quinta-feira, 11 de setembro de 2008

11 de Setembro


Este dia é um dia estranho. Está marcado por duas acções que demonstram a que ponto pode chegar a maldade humana. Certamente lembrar-se-ão de 2001, e do ataque às torres gémeas, do World Trade Center, nos EUA.
Outros lembram-se de 1973 e do golpe de estado ocorrido no Chile, que depôs o presidente socialista eleito Salvador Allende, ficando em seu lugar Augusto Pinochet, sendo este, na verdade, um fantoche dos EUA.
De um acontecimento toda a gente fala, passou-se há menos tempo, tratou-se de um ataque terrorista, na era das tecnologias, ie, as pessoas assistiram de suas casas a tudo o que estava a acontecer em directo na televisão, como se de um filme se tratasse. Porém, o outro acontecimento, o tal de 1973, tem para nós, portugueses, um impacto maior. Talvez porque estávamos a uns escassos meses do 25 de Abril de 1974, ainda que não o soubéssemos, talvez porque também o povo chileno foi oprimido, talvez porque a resistência e a luta de uns tantos naquele país distante na América do Sul servissem de inspiração a uns tantos resistentes anti-fascismo neste nosso país.
Talvez porque...

Mundo cão, este!

Música para meio da semana...



Sempre gostei de ouvir a escrita musical de Mário Laginha. Que, aliás, continua cheio de génio, a compôr extraordinariamente bem. Na voz de Maria João, este tema de nome "Nazuk" remete-me para outras paragens. Uma Índia, no oriente, lá longe...
Encontrei esta montagem em video com imagens muito bonitas, e acabei por ficar outra vez apaixonada por este tema que já ouço há anos...

terça-feira, 9 de setembro de 2008

Sobrevivências (ou um post sobre vivências)

Festa do Avante: Fantástica! Três dias de sol no meu coração.
Apesar da chuva de sexta-feira, a fraternidade, solidariedade, amizade, confraternização e camaradagem fizeram-se sentir. Foi um momento de resistência (às condições atmosféricas) que demonstrou de que matéria são feitas estas pessoas estranhas que acreditam que podem mudar o mundo.
Viagem de regresso: Horrível. Tive um acidente na A1. Um carro projectou-nos para o separador central, uma roda saltou, e andámos às voltas, até nos imobilizarmos na berma. Ninguém se magoou.
Não é uma experiência agradável. Acreditem.
Conclusão: ainda não foi desta que se livraram de mim.
Cá continuarei a viajar neste Mar sem Sal.

terça-feira, 2 de setembro de 2008

Aprender, aprender sempre...



Encontramo-nos na Festa do Avante!
Há tanta coisa para aprender...

Que ninguém durma..

Nessum Dorma, uma das árias mais emblemáticas da fantástica ópera "Turandot", de um dos meus compositores preferidos, Puccini. Escutada ao vivo, é ainda mais arrebatadora. Acreditem. É talvez por isso que o público, delirante, bate sempre palmas no fim desta ária, interrompendo a narrativa.
Neste video vão ouvir Placido Domingo na situação real da ópera levada à cena. Os mais curiosos poderão acompanhar a tradução do italiano para espanhol, se perceberem espanhol (o que não é muito difícil). Mas não se fiquem por uma primeira audição a olhar para as legendas, ouçam-na outra vez (só dura 3 minutos e pico), com o volume bem alto e de olhos fechados... Os vizinhos aguentam, e a vossa percepção será outra...



