quarta-feira, 23 de janeiro de 2008

Tratado Europeu... ma non tropo

A propósito do Tratado de Lisboa já muito foi dito, mas encontrei no editorial do jornal "Associação" (jornal da APD - Associação Portuguesa de Deficientes) algumas ideias de uma rara clareza face aos factos. Aqui vai, pois, a transcrição na íntegra desse mesmo editorial. O texto é escrito por um cego, parece, no entanto, que a sua visão alcança mais longe que a de muitas outras pessoas, dotadas da capacidade de ver. É que.... há cegos e há ceguinhos. E uma grande porcentagem de portugueses pertence à segunda categoria. Voltemos ao Tratado, só para reforçar o óbvio: subscrevo inteiramente este editorial intitulado "Vamos a Votos", de António Matos Almeida. (Os mais interessados podem ir a http://apd.org.pt)

"Ao mesmo tempo que o povo português encontra cada vez mais dificuldades para sobreviver, no momento em que os cidadãos deste país na parte mais ocidental da Europa sentem que a saúde, o trabalho, a educação e outros direitos fundamentais começam a ficar cada vez mais longe, os responsáveis de Portugal não olham a despesas para realizar cimeiras e acolher tratados de interesse nacional mais que duvidoso.
Ao mesmo tempo que num país da América Latina, a Venezuela, um Presidente eleito e sujeito a outros testes eleitorais, apesar de ser apelidado de “tirano” pelos “democráticos” comentadores “políticos” da Europa, apresentou a referendo ao seu povo uma reforma constitucional, os governantes do Velho Continente tudo fazem para que neste continente um “Tratado” que implica a perda de soberania dos respectivos países entre em vigor sem ouvir os povos europeus. Com a afirmação da representatividade dos seus governos o que se pretende é fazer reformas que impõem um novo estilo de vida sem que os povos possam dizer qulquer coisa a este respeito. No entanto, o mais grave é que a negação de qualquer referendo tem por base o receio indisfarçado do voto popular ser contrário às intenções dos “democratas” europeus.
Sentimos e ouvimos catedráticos que a seguir ao 25 de Abril de 1974 eram tão revolucionários a chamarem a si argumentos que já não se ouviam desde o tempo de Salazar. Então não é verdade que se afirmava que o povo português não estava preparado para a democracia e para votar, tal como agora tais catedráticos afirmam que o “Tratado de Lisboa” é complexo demais para que o povo o possa compreender e referendar?!... Então será que os Portugueses serão mais estúpidos que os povos Venezuelanos?!...
Nós os portugueses, que temos sido tão maltratados pelos que nos últimos tempos têm tido o poder, nós, as pessoas com deficiência que temos sido consideradas privilegiadas queremos ser ouvidas. Vamos a votos!..."

1 comentário:

Mide disse...

Ou como, para os agentes políticos dos donos da economia, a democracia vem em embalagens descartáveis. Para usar enquanto servir, rejeitar e voltar a usar de novo uma nova dose quando voltar a servir.