sábado, 29 de agosto de 2009

A Liberdade segundo Miguel Torga

-Liberdade, que estais no céu...
Rezava o padre-nosso que sabia,
A pedir-te, humildemente,
O pio de cada dia.
Mas a tua bondade omnipotente
Nem me ouvia.

-Liberdade, que estais na terra...
E a minha voz crescia
De emoção.
Mas um silêncio triste sepultava
A fé que ressumava
Da oração.

Até que um dia, corajosamente,
Olhei noutro sentido, e pude, deslumbrado,
Saborear, enfim,
O pão da minha fome.
-Liberdade, que estais em mim,
Santificado seja o vosso nome.


Miguel Torga, in 'Diário XII'

6 comentários:

linhadovouga disse...

Bem, bem! Grande Torga!

...

Acho que já sei porque te tens cruzado com estes poemas sobre liberdade...

Fernando Samuel disse...

A importância de «olhar noutro sentido»...

Um beijo.

Justine disse...

Santificado seja!
(Até 6ª?)

samuel disse...

Amén!

GR disse...

Brilhante!

bjs,

GR

Lúcia disse...

E há quanto tempo os meus olhos não caíam nestas palavras!
bemdito poeta que assim escreve: santas palavras!
Beijitos