Em breve, quem visitar a Festa do Avante, no Seixal, vai poder assistir à interpretação desta e outras árias de ópera. Já só faltam quatro dias...

domingo, 31 de agosto de 2008

"Silêncio e tanta gente"

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro o amor em teu olhar
É uma pedra
Ou um grito
Que nasce em qualquer lugar

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal aquilo que sou
Sou um grito
Ou sou uma pedra
De um lugar onde não estou

Às vezes sou o tempo que tarda em passar
E aquilo em que ninguém quer acreditar

Às vezes sou também
Um sim alegre
Ou um triste não
E troco a minha vida por um dia de ilusão
E troco a minha vida por um dia de ilusão

Às vezes é no meio do silêncio
Que descubro as palavras por dizer
É uma pedra
Ou um grito
De um amor por acontecer

Às vezes é no meio de tanta gente
Que descubro afinal p'ra onde vou
E esta pedra
E este grito
São a história d'aquilo que sou

Lembram-se da Maria Guinot? Que será feito dela? Gostei tanto desta canção...

sábado, 30 de agosto de 2008

Tugolândia's Crime

Encontrei uma excelente reflexão acerca do aumento da criminalidade. Redigida pela mão do Samuel, poderão encontrá-la (a reflexão, não a mão) no seu blogue, O Cantigueiro.
Efectivamente, a meu vêr, são precisamente estas três ideias que me ocorrem, emanadas dos últimos acontecimentos (e não me refiro só aos crimes, refiro-me à esquizofrenia dos mass media em torno deste tema):
1-a criminalidade aumenta em épocas de maior crise, a História assim o indica, e é isso que está a acontecer. (Não é de espantar: a miséria aumenta, a fome aumenta, logo, o desespero aumenta. Se estivéssemos nas mesmas condições de alguns destes desgraçados, sem pão para dar aos filhos, talvez não tivéssemos a mesma perspectiva que temos neste momento, já jantados, bem instalados, e com um computador à frente);
2-a provocar esta crise está todo um sistema neo-liberal implantado quer no plano nacional, devido às políticas de direita de Sócrates, quer no plano internacional, com a especulação em torno dos combustíveis a provocar o caos planetário, guerras estratégicamente criadas por causa de eleições nos EUA, crise dos cereais, etc, etc;
3- em Portugal, tal como tem acontecido noutros países, está a ser feito um aproveitamento político evidente: para o cidadão ter a necessidade de louvar as medidas de segurança, tem de existir, primeiro, o sentimento de insegurança, e é precisamente isso que estão a conseguir criar no seio da sociedade portuguesa.

Lembro-me muitas vezes da questão das armas, na América, e do excelente documentário de Michael Moore, "Bowling for Columbine", onde a dada altura ele consegue demonstrar que o povo nos EUA vive aterrorizado, comprando compulsivamente armas para se defender, por contraste com os vizinhos canadianos. De cada vez que o Bush desce nas sondagens, lá apanham um video do Bin Laden para passar em horário nobre, principalmente nos EUA e na Europa.
Quantos de nós não vimos aumentados os nossos seguros, do automóvel ou da casa, com direito a uma cartinha enviada pela seguradora, depois dos ataques terroristas às torres gémeas do World Trade Center...

Em suma, o terrorismo foi um bom argumento para criar toda uma série de "sistemas de segurança", que permitem saber demais sobre a vida das pessoas... Tal como agora o são os assalto em Alcabideche, Campolide, Loulé, Boliqueime, Famalicão, etc, etc..., que permitirão a este Governo, com uma ajudinha da imprensa, demonstrar aos portugueses com é "útil" ao país, como está a governar bem, a proteger as pessoas, e, já agora, "votem lá outra vez em nós e esqueçam que fomos nós, com o nosso novo Código do Trabalho, com os nossos cortes na Saúde e Educação, com a nossa corrupção, com o nosso apoio incondicional ao grande capital... que fizémos com que vocês chegassem a essa situação"...

sexta-feira, 29 de agosto de 2008

Música para o Fim-de-Semana

Aqui fica um "rebuçado" para aguçar o apetite daqueles que não vivem sem esta nobre arte que é a música. É por demais conhecida esta ária da "Carmen", mas é sempre bom ouvi-la bem tocada e bem cantada como é o caso deste excerto em vídeo. Magnífica interpretação da Teresa Berganza no papel de Carmen, numa produção do ano longínquo de 1980.
(Vamos poder ouvir esta ária muito em breve, na Festa do Avante!, logo na sexta-feira dia 5 de Setembro. Até lá, vão aprendendo a letra para poderem fazer o côro que faz o contraponto à solista. Não custa tentar. Vá lá: "l'amour...)



