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quinta-feira, 7 de fevereiro de 2008

Ensino Artístico (2)


O Governo mente. Isto já não é novidade.
Mas agora chegou-me a mostarda ao nariz!
A notícia de hoje que podem ver no site da RTP revela o que pretende este Governo. Não se deixem enganar.
O regime Supletivo é o mais requisitado porque nem sempre as crianças descobrem aos 10 anos de idade que querem seguir profissionalmente a profissão de músicos. A escolha profissional decide-se aquando da passagem para o ensino secundário (10º ano). É bom recordar, em abono da verdade, que a esmagadora maioria dos músicos profissionais portugueses frequentou o conservatório em regime supletivo. Este regime de frequência é também o mais indicado para possibilitar a adultos a sua inscrição em escolas especializadas. Ou, porque se é adulto, não se pode estudar no ensino especializado? Até no ensino regular, os adultos que deixaram de estudar podem voltar à escola, e ter a oportunidade de seguir uma carreira nova. Quando digo "adulto" também posso dizer "jovem". Basta ter 15 anos e querer estudar música para já não o poder fazer numa escola especializada. "Porque é que não te lembraste disso quando tinhas 10 anos?!"
É bom dizer, em abono da verdade, que não existe uma rede de escolas públicas de ensino especializado. E que as escolas que fazem uma cobertura mínima do território português são particulares. Mas, contrariamente ao que acontece no ensino regular, muitas delas são de raiz associativa ou de gestão autárquica, não tendo fins lucrativos, e desempenhando um papel social importante. Não são comparáveis a colégios privados, nem devem, por isso, ser tratadas como tal. Eu acho que deveriam nacionalizar uma boa parte das academias e conservatórios privados, senão todos. Porque aí sim, estariam a permitir a centenas de crianças o acesso a este tipo de ensino (uma vez que, neste momento, não tem condições de pagar propinas). Essa medida daria prossecução aos objectivos deste ME: aumentar o número de alunos que frequentam o ensino artístico. Ah, pois. Mas isso precisaria de... investimento! E o Governo não quer gastar dinheiro com o ensino artístico. Por isso é que se esconde atrás de "nobres objectivos" e adopta uma série de medidas que vão lesar alunos e professores, e, no limite, a Cultura deste país. Como a decisão de acabar com as Iniciações.
É bom lembrar que as classes de Iniciação são fundamentais neste ensino. Acabar com elas é comprometer o futuro. Nos conservatórios as crianças já podem aprender um instrumento musical mesmo antes dos 10 anos, i.e, na Iniciação. Se isto for para a frente nunca mais teremos uma Maria João Pires - que começou a tocar piano aos 4 anos - nunca mais teremos fotos como a que vos deixo.

sábado, 2 de fevereiro de 2008

Ensino Artístico

Eu não avisei?!
Ainda há pouco tempo me referia à comissão designada pelo Governo para estudar a reforma do ensino artístico. Ironicamente, tinha afirmado que esta concluiria exactamente aquilo que o Governo quer, para cumprir uma agenda que nós músicos e professores desconhecemos. Aí estão as mais recentes declarações do Ministério da Educação relativamente ao futuro deste tipo de ensino. Desfeitas as dúvidas, estamos pela primeira vez de que há memória em Portugal, perante a hipótese de extinção do ensino especializado de música.
Já há movimentações por parte de alguns colegas meus no sentido de travar as intenções do Ministério da Educação. Existe uma Petição que recomendo vivamente a todos que assinem. O link está aqui ao lado deste post, caso ainda não tenham visto.
A quem desconhece as particularidades deste tipo de ensino aponto 2 razões fortes para assinar:
1 - Não há uma rede de escolas públicas de ensino especializado, e não acredito que ESTE Governo a construa;
2 - O ensino integrado serve uma minoria de alunos. Se a reforma for para a frente vamos diminuir e não aumentar o número de alunos nas escolas de ensino especializado.

E fico por aqui. Até porque esta matéria promete pano para mangas.

segunda-feira, 21 de janeiro de 2008

Refundação do ensino artístico

Tem sido uma característica do Sócrates passar a ideia de que era preciso "mudar" o país, de que era preciso fazer "remodelações" em vários sectores e... tanto tem insistido nessa ideia que ainda há quem se deixe enganar, e confunda "arrogância bacoca" com determinação, que é coisa bem diferente.
Pois então, à semelhança da Saúde, da Educação ou da Justiça, eis que de há um ano para cá, o Governo se lembrou de levar para a frente aquilo que chama de "refundação do ensino artístico".
Assim, o gabinete da "Milu" (para quem não sabe, é o nome carinhoso da nossa Ministra da Educação), fazendo exactamente aquilo que faz noutras áreas, encomendou um relatório e criou uma comissão. Até parece que estou a falar do novo aeroporto. O relatório dado a conhecer no ano passado dizia exactamente aquilo que Sócrates pretendia: que tinham de se mudar determinadas características deste tipo de ensino, blá, blá, blá, e, basicamente, torná-lo insignificante, "que é para não pesar no orçamento". A comissão... lá continua a labutar, e, qualquer dia, é vê-la anunciar uma data de medidas "refundadoras" que terão como consequência o encerramento de várias escolas do ensino especializado de música, o desemprego de vários professores habilitados, o fim da oportunidade de alunos jovens e adultos poderem frequentar este tipo de ensino, entre outras consequências "menores" como por exemplo... nunca mais ser criada uma rede de escolas públicas de ensino especializado, e continuarmos a ter conservatórios de música apenas no litoral, e a norte do rio Tejo.
A comissão responsável pela refundação do ensino artístico integra pessoas que tem alguma experiência no sector. Mas parece que estas correm o risco de se deixar enganar pela "máquina" socialista. Para elas o meu apelo: Acordem! O Sócrates vai acabar com o ensino especializado de música. E vocês vão dar uma ajuda...

Espero não ter razão....