segunda-feira, 28 de janeiro de 2008

Tourém não vem no mapa?

Estive recentemente em
Tourém.
Localizada no concelho de Montalegre, no norte de Portugal, esta aldeia de gente afável e boas paisagens sofre de um problema de discriminação por parte das operadoras de telemóveis. Não é que passam a vida a pagar chamadas com roaming, como se Tourém fosse em Espanha? As operadoras não têm antenas por perto... conclusão: os telemóveis apanham rede espanhola. E a tmn, vodafone e optimus estão-se nas tintas para a injustiça de que estão a ser alvo os habitantes de Tourém.
Alguém mais pragmático poderá dizer, "E quê? desde quando o telemóvel é um bem de primeira necessidade?" É aqui que começa o problema. As sucessivas políticas dos governos que tivemos no passado, e temos no presente, já encerraram escolas, serviços de saúde, maternidades e até esquadras de polícia por aquelas bandas. Para terem determinados serviços é quase imperioso ter um telemóvel, visto que a urgência para certas situações pode ser muita (dada a distância a que ficaram os serviços). E nada se faz sem ter rede no telemóvel. Ainda me lembro de um mecanismo de protecção de incêndios que foi posto em acção há uns anos: a distribuição de telemóveis a pastores. Lembram-se? Ó meus amigos.... em Tourém os pastores têm de ter roaming, senão as serras do Gerês e do Larouco bem podem arder....
O capitalismo feroz que faz mover estas empresas, que só pensam no lucro fácil, atropelando qualquer sentido de moralidade, associado às políticas do Governo, de destruição de todos os bens públicos, fazem com que os mais pequeninos se sintam filhos bastardos deste país. E a propósito de filhos, dizia-me a D. Elisa que quando teve a sua "mais velha" decidiu mudar-se uns dias antes da data prevista para o parto para casa de família que vivia em Chaves. Agora a maternidade de Chaves está fechada. "E quem é que arrisca ir com dores por aí fora, pelas estradas, durante duas horas até ao hospital de Vila Real?" Tourém não é uma terra portuguesa? Os habitantes de Tourém não pagam impostos, como os de Lisboa e Porto?
Já estou farta de "tugolândia".

5 comentários:

Fernando Martins disse...

Parabéns, Helena, pela tua decisão de viajar pelo mundo da blogosfera. Mas também pelo mundo dos homens e mulheres do nosso tempo, ajudando a construir um mundo muito melhor.

Fernando Martins

Antuã disse...

O ministro foi-se mas a política criminosa vai continuar. Já conhecem a história da nova ministra com o Hospital amadora-Sintra?!...

GR disse...

Quem é a nova ministra da Saúde?

Foi presidente da Administração Regional de Saúde de Lisboa e Vale do
Tejo na época em que Maria de Belém foi Ministra da Saúde. Foi nesta
qualidade que foi acusada pelo Ministério Público, juntamente com outras
25 pessoas, de ter efectuado pagamentos indevidos ao Hospital
Amadora-Sintra. Só a Ana Jorge, o Estado pedia mais de 3,5 milhões de
euros.
Mas, mais tarde, um tribunal arbitral veio afinal dizer que estavam correctos os montantes entregues àquela unidade do Grupo Mello.

Continuamos com esta dama "Alegrista" a ter uma política desumana e prepotente.
O que nos espera é, continuarmos a Lutar!

Sal,
Gostei muito do teu texto.

GR

Anónimo disse...

Foi com grande surpresa e emoção que encontrei o seu blog.
Muito obrigada pelo comentário, gostei muito de ver que se interessou pela nossa aldeia, pelos nossos problemas e sobretudo pela natureza que nos rodeia. Um beijo e até sempre,
Maria Elisa - Casa dos Braganças

Isabel disse...

foi com alguma surpresa e orgulho de ver escrito o nome da minha aldeia e de falar sobre alguns dos nossos problemas, sou uma "emigrante" a viver em Lisboa, e de facto, é de lamentar nos tempos que correm existirem estas lacunas em Portugal.
Obrigada por mais uma voz pela nossa aldeia. um bem haja.
Isabel Andre Alves