terça-feira, 22 de julho de 2008

Ensino Artístico na AR (2)

Há quem não durma em serviço. Congratulo-me pelo deputado comunista Miguel Tiago ter intervindo na AR revelando como nenhum outro deputado de outro partido político conseguiu fazer, revelando, dizia eu, toda a verdade que está por trás das intenções do Governo de Sócrates relativamente ao meu sector de ensino: o ensino especializado de música, ou ensino artístico (EA), como lhe queiram chamar.
Convido-vos a conhecer na íntegra a intervenção certeira e eficaz de Miguel Tiago sobre a escola pública (basta clicar), no entanto, não posso deixar de destacar duas ou três ideias mais concretas que dizem respeito ao EA:

"Nos princípios de Julho, o Governo aponta duas novas machadadas contra o Ensino Artístico Especializado, particularmente contra o Ensino da Música, com a publicação de Despachos do Ministério da Educação que alteram as condições para a matrícula em Escolas de Ensino Artístico e os critérios e formas de contrato de patrocínio com essas instituições. A dois meses do início do novo ano lectivo e após momentos de acesa discussão entre os agentes educativos, o Ministério da Educação e mesmo esta Assembleia, após a intensa mobilização de professores, famílias e estudantes de praticamente todas as escolas públicas do ensino especializado da música do país, o Ministério determina regras que fazem tábua rasa de todos os contributos que foram entregues pelas escolas, pelos alunos, pelos pais, pelos partidos políticos. O Governo quer agora que nenhum estudante com mais de 18 anos possa ingressar no regime supletivo do Ensino Especializado da Música, ao mesmo tempo que obriga os alunos a frequentarem todas as disciplinas dos planos de estudos regular e especializado, aumentando as suas cargas horárias para 44 horas semanais em alguns casos; da mesma forma o Governo impõe regras tão restritivas que se tornarão impeditivas da frequência para muitos, mostrando também assim desconhecimento da diversidade de características de cada situação no que toca ao Ensino Especializado da Música.

Ao mesmo tempo, o Governo anuncia os novos critérios de financiamento do Ensino Especializado da música onde torna clara a sua estratégia de obter pelo financiamento aquilo que não obteve pela discussão democrática. Através de uma comissão o Governo beneficia financeiramente o modelo de escola tipo integrado - que tenha todas as disciplinas no mesmo espaço - ou seja, os colégios privados - e pune as pequenas escolas particulares e a maioria das escolas públicas."

Boa, Miguel Tiago!
Depois disto, espero sinceramente que, finalmente, alguns colegas meus comecem a ter noção de que há apenas um único partido que na hora da verdade está do seu lado, denunciando a verdade que se esconde por trás das acções deste Ministério da Educação.
Só o PCP fez, neste debate na AR, a leitura correcta das consequências destas medidas, que são tão gravosas para os alunos como para os professores do EA.

8 comentários:

APSL disse...

nao se esqueça de ir ver :
http://pensamentolivres.blogspot.com/
e comentar...

salvoconduto disse...

Na música comono resto.

Lúcia disse...

Olha Sal, como sabes não sou comunista. Mas tenho que reconhecer sem qualquer dificuldade que ao longo dos anos de trabalhos democráticos na AR o PCP é o partido que mais tem apresentado propostas constutivas, mesmo que possa discordar de algumas. E no último debate da nação o discurso do Jerónimo foi, de longe, o melhor. Mas a léguas dos restantes.
Beijinhos

Fernando Samuel disse...

É o que eu costumo dizer aos que dizem que os partidos são todos iguais: o PCP é diferente dos que são todos iguais...

Um beijo amigo.

Justine disse...

Tenhamos esperança que, pouco a pouco, a voz com verdade seja ouvida por cada vez mais gente. Textos como o teu ajudam!

pedras contra canhões disse...

é um grande partido. e este blog contribuiu significativamente para a intervenção!

samuel disse...

Bom texto, bom blog!

Abreijo

Sal disse...

E os professores dos conservatórios a "dar em doidos" nesta altura do ano, a tentar organizar o próximo ano lectivo, com o sub-financiamento atribuído recentemente, divulgado numa legislação muito recente (início de Julho), que compromete seriamente o futuro deste tipo de ensino. Haja pachorra!

Beijinhos a todos e continuação de boa semana!