terça-feira, 15 de julho de 2008

Ministra da Educa...quê?

Eis um artigo muuuuito pertinente recebido por email, que vale a pena partilhar.
Se estiverem com azia não leiam: é um texto um bocado ácido... É sobre a Ministra da Educação...

O asnear de Sua Excelência

Santana Castilho

Professor do Ensino Superior

Um ministro não pode ignorar que a sua exposição pública é diferente da do cidadão comum. Esse elevado grau de sujeição ao escrutínio dos cidadãos cresce com a vulnerabilidade de determinadas pastas e volta a crescer se o titular entra em confronto permanente com os que funcionalmente tutela. Por outro lado, quando a sede das declarações públicas é uma entrevista de fundo, obviamente preparada e meditada, concedida a um "jornal de referência", a dias do debate sobre o Estado da Nação e a encerrar este polémico ano lectivo, as asneiras ganham uma dimensão insuportável. O que a ministra da Educação disse ao Expresso de 5 transacto foi grave. Sem esgotar os factos, que o espaço não o permite, vejamos como Sua Excelência asneou:

1. Finalmente, disse que tinha dado instruções ao GAVE quanto aos exames, depois de ter repetido, vezes sem conta, a sua não intervenção e a independência daquele órgão. Qualquer cidadão sabe que o GAVE depende hierárquica e institucionalmente da ministra. Está no diploma orgânico!

2. "O objectivo dos exames não é comparar", disse. Um aluno meu de avaliação educacional que escrevesse tal disparate chumbava liminarmente. Podemos concordar ou discordar dos exames como instrumento de avaliação ou classificação. Mas avaliar, e por arrastamento classificar, já que se pode avaliar sem classificar mas não se pode classificar sem avaliar, é, fundamentalmente, comparar. Aliás, ela própria, logo que saíram os primeiros resultados, desdobrou-se em comparações infindáveis. Ilegítimas, mas foi o que mais fez. Não se enxergou quando falou ao Expresso!

3. "Disse que em Portugal se chumba muito, que sai caro ao país", afirmaram-lhe os entrevistadores. "Nunca disse isso", respondeu. Estamos loucos, ou foi o que mais lhe ouvimos? Mas nem necessitamos procurar as referências. Sete linhas à frente declarou: "Claro que a repetência nos sai cara. Permanentemente no sistema educativo temos 40% de repetentes. O sistema investe com eles o dobro ou o triplo do que com os outros alunos". Que trapalhada, para além de nem sequer saber fazer contas elementares!

4. Perguntada sobre o papel dos sindicatos respondeu: "... Diria que algumas políticas sindicais prejudicaram a escola pública, como por exemplo o modelo centralizado de concurso". Só nos faltava, depois de nos ter revelado que os Açores não são Portugal, dizer-nos agora que os sindicatos é que definiram as politicas e decretaram o regime dos concursos.

5. "Como é que gostava de ser recordada?", é a vigésima segunda pergunta. A mesma pessoa que acabava de inaugurar uma patética galeria de retratos de todos os ministros que a antecederam, lançar um livro comemorativo de memórias e obviamente tomar a iniciativa de promover a sua própria presença para a posteridade no hall do ministério (esperamos todos que dentro do mais curto espaço de tempo possível), respondeu com este lapidar cinismo: "Não penso nisso. Não trabalho para a memória. Não me faça perguntas dessas que me deixa atrapalhada."

O que fica, supra, são aspectos caricatos, colhidos a título de exemplo. A irrelevância das respostas e das não respostas (que são em maior número) fazem o resto.

9 comentários:

linhadovouga disse...

Gosto especialmente do "desinteresse pessoal" que a senhora manifesta relativamente ao desempenho da sua função. Não trabalha para a memória.
O modelo será quem, o Salazar? Também esse vendia a imagem de tipo austero, que não queria nada para si, nem sabia que atribuiam a pontes o seu nome, etc...

Fernando Samuel disse...

Ministra da educa-não...
Esta mulher até parece... o Sócrates...

salvoconduto disse...

Quem não gostar que tome um Kompensan!

Maria disse...

Será que ela tem memória?
Será que ela pensa que está a tra(ba)lhar?
educa-quem?

Haja paciência...

Beijinho

samuel disse...

Educassinha!...
E na verdade não "ministra". Subtrai, surrupia, estraga aquilo que devia ministrar.

Abreijo

Lúcia disse...

Para que sejam responsabilizados; confrontados...lembrados como não exemplo.
Beijinhos
P.S. - AH! Sal - e as tuas etiquetas, como sempre, bestiais!:))

Andreia do Flautim disse...

Se ela tivesse vergonha...

Antuã disse...

essa tipa é mesmo anormal. mas que é uma grande besta é uma verdade.

poesianopopular disse...

Todos nós a parir de que nascemos comewçamos a fazer estória, a nossa estória, agora a estória desta mulher no capítolo Ministerial, vai ser uma nódoa muito grande, daquelas que não é preciso apontar o dedo!
O pior que são os nossos filhos (netas no meu caso) a sofrer as consequências, não fora isso era muito (bem feito) para ela!