quarta-feira, 9 de julho de 2008

Música na Voz


Não sei como começar este post. A sério. Porque faltam-me adjectivos para descrever estes dois:
Bobby McFerrin e Aziza Mustafa Zadeh. Quem por cá vai passando já percebeu a minha simpatia e admiração por estes dois artistas, cantores multifacetados, músicos com uma grande formação jazzística, erudita e tradicional. Ele, além de um dos nomes maiores da World Music, é também maestro. Ela, além de fantástica cantora, é uma exímia pianista, como já puderam apreciar na "música para o fim de semana" de 10 de Fevereiro.
Juntos, então, transformam três minutos de música numa experiência alucinante.
Reparem na Habanera, da ópera Carmen, cantada por estes dois. Arrepiante.
E a improvisação em duo?
É caso para dizer: quando fôr grande quero ser como eles...




Concertos de Música Portuguesa

Quem andar pelos lados de Lisboa pode ir ao:

FESTIVAL

MÚSICA PORTUGUESA, HOJE

UM RETRATO DA CRIAÇÃO MUSICAL PORTUGUESA

COMISSÁRIOS:
ANTÓNIO PINHO VARGAS, PEDRO SANTOS E RODRIGO AMADO

PREÇO: 5€ POR CONCERTO

CCB, 11.12.13 JULHO 2008


terça-feira, 8 de julho de 2008

Ensino Artístico pela... quinquagésima vez (e acho que não é a última)

Não tenho a capacidade de adivinhar o futuro, mas confesso que se não fosse pela capacidade de acreditar nas pessoas, e na mudança, ser-me-ía muito difícil continuar ligada ao meu ramo profissional. Felizmente vou tendo a sorte de conhecer bons alunos, que nem sempre são os melhores alunos no sentido musical do termo, mas outras vezes são.
Também vou tendo a sorte de conhecer bons colegas de trabalho, bons músicos, boas pessoas. Vou tendo a sorte de me serem dadas condições para desenvolver os projectos profissionais em que me envolvo.
Mas este ano tudo está a mudar. As escolas de ensino artístico especializado (EAE) preparam o próximo ano lectivo. As directrizes por parte do Ministério da Educação são, este ano, diferentes dos anos anteriores. E, à semelhança do que acontece noutras áreas, quando este Governo mexe em algo é com o objectivo claro de preparar o "bolo" para entregar aos privados. Não é à toa que Valter Lemos aparece num jornal da AEEP a enfatisar as virtudes do ensino Particular e Cooperativo, assim como o ensino profissional, afirmando que as escolas do EPC fazem serviço "público"...
Aí está o novo subterfúgio: fazer serviço público com oferta de uma rede de escolas privadas!
Este Governo inventou a pólvora!
Face às alterações previstas quer nos currículos, quer na estruturação do ensino especializado de música, quer no financiamento deste, levantam-se, neste momento, algumas dúvidas:
1- Porquê realizar a reestruturação ou redefinição da rede de escolas de EAE a partir do que existia? Porque não conceber novas escolas públicas que fizessem uma cobertura lógica, democrática, homogénea de todo o território português, ou criando escolas de raiz, ou nacionalizando escolas privadas com trabalho feito?
2- O financiamento previsto fará justiça às reais necessidades dos alunos e professores nos devidos cursos (básico e complementar), nos respectivos regimes de frequência? É que um aluno com 3 disciplinas no básico gasta menos que um aluno do complementar, porque este último tem 7 disciplinas...
3- Implementa-se o (já existente) regime articulado, mas... quem sensibiliza as escolas do ensino regular para a criação de turmas dedicadas, ie, turmas só com alunos do conservatório? Quem se responsabiliza por transportar os alunos aos conservatórios? A articulação é deixada ao sabor de cada escola, de cada agrupamento, de cada autarquia...

