domingo, 16 de março de 2008

Comício Pó-de-Arroz

Já comecei três vezes este post! E não consigo encontrar as palavras certas para expressar o misto de sentimentos que me vai na alma, face aos últimos acontecimentos neste país à beira-mar plantado. Refiro-me à arrogância de meia dúzia de indivíduos que, aproveitando-se da sua visibilidade em jornais e canais de televisão, tem vindo a público disparar à queima-roupa sobre o PCP, os seus militantes, os professores, os sindicatos, os sindicalistas, as manifestações, etc.
Em suma, tudo o que lhes "cheire" a oposição credível às políticas do Sócrates, é alvo de ferozes ataques na comunicação social, alguns, sem precedentes.
O que eles não sabem é que essa atitude só vem acentuar cada vez mais a divisão entre os que sofrem e lutam, e entre os que ganham com o sofrimento e a exploração dos outros.
Porque hoje em dia, em Portugal, há gente a manifestar-se pela primeira vez em trinta anos. E isso não acontece por acaso. Pela primeira vez foi feita uma greve geral (com bastante adesão, como se lembram) durante um Governo PS. Pela primeira vez, desde o 25 de Abril, o PCP organiza uma manifestação e põe 50 mil militantes no Rossio, em Lisboa. Pela primeira vez há 100 mil professores nas ruas, em protesto. Eu ouço pessoas a dizer que nunca sentiram tanta vontade de se inscrever neste partido como agora.
Agora.
Sócrates está muito perto do fim. A sua queda já começou.
E ele sabe.
E está assustado pela primeira vez, também. Portanto, há que fazer uma operação de cosmética e, como quem disfarça a borbulha com pó-de-arroz, eis que surge este comício, no Porto, onde surgem uns supostos milhares de apoiantes do PS, e onde colocam estrategicamente o primeiro-ministro e alguns membros do governo a passar por uns quantos corredores de pessoas, bem estreitinhos, que é para parecer "sardinha-em-lata". Que é para as televisões passarem a ideia de que o espaço estaria a abarrotar, e que era um sucesso aquele circo todo. (Bastaram os tipos que tem "tacho" dentro do PS para encher aquilo.)

Só que os portugueses, desta vez, não caem nessa.

Os portugueses, desta vez, estão mesmo "lixados" contigo, caro Sócrates.
Os portugueses, desta vez, lembram-se das urgências nocturnas que fecharam há dias, ao pé da sua casa; e das taxas moderadoras que pagaram mais caras no hospital a 30Km; e lembram-se da escola primária que era a alegria da aldeia, com os filhotes da terra por ali. Agora as crianças levantam-se às seis da manhã, vão-se embora, e chegam às sete da noite; desta vez, os portugueses lembram-se que o preço do pão subiu, que está tudo mais caro; lembram-se também que o desemprego é uma ameaça constante, e que o salário mínimo quase não dá para viver.

Desta vez não resulta.
Se calhar porque a maioria dos portugueses não percebe o que é ter um teleponto (quanto mais dois) para falar. Nem sabem o que é. Nem para o que serve.
A maioria dos portugueses olha para o Sócrates, e muda de canal!

Por isso, por muito pó-de-arroz que usem, o rosto feio e desonesto deste Governo está bem visível, à vista de todos os portugueses.

6 comentários:

Mide disse...

Boa!

Anónimo disse...

alto texto!
vamos a eles!!!!!
beijocas
vovó Maria

samuel disse...

Portanto, o mínimo que se poderá dizer é que não andas lá muito satisfeita com Sua Excelência o Presidente do Conselho e os seu governo...
Que a voz não te doa!

Abreijos

poesianopopular disse...

Incrível! que titulo genial! O titulo e o resto!
Dá-me o braço, anda daí!
Bjo
José Manangão

Fernando Samuel disse...

Excelente!
Sabes o que te digo?:este Governo é um cadáver adiado que esbraceja...

sr disse...

Tudo bom de sal!
Parabéns pelo post.
Sabes como se chamam aqueles que, no circo, entram no meio do espectáculo para que ele tenha continuidade? Os "faz-tudo"...
Eles aí estiveram, cumprindo a sua função, a de entreterem com fantochadas de diversão (isto com muito respeito por alguns profissionais de circo com essa função).
Mas o espectáculo (o sério, o da luta, o da vida) continua. "must go on..."