Habanera


L'amour est un oiseau rebelle
que nul ne peut apprivoiser,
et c'est bien en vain qu'on l'appelle,
s'il lui convient de refuser.
Rien n'y fait, menace ou prière,
l'un parle bien, l'autre se tait;
et c'est l'autre que je préfère:
il n'a rien dit, mais il me plait.
L'amour !


L'amour est enfant de bohème,
il n'a jamais connu de loi:
Si tu ne m'aimes pas, je t'aime;
si je t'aime, prends garde à toi!

L'oiseau que tu croyais surprendre
battit de l'aile et s'envola -
l'amour est loin, tu peux l'attendre;
tu ne l'attends plus, il est là!

Tout autour de toi vite, vite,
il vient, s'en va, puis il revient -
tu crois le tenir, il t'évite,
tu crois l'éviter, il te tient.
L'amour !

L'amour est enfant de bohème,
il n'a jamais connu de loi,
si tu ne m'aimes pas, je t'aime;
si je t’aime, prends garde à toi!
Si tu ne m'aimes pas, je t'aime,
si je t'aime, prends garde à toi!


quarta-feira, 27 de agosto de 2008

Voltei, oh não!!! Cá vai a 200ª mensagem...

Cum catano!
Não posso deixar-vos uns dias, começam logo a combinar sopas de pedra sem mim. Umpf!!
Pois tenho a dizer-vos o seguinte:
espero ansiosamente por uma magnífica festa que vai decorrer de 5 a 7 de Setembro, na Amora, Seixal. Até já vi umas fotos da sua montagem. Chama-se FESTA DO AVANTE! e, durante três dias, é o local mais bonito deste país,
é o sítio onde me sinto melhor, onde vou buscar tantas e tantas energias para voltar à luta do dia a dia, é mesmo uma festa muito especial, e só depois de se lá ir é que se tem a noção do que aquilo é. Infelizmente, nem toda a gente gosta desta festa, e todos os anos se assiste a uma tentativa de desmobilização dos possíveis visitantes, e para isso vale tudo, desde fazer leis que actuam especificamente contra a Festa, até contar mentiras. Esclarecedor o post do Cravo de Abril sobre esta matéria.
Entretanto, enquanto não chega a Festa, vou dar uma volta à Feira de S. Mateus, em Viseu (que não lhe chega aos calcanhares...aliás, parêntesis dentro do parêntesis, nem fica bem fazer comparações.) Só lá vou porque vou muito bem acompanhada.
E Pronto! Voltei!

sábado, 23 de agosto de 2008

Poema roubado por aí


Poema da flor proibida

Por detrás de cada flor
há um homem de chapéu de coco e sobrolho carregado.

Podia estar à frente ou estar ao lado,
mas não, está colocado
exactamente por detrás da flor.
Também não está escondido nem dissimulado,
está dignamente especado
por detrás da flor.

Abro as narinas para respirar
o perfume da flor,
não de repente
(é claro) mas devagar,
a pouco e pouco,
com os olhos postos no chapéu de coco.

Ele ama-me. Defende-me com os seus carinhos,
protege-me com o seu amor.
Ele sabe que a flor pode ter espinhos,
ou tem mesmo,
ou já teve,
ou pode vir a ter,
e fica triste se me vê sofrer.

Transmito um pensamento à flor
sem mover a cabeça e sem a olhar
De repente,
como um cão cínico arreganho o dente
e engulo-a sem mastigar.



Poema de António Gedeão, Obra Poética, Edições João Sá da Costa, 2001.
Foto de uma camélia do meu jardim. E vou dizer como a Maria: vou ali e já volto!
Bom fim de semana.