E, posto isto, preocupa-me o seguinte: de acordo com as novas directrizes, mesmo os alunos em regime supletivo (que andam desfazados na escola do ensino regular e não em simultâneo, como os de articulado), terão de ter algum paralelismo com os anos de frequência na escola. Isto fará com que uma criança que queira aprender música aos 14 anos já não o possa fazer, a não ser que pague muito, mas mesmo assim não obterá paralelismo entre um 1º grau no EAE e um 8º ano, por exemplo.
Portanto... Ou os putos decidem que querem estudar música até aos 12 anos, ou então... ficam fora do sistema. Ponto Final.

Que futuro vem aí?

domingo, 6 de julho de 2008

"Um Dia" de Sophia

"Um dia, gastos, voltaremos
A viver livres como os animais
E mesmo tão cansados floriremos
Irmãos vivos do mar e dos pinhais.

O vento levará os mil cansaços
Dos gestos agitados irreais
E há-de voltar aos nosso membros lassos
A leve rapidez dos animais.

Só então poderemos caminhar
Através do mistério que se embala
No verde dos pinhais na voz do mar
E em nós germinará a sua fala."

de Sophia de Mello Breyner Andresen

sábado, 5 de julho de 2008

Música para o Fim-de-Semana

É simplesmente, absolutamente fantástica , esta obra do compositor impressionista Claude Debussy, que é, definitivamente, um dos meus compositores favoritos.
Plena de sensualidade, esta obra escrita a partir de um poema de Mallarmé, e estreada em Paris em 1894, dá pelo nome de "Prélude à l'aprés-midi d'un faune", que poderá ser traduzido para "Prelúdio à tarde de um fauno" (também já vi versões que dizem "à sesta" de um fauno, apesar de não ser o mais correcto...). Por hábito profissional prefiro sempre referir-me aos nomes das obras na língua original, e é certo que em francês este "Prélude" é muito mais sensual, é mais evocativo da cena que pretende retratar: um fauno, um desses seres que habitam os nossos bosques, meios homens, meios animais, cheio de desejos, a acordar, na languidez da tarde quente, perseguindo as ninfas assustadas, rindo, brincando... ih ih..

Aqui ficam 10 minutos plenos de beleza e originalidade enquanto a Berliner Philharmoniker Orchestra toca Debussy, dirigida por Simon Rattle.

sexta-feira, 4 de julho de 2008

Para onde vão os impostos...


Já passou um ano desde que Joe Berardo transferiu para o CCB parte da sua colecção de arte contemporânea, depois de ter celebrado com o estado português um contrato - que foi designado por acordo de comodato, seja lá o que isso fôr - onde certamente se assegura de que não perderá dinheiro com o "aluguer" das peças para exposição pública. Foram divulgados os dados relativos ao aumento de visitas ao CCB desde essa altura: parece que já houve 500 mil visitantes...
Um ano passado, é tempo de fazer o balanço desta parceria de um equipamento público com a Fundação Berardo.
Pergunto-me:
1- os visitantes sairam mais conhecedores da arte dos nossos tempos, ou foram vêr a Colecção Berardo apenas porque está na moda, e teve um tratamento mediático muito grande?
2 - o estado português pode comprar a Colecção até 2016, tendo por isso que conceder anualmente 500 mil euros, assim como Joe Berardo, que concede montante igual. Vale a pena gastar este dinheiro? Ou não seria melhor fazer uma distribuição mais equilibrada, descentralizando e tentando esbater as assimetrias que existem neste país, também em termos culturais?
3- as despesas de funcionamento, apesar de serem repartidas pelas duas partes, ascendem a 3 milhões de euros. O estado português forneceu um local de excelência à Fundação Berardo. Roubou espaço (nove mil metros quadrados, pelos quais Berardo recebe uma compensação!) e retirou à Fundação CCB a sua valência de exposições. Não deveria ser o Berardo a suportar as despesas inerentes ao funcionamento do Museu com a sua colecção?

