorientada, que a maioria absoluta do PS não deixa o PSD ocupar o seu espaço de sempre no espectro político português, blá, blá, blá.
É espantoso verificar a falta de coragem deste e de muitos outros comentadores de serviço para dizer aquilo que é verdade, e que já quase todos os portugueses perceberam: que o problema é a governação à direita levada a cabo por este Partido (que se diz) Socialista. A propósito da desistência de Luís Filipe Meneses, estou plenamente de acordo com o que foi escrito no blogue Cravo de Abril, e passo a citar:
"Na verdade, o governo PS/Sócrates tem levado tão longe a política de direita comum ao PS e ao PSD, que não deixa qualquer espaço de manobra a qualquer candidato à execução dessa mesma política. E seja quem for o substituto de Menezes, irá confrontar-se com idênticos obstáculos. É que já não há folclore alternante que pegue..."

Posto isto, pergunto-me até quando se vai ignorar a verdade? Até quando vão os portugueses assobiar para o lado?
A oposição às políticas de direita do Sócrates existe, caramba.
É feita pelo Partido Comunista Português. Mas até quando esta verdade vai ser escondida, abafada?

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2008

Computadores, Rotundas, Ruas e afins...

Pois é. Isto de estarmos habituados aos computadores tem muito que se lhe diga. Calhei de ter uma avaria no disco nesta semana que passou e lá foi o bichinho para a reparação. Veio de lá sem passwords, fiquei com trabalho atrasado, e outras coisas do género... E cá estou eu às tantas da manhã a fazer testes para as próximas duas semanas. É que o II período escolar está quase a acabar. (Rima e é verdade!)

Porém, não posso deixar de partilhar convosco uma notícia que vi sobre um BUZINÃO organizado pelo PCP na freguesia de Abraveses, Viseu. Ao que parece, o presidente Ruas permitiu que fosse cortada uma artéria importante da circulação naquela freguesia. Foi cortada por uma estrada larga, de duas faixas, chamada "circular norte". Mas quem concebeu o projecto não contemplou a estrada antiga (a estrada velha de abraveses) com nenhum cruzamento, nem com rotundas, já que nesta cidade pelos vistos, abundam rotundas, mesmo para espaços vazios.
O problema é que a população está indignada, tanto mais porque existe ali uma escola, e os pais dos alunos vêem-se obrigados a fazer cerca de um quilómetro a mais para seguir viagem, todos os dias, até à rotunda mais próxima.
Houve, então, um partido que se colocou ao lado da população nesta luta. O PCP organizou já várias iniciativas, sendo a última um buzinão no passado sábado dia 23, e, segundo as notícias, parece que correu muito bem.
Enfatizo esta notícia para rebater uma ideia que há uns tempos circulava, que Viseu seria a melhor cidade portuguesa para se viver. Havia até um estudo da DECO a acompanhar este raciocínio. Um estudo que me levanta as maiores dúvidas, uma vez que tinha uma amostra muito pouco representativa. Este estudo permitiu a Fernando Ruas, o presidente da autarquia viseense, vangloriar-se várias vezes na comunicação social, dando a entender que em Viseu tudo era perfeito.
Pelos vistos não.
Este pequeno exemplo revela as fragilidades da gestão autárquica viseense. Segundo fontes que não posso revelar, há muitos mais exemplos de arrogância do Fernando Ruas, que por seu turno, já afirmou não ceder a pressões, relativamente à construção de uma rotunda naquele local.
Bem... aquilo que Ruas chama de "pressão", eu chamo de justo protesto das populações. E agora, digam-me vocês, ele não foi eleito para as servir?