terça-feira, 21 de outubro de 2008

Professores domesticados? Não, obrigado!

É raro gostar de algum artigo que seja da revista Visão. Mas desta vez, recebi este texto por email, fresquinho.. Confesso que o segundo parágrafo aqui transcrito me fez pensar alto um "Exactamente", e senti vontade de partilhar isto convosco.

O ambiente das escolas é agora de ansiedade, com a corrida ao cumprimento das centenas de regulamentações que desabam todos os dias do Ministério para os docentes lerem, interpretarem e aplicarem. Uma burocracia inimaginável, que devora as horas dos professores, em aflição constante para a conciliar com uma vida privada cada vez mais residual e mesmo com a preparação das lições, em desnorte com as novas normas (tal professor de filosofia a dar aulas de "baby sitting" em cursos profissionalizantes) - tudo isto sob a ameaça da despromoção e do resultado da avaliação que pode terminar no desemprego (...)

No processo de domesticação da sociedade, a teimosia do primeiro-ministro e da sua ministra da Educação representam muito mais do que simples traços psicológicos. São técnicas terríveis de dominação, de castração e de esmagamento, e de fabricação de subjectividades obedientes".

In "A domesticação da sociedade", José Gil, Visão, 2/10/2008

E acrescento esta ideia: as "técnicas terríveis de dominação" a que se refere este cronista (nem sei como esta tirada passou na censura...) servem, nada menos nada mais, senão a uma única parte interessada: ao grande Capital. A este interessa, sobretudo, que as pessoas sejam acríticas, "bem comportadinhas", que se sintam intimidadas a fazer greves, manifestações, críticas ao(s) governo(s), etc , e - técnica ainda mais refinada - ensinem pelo exemplo (ou pior ainda, pelas palavras) os nossos estudantes a ter exactamente essa atitude. Domesticados, pois. Para podermos ser explorados até ao tutano.

Mas a luta aí está. Todos os dias. Para desmontar este grande esquema, e impedir que alastre. No que depender de mim, não vai haver domesticação nenhuma! Somos livres. Não voltaremos atrás. Disse.

9 comentários:

Lúcia disse...

O texto é do José Gil. Só um dos maiores filósofos pensadores (parece incongruência mas não é)que este país tem. Tudo dito!
Beijinhos, Sal

Justine disse...

Exactamente, Sal! As técnicas são conhecidas, as finalidades também, é então necessário desmascará-las e combatê-las pela subsversão, pela transgressão, pela liberdade.

em azul disse...

Somos livres... de voar!

Um beijo

Fernando Samuel disse...

E disseste bem.

Um beijo.

Susete Evaristo disse...

Eu posso ser doméstica no sentido de que gosto dos trabalhos de casa. Sou porém indomesticável no que diz respeito a porem-me a pata em cima.
Aí reajo como uma fera e digo bem alto: NÂO!
Beijinhos

pedras contra canhões disse...

Para o que possa contar. O PCP já tornou a apresentar o seu contribto na Assembleia da República, através de um Projecto de Resolução para a suspensão imediata do processo de avaliação imposto pelo governo.

pedras contra canhões disse...

Para o que possa contar. O PCP já tornou a apresentar o seu contribto na Assembleia da República, através de um Projecto de Resolução para a suspensão imediata do processo de avaliação imposto pelo governo.

samuel disse...

Que a voz não te doa!

Abreijos

Maria disse...

Caminho ao teu lado!

Beijinhos