Para terminar, há aqui uma conta que até me parece ser fácil de fazer:
o Ministério da Cultura através da Direcção Geral das Artes, atribuiu recentemente 2 milhões e 100 mil euros a cerca de 140 projectos artísticos das mais diversas áreas (música, teatro, dança, fotografia, artes plásticas, artes digitais, arquitectura, design, transdisciplinariedade), oriundos de todas as zonas do país; o Museu Berardo tem despesas superiores, ou vá lá, na melhor das hipóteses, equivalentes a este montante. Berardo não é um artista. É um especulador de arte. Ele não produz nada. Faz dinheiro com o trabalho artístico de outros. Ele não ofereceu nada ao estado português, porque um homem de negócios não entra num protocolo destes para perder dinheiro.

Também na área cultural Sócrates está a entregar de bandeja o dinheiro dos contribuintes ao grande capital. Estamos a ser roubados a olhos vistos. E o investimento na Cultura portuguesa não passa, certamente, por sustentar um especulador de arte.

O Futuro

Esta tira foi levada emprestada do blogue A Dupla Personalidade.
Achei tanta graça que não resisti!

quinta-feira, 3 de julho de 2008

Haja estômago para ser português

Sócrates anda entusiasmado com a sua própria obra. O nome mais correcto para este indivíduo seria Narciso, dado o seu gosto pela sua própria pessoa. O Primeiro-Ministro deste país acha que tudo vai de vento em popa, por cá.
Mas na verdade, Sócrates vive numa realidade à parte de todos os outros portugueses.
Este não é o país do desenvolvimento: é o país das assimetrias entre interior e litoral, entre norte e sul;
Este não é o país das novas oportunidades: é o país do desemprego a aumentar;
Este não é o país do simplex: é o país da burocracia, do mete-medo-ao-contribuinte;
este não é o país da segurança: é o país da instabilidade laboral, da vassalagem a novos códigos de trabalho que vão afundar mais na lama quem já está com a lama pelo pescoço;
Este não é o país do Berardo: é o país do Parque Arqueológico de Foz Côa que não tem orçamento para fotocópias a cores;
Este não é o país da Justiça: é o país que vê morrer um polícia em trabalho, quando a moto onde circulava se parte a meio por ser velha, sem que ninguém se tenha ainda preocupado em indemnizar a viúva e os seus filhos menores.

Este é o país do Sócrates.
Não é o país que queremos.

quarta-feira, 2 de julho de 2008

Música para meio da semana...



Adoro este tema "Adios Nonino". O seu autor, Astor Piazzola, foi um homem inspirado, impulsionador do tango argentino para os ouvidos do mundo.
Piazzola continua a encantar gerações.
Confesso que já fui mais fã da sua linha de composição, apaixonada, vibrante de emoção, e até violenta - musicalmente falando. Comecei por ouvir algumas coisas dele quando ainda era aluna no conservatório, e nessa altura ainda não existia a categoria "World Music", ou "Músicas do Mundo" nas lojas de discos.
Quererá isto dizer que estou a ficar "Kota"?
Também me pergunto de onde serão as outras músicas, como a Clássica, ou a portuguesa, ou o Jazz... Não são músicas do mundo, também? Enfim... Depende do conceito de mundo, e em que lado do mundo se está..


terça-feira, 1 de julho de 2008

Este post não é um post a sério

Estava eu para aqui a começar a escrever um post sobre as Farc e sobre a recorrente questão - já começa a ser hábito - que todos os anos alguns tipos com minhocas na cabeça levantam, a propósito da inexistente presença das Farc na Festa do Avante, e passei os olhos pelo blogue do Samuel. Não é que ele tem um excelente post sobre este assunto no Cantigueiro? Recomendo a sua leitura, porque melhor não faria, certamente. Mas isto de andar a saltitar suavemente de blogue em blogue, como um elefante de nenúfar em nenúfar, tem destas coisas. Encontrei um texto de grande qualidade no blogue amigo do Linha do Vouga, consubstanciado num eloquente elogio a dois homens que já não estão entre nós, Vasco Gonçalves e Álvaro Cunhal. Vale a pena lêr.
E pronto!
Hoje não tenho post, propriamente dito.
Ainda bem que há gente mais inspirada que eu!!
(Mas caramba...Não se pode ser brilhante todos os dias... LOL)